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Desenvolvedora: CD PROJEKT RED
Publicadora: CD PROJEKT RED
Gênero: RPG
Data de lançamento: 29 de setembro de 2026
Preço: R$ 199,00
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela CD PROJEKT RED.
Revisão: Lucas Barreto
A popularidade da saga “The Witcher” é relativamente atípica na indústria. Usualmente, séries de livro alcançam um público internacional mais amplo quando recebem adaptações para os cinemas, com filmes que fazem de tudo para tentar adaptar diversas páginas de um ou mais livros para um longa de no máximo 2 ou 3 horas. Na série do autor polonês Andrzej Sapkowski, apesar das adaptações para as telas, a maior popularidade internacional veio dos jogos eletrônicos produzidos pela CD PROJEKT RED. Mais especificamente, a maior fama veio no terceiro título da série, que chegou a vender mais de 65 milhões de unidades em todo o planeta.
Há de se argumentar que games podem ser um ótimo caminho para uma adaptação fiel e imersiva, com espaço para um caminhão de diálogos e a oportunidade de criar uma experiência em que o jogador realmente participa ativamente das decisões do protagonista. Nesse sentido, eu fiquei surpreso com o quanto The Witcher 3 consegue se aproveitar positivamente da mídia de jogos eletrônicos para criar uma experiência que vale à pena ser jogada.
Confesso para você, leitor, que tenho certa repulsa ao modelo de muitos RPGs ocidentais. Em particular, tenho um enorme bloqueio em me divertir com jogos da Bethesda como Skyrim e Fallout. E é claro que The Witcher 3 bebe de uma fonte muito semelhante, mas resolvi encarar de frente o gênero mais uma vez para verificar se agora vai do certo. The Witcher 3: Wild Hunt – Remastered é um lançamento extremamente atrativo para o Nintendo Switch 2, ainda mais quando a desenvolvedora disponibiliza upgrade gratuito para aqueles que já têm a versão para o primeiro Switch.
Nesse contexto, estarei aproveitando a oportunidade para dar o meu melhor e tentar enxergar o apelo que essa franquia tem para conquistar tanto jogadores. Adianto que foi difícil parar de jogar para escrever essa análise, mas isso também não quer dizer que vou me abster de criticar diversos pontos que me incomodaram na jornada de Geralt de Rivia.
Uma Narrativa Capilarizada

É evidente, ao começar The Witcher 3, que estamos no meio de uma história em que já aconteceu muita coisa. Não é que seja essencial ter jogado os outros dois jogos, mas fica evidente que esse personagem já viveu muita história, e até gostei disso. Bem no início fiquei um pouco perdido, mas eventualmente, pelo contexto, é fácil entender a relação que Geralt tem com cada personagem. Mas, por eu ser um completo novato na série, confesso que fui atrás de alguns resumos na internet para não ficar perdido, não só sobre o que aconteceu no primeiro e no segundo jogo, mas para entender melhor a mitologia da série.
O grande pontapé inicial do universo da saga começa com um evento cósmico que fez diferentes universos se colidirem, fazendo com que seres de locais diferentes pulassem de uma dimensão para outra. Daí a explicação para o mundo bizarro do jogo que reúne humanos com uma série de seres mágicos em um cenário medieval. Esse palco abre espaço para todo tipo de “micro história”. Cada uma dessas raças, desses monstros, vai ter seu lugar nesse mundo, com relações de conflito ou as vezes de amizade.

O grande lance é que com um mundo mágico tão rico, há sempre uma novidade à espreita em cada nova área e as sidequest são o lugar perfeito para tirar proveito disso, garantindo uma construção de mundo riquíssima. Não me entenda mal, é claro que a história principal do jogo é o fio condutor principal da experiência, mas o que realmente diferencia The Witcher 3 é a capacidade de criar um universo tão coeso e vivo, onde até mesmo as histórias secundárias são interessantes, têm carisma, mistério e desenvolvimento de personagens. Confesso para vocês que, de cabeça, não consigo pensar em outro que eu tenha ficado tão investido nas quest secundárias. Eu não as fazia só para bater checklists ou ganhar mais experiência, mas por genuíno interesse de conhecer melhor cada canto desse universo.
Por outro lado, a história principal me mantinha cativado com o carisma de personagens próximo a Geralt, como Yennefer, Tris e, claro, a sua filha adotiva Ciri, que é o ponto central da jornada. A grande missão é encontrar onde anda a personagem e vemos vários trechos de como tem sido a jornada dela fugindo da caçada selvagem. É bem gostoso de acompanhar a aventura porque, apesar de durão, Geralt tem a personalidade que você decide dar a ele, de acordo com as respostas de diálogo que podem mudar o rumo das missões, e é muito fácil se afeiçoar ao notar que há espaço para que ele seja o cara que apesar de durão, tem um coração mole e está ali principalmente para ajudar as pessoas nesse mundo violento e cruel que o jogo apresenta.

Inclusive, é surpreendente o quanto algumas escolhas podem afetar a história e o universo do jogo, diálogos diferentes ou até mesmo algo bom ou ruim acontecendo em outros lugares pode ser influenciado por uma sidequest. Talvez o maior trunfo da CD PROJEKT RED aqui seja os pontos de conexão que tornam esse universo mais coeso.
Jogabilidade Razoável
Acho que está claro que o grande ponto de diversão e imersão que The Witcher 3 propõe está diretamente ligado a essa experiência de um mundo medieval mágico onde o papel do jogador parece de fato relevante para aquele universo. Mas é obvio que ainda precisamos de muita mecânica para fazer esse RPG funcionar.

É uma grande preocupação minha com jogos desse gênero qual será a “sensação” de jogar, de controlar o personagem, de explorar, entrar em combate e mexer nos menus, muitas das vezes todos esses elementos podem se tornar uma bagunça em um game complexo e que pouco se importa com o jogador.
Longe de ser perfeito, The Witcher 3 ainda é um avanço considerável em relação a jogos como Skyrim e Fallout. Há um mínimo de preocupação com a experiência do usuário que talvez não seja tão familiarizado com jogos do tipo. O grande ponto positivo pra mim foi considerar a área inicial do jogo em um ambiente mais fechado, o mapa do pomar branco.
Foi a introdução perfeita para que eu pudesse me acostumar com aquele mundo em uma escala maior e entender a dinâmica de sair por aí achando novas missões e pessoas para ajudar. Depois desse trecho inicial o jogo se abre e dá uma liberdade considerável para o jogador que, claro, deve ficar sempre atento ao nível que está e o nível recomendado das missões para poder prosseguir.

O combate é onde as coisas começam a me deixar mais dividido. Ele até é divertido e há espaço para invenções, com ataques leves, pesados, magias, esquiva e todo o kit básico de um jogo desse nível. Porém, a decisão de atrelar o botão para mira automática no analógico direito é um absurdo para mim e nada intuitivo.
A franquia Zelda já estabeleceu com sucesso os gatilhos traseiros para manter a mira, ter que ficar apertando o analógico é de uma falta de praticidade tremenda. É claro que eventualmente me acostumei, mas sempre acho estranho quando retorno e preciso clicar no analógico para segurar a mira.
A variedade de inimigo é grande e traz alguns monstros realmente bizarros, desde lobisomens até dragões, grifos e outros seres, o nível de detalhe dessas criaturas é algo que se destaca positivamente.
O nível de complexidade dos itens, dos equipamentos e dos status é algo que confesso que passou por cima da minha cabeça. Sei que para aqueles que têm interesse dá para montar equipamentos perfeitos para Geralt, mas com tantos itens, tantas lojas e a dificuldade para conseguir dinheiro, eu fui seguindo o estilo mais básico para poder avançar sem muita dor de cabeça; até mesmo por que são muitos itens, muitos vendedores, em locais diferentes, itens com funções diferentes e um menu feito claramente para quem está usando um computador.

Aí entra outro ponto interessante de uma certa “acessibilidade”, mesmo sem entender 100% de todo o funcionamento do jogo, consegui avançar sem problemas. Há uma evidente dificuldade ali, no entanto, é algo que com persistência ou explorando os pontos fracos do inimigo específico, você consegue superar. Em alguns casos, se um combate está complicado, é só pegar outras missões, super de nível e retornar. Dificilmente me senti “sem saída” jogando o game, por que senti que bastava me preparar melhor que conseguiria derrotar algum chefão mais complicado.
Logo no início do jogo, me deparei com uma missão secundária bem legal em que um dos personagens está em busca da sua esposa desaparecida. A surpresa é que na verdade ele é um lobisomen e acabou assassinando a esposa sem estar consciente, graças à irmã da moça que é apaixonada pelo homem. A história é toda enrolada mas é super legal de ver desenrolar, e ai a batalha com o lobisomem me deu um baita trabalho, mas indo atrás de óleo específico, utilizando poções, melhorando minhas armas, eventualmente consegui derrotar o bicho, e a sensação de recompensa é maravilhosa.
Um Upgrade Louvável para o Switch 2
Em muitos trechos, posso dizer que The Witcher 3 é uma obra com muita inspiração, mas nem tanto polimento. Os visuais aqui na versão de Switch 2 caminham livremente entre belíssimos e horríveis. A questão é que por conta do escopo gigantesco do jogo, nem tudo vai receber a mesma atenção.
Por exemplo: o modelo do nosso protagonista Geralt é belíssimo, cheio de detalhes, porém nem todos os NPCs recebem a mesma atenção e isso é visível. Da mesma forma, algumas cenas as animações são estranhas, mais robóticas, a dublagem vai e vem na mixagem de som e vez ou outra algum bug gráfico acaba passando no jogo final. Tudo isso dá aquela sensação de um jogo que não tem tanto “polimento”.

No entanto, tudo parece ser um sacrifício para que os desenvolvedores focassem em outros pontos mais importantes: na escrita dos personagens e na complexa estrutura conectada do universo em que o jogo se passa, então é difícil apontar como algo que sacrifique a qualidade da experiência em larga escala.
Aqui no Switch 2 há um destaque especial, porque se compararmos com a versão do primeiro Switch o upgrade é massivo. Enquanto no console anterior o jogo era considerado um milagre, por apenas estar rodando ali, também era notoriamente um jogo borrado e recheado de reduções em detalhes para poder caber naquela plataforma. Aqui no Switch 2, o jogo não só consegue alcançar o patamar que já tinha em outras plataformas, mas supera visualmente ao trazer os benefícios da versão remasterizada, com nova iluminação, texturas e melhorias de gameplay.

O mais surpreendente é abrir o jogo no modo portátil, apesar de uma leve queda na resolução, o desempenho é impressionante e fácil uma das melhores maneiras de se curtir a experiência, passando horas fazendo missões secundárias e explorando o vasto mapa do jogo.
Por conta de ser a versão remastered, não seria estranho se a CD PROJEKT RED fosse sacana e simplesmente cobrasse um valor de jogo cheio aqui nessa versão, impossibilitando um upgrade para quem comprou a versão comprometida do primeiro Switch, mas não foi o que fizeram. Basta ter uma cópia de The Witcher 3 física ou digital que você pode fazer o upgrade para remastered. Nessa ótica, é difícil argumentar contra esse lançamento que oferece melhorias para quem já tem o jogo e uma boa experiência para jogar pela primeira vez.
É Senso Comum, mas é Verdade
The Witcher 3 implora para que você tome o seu tempo e faça tudo que está a sua disposição e, apesar de esse não ser o estilo ideal para analisar um jogo, me parece a maneira correta de desfrutar do game.

Confesso que, apesar dos percalços e das perturbações que tenho com o gênero, o game me conquistou de maneira forte. É um jogo diferenciado, daquele tipo que quando você sai de casa, já está pensando em jogar de novo quando voltar. Artísticamente tudo é bastante coerente, a trilha sonora, os cenários, a história, de tal forma que, a falta de polimento, os controles mais pesados não chegam a comprometer o todo da experiência.
Falar isso desse game pode parecer chover no molhado, depois de tantos prêmios e tanta aclamação do público, mas é inegável que aqui temos uma amostra belíssima para quem curte ação e aventura. Não posso já dizer que sou fã do gênero, porque até agora continuo com alto desprezo por todo resto, e, honestamente, eu gostaria que o próximo jogo da série fosse um pouco melhor em certos aspectos, principalmente em tornar a navegação pelos menus mais intuitiva. E pelo amor de Deus! Ajustar o tamanho da fonte e de tudo que aparece na tela, mesmo jogando na TV tive que colocar o tamanho da fonte de legendas e descrição de tudo no máximo e ainda achei pequeno. Vou dar um desconto por que com os 30 anos chegando, talvez eu só esteja velho mesmo.
A lição que fica é: mande mensagem para todos que você conhece que tenham The Witcher 3 de Switch físico e peça o cartucho emprestado imediatamente para curtir a versão remasterizada no Switch 2.
Prós:
- Estrutura narrativa capilarizada traz missões secundárias com histórias tão boas ou melhor que a história principal e com decisões relevantes que podem afetar o universo do jogo;
- História principal faz o básico bem feito e funciona como um bom fio condutor para que as coisas não saiam do controle;
- Histórias das diversas missões secundárias contribuem para uma construção de mundo imersivo;
- Combate versátil dá diferentes opções para o jogador derrotar um inimigo e abre espaço para se planejar e pensar em estratégias antes de uma batalha;
- Upgrade visual muito grande em relação a versão original lançada para Switch.
Contras:
- Pouca preocupação com a experiência do usuário em alguns pontos, principalmente na navegação dos menus e no excesso de texto com uma fonte minúscula na tela;
- Falta de polimento é evidente no modelo de alguns personagens, em alguns cenários e em bugs ocasionais.
Nota
9
