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Desenvolvedores: ebi-hime
Publicadora: Ratalaika Games
Gênero: Visual Novel | Bishoujo Game
Data de lançamento: 9 de outubro de 2026
Preço: R$ 56,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Ratalaika Games.
Revisão: Manuela Feitosa
My Lovey-Dovey Demon é a mais nova visual novel da desenvolvedora ebi-hime a receber um port para Switch pela Ratalaika. Embora a escritora tenda a criar obras com aspecto queer, desta vez temos um romance hétero entre um jovem rapaz e uma garota-demônio que ele acaba invocando sem querer.
Contato de quinto grau com uma gostosa

Antes de qualquer outra coisa, é importante destacar que My Lovey-Dovey Demon é uma visual novel no formato “kinetic”, ou seja, é linear sem escolhas do jogador. Esse formato é bastante comum nas obras da Ebi-hime, que cria muitas visual novels no mesmo ano com estilos bem diferentes.
No caso específico de My Lovey-Dovey Demon, temos uma história de comédia romântica em uma ambientação do interior japonês com leves elementos sobrenaturais. A história segue exclusivamente a visão de Taiki, nosso jovem rapaz virgem que viaja para a casa dos seus avós no interior junto com os seus irmãos mais novos.

Em um dia comum, durante uma brincadeira de esconde-esconde, Taiki acaba entrando no escritório do seu avô, um local de acesso restrito, e realizando um ritual macabro. Como resultado, ele acaba invocando um demônio chamado Elisabeth. Felizmente, ela logo se mostra apenas uma pessoa bem agradável de conviver e bastante curiosa com o mundo dos humanos.
Com a garota sendo bonita e simpática, além de estar constantemente próxima a Taiki, o rapaz logo se vê em várias situações que fogem da sua tendência natural ao marasmo. O resultado são dias de comédia romântica até a fatídica despedida.
Humanizando os personagens

Em termos gerais da história, a trama é relativamente simples e óbvia, sem grandes surpresas. Isso, porém, não faz a narrativa ser ruim, conseguindo trabalhar bem em apresentar os aspectos mundanos e usar o tom leve de comédia nas interações a seu favor.
Em particular, Taiki e seus irmãos formam um grupo com personalidades bem diversas, cujas interações revelam detalhes bem interessantes. Dentre os quatro irmãos, Nene é talvez a que chama mais atenção à primeira vista por ser chuunibyou, agindo como se estivesse a serviço de uma força das trevas e falando com linguagem arcaica. Ela é muito espevitada, não tendo limites na busca de formas de se divertir.
Temos também Chiharu, que é a irmã mais velha (mas não mais do que o Taiki) que adora moda e tenta ser mais blasé sobre tudo, ocasionalmente tecendo comentários maliciosos sobre Taiki e Nene apenas pela graça da coisa. Por fim, Reza é o mais novo do grupo e um garotinho bem fofinho que ainda está aprendendo muita coisa e tem sua própria bagagem complicada que ocasionalmente vem à tona na história.

Em termos dos principais da trama, Taiki é um rapaz que sempre prezou por uma vida simples fora dos holofotes e que não teve praticamente nenhuma experiência romântica fora uma pequena desilusão no ensino médio. Sendo o mais velho dos irmãos, ele tem um forte senso de responsabilidade e acabou tendo que assumir algumas tarefas de casa, se tornando um bom cozinheiro em particular.
Já Elisabeth é uma moça que sonhava muito em conhecer o mundo dos humanos. Filha de uma demônio muito poderosa que já havia ultrapassado a fronteira entre os dois reinos, ela já tinha ouvido histórias sobre o “outro lado”, mas nunca havia visitado. Além da curiosidade, um traço marcante da personagem é a sua amabilidade, fazendo amizade rapidamente com a família que a abriga. Por fim, temos ainda os avós de Taiki, que são um casal de idosos bem simpáticos e que levam a vida de forma leve no interior.
Camadas de personalidade

O que chama a atenção na história é a forma como ebi-hime consegue explorar os relacionamentos entre os personagens e fazer com que a trama tenha uma grande naturalidade. Pequenos momentos são apresentados de forma bem humorada e já oferecem detalhes sobre os personagens que são camadas que ressignificam seus trejeitos.
Um ótimo exemplo da qualidade da escrita é a forma como os irmãos se relacionam. Eles constantemente brigam e mexem uns com os outros, mas, é muito nítido que se trata apenas de brincadeiras de irmãos e há amor, respeito e cuidado por baixo de tudo.

Os detalhes mais específicos de personalidade de cada um também evocam reações diferentes de cada indivíduo. Por exemplo, quando o assunto é a personalidade excêntrica de Nene, enquanto os irmãos mais velhos da garota reviram os olhos sofrendo de vergonha alheia e os avós ignoram como uma fase que vai passar, Reza e Elisabeth acreditam de verdade que aquele comportamento é incrível. As nuances individuais de cada um também são diferentes, fazendo com que os detalhes sejam realmente interessantes.
Apesar das qualidades da obra, existem alguns pontos a se criticar. O primeiro deles é que o elemento da garota-demônio em si e seus poderes acaba sendo subdesenvolvido. Isso é intencional, tendo em vista a bagagem de vida de Elisabeth, mas há algumas questões que mereciam um detalhamento maior mesmo assim, como o contato entre os dois mundos. Especialmente para quem espera algo sobre esse elemento sobrenatural, a chance é alta de sair decepcionado com a trama.
O final também acaba sendo um pouco anticlimático na forma como a trama deixa em aberto muitos detalhes. Sem entrar em spoilers, há um esforço para fechar um ciclo narrativo de forma simbólica e usar isso como um final de impacto, mas os detalhes sobre o futuro mereciam um pouco mais de clareza pelo menos. Há ainda um momento de corte bem nítido para uma cena de contato íntimo entre os personagens que acaba soando brusco.

Já no aspecto de interface, temos outros problemas para se ter em mente. Navegar pelos menus é um pouco truncado, especialmente o de Save (que faz saltos na movimentação), e não temos um log tradicional com todo o texto, apenas a possibilidade de dar uma espécie de rebobinada nas caixas de diálogo. A pior parte, porém, é a falta de suporte à tela de toque do Switch, o que poderia tornar a navegação bem mais simples. Não temos também um botão para esconder as caixas de texto temporariamente para apreciar as ilustrações nem um menu com detalhamento do mapeamento de botões.
Após terminar o jogo, liberamos um menu de Extras com galeria de artes especiais (“CGs”), lista de músicas, nota da criadora e créditos. Vale destacar que as artes do jogo (cujos personagens foram desenhados por Kimoreen) tendem a ser bem bonitas tanto nos momentos comuns quanto nas ilustrações especiais, sendo que algumas até contam com pequenas animações.
Os personagens e ambientes são bem coloridos e as silhuetas e detalhes de cada um são bem distintos. Mesmo Chiharu, cuja aparência é de uma garota adolescente comum, não parece simplesmente copiada e colada de algum anime, o que é um feito e tanto. A trilha sonora composta por Xtraspicy também é de ótima qualidade, representando muito bem as emoções de cada cena. Vale destacar ainda que o jogo não conta com dublagem em nenhuma língua e o texto está disponível apenas em inglês.
Nem tudo é gostosuras

My Lovey-Dovey Demon é uma kinetic novel de comédia e romance hétero com protagonista masculino que consegue mostrar bem as competências da escrita de Ebi-hime. Mesmo se tratando de um estilo de narrativa relativamente batido, os detalhes da trama são bem pensados e os personagens possuem nuances interessantes para além de seu carisma básico. Há alguns pontos que poderiam ser melhor trabalhados, mas o resultado é bem competente e divertido de vivenciar.
Prós:
- Personagens carismáticos cujas interações permitem ver mais camadas de sua personalidade;
- Trama slice-of-life leve e com bom humor bem empregado;
- As artes de personagens e ambientes são bem coloridas e charmosas;
- Trilha sonora competente para o apelo emocional de cada momento.
Contras:
- O final acaba sendo um pouco anticlimático em não dar mais detalhes sobre o futuro dos personagens;
- Aspectos ligados ao mundo dos demônios mereciam um pouco mais de destaque;
- Interface poderia ser melhor e não tem suporte à touchscreen.
Nota
7,5
