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Desenvolvedora: Nippon Ichi Software
Publicadora: NIS America
Gênero: Party Game | Sugoroku
Data de lançamento: 11 de novembro de 2026
Preço: R$ 159,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela NIS America.
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
A sempre bem-humorada franquia Disgaea ganha mais um spin-off: um party game JRPG, com tabuleiro e tudo! O jogo é um Sugoroku-like, ou seja, um típico jogo no estilo japonês, em moldes próximos ao ‘Mario Party’ para os mais chegados, mas trazendo alguns elementos de jogos táticos, já que, afinal, é um spin-off da franquia Disgaea.
Para aqueles que não estão familiarizados com a série da Nippon Ichi Software, o que você precisa saber antes de entrar nessa experiência é o humor característico e exagerado que transborda dessa aventura. As piadas presentes em Prinny Party: Going Overboard!, no geral, vão funcionar para qualquer fã ávido de JRPG, ou até mesmo de anime, já que elas brincam de diversas formas com os tropos empregados nesse tipo de mídia.
Além disso, os fãs de carteirinha vão aproveitar ainda mais, já que poderemos enfrentar os protagonistas da série como os bosses do jogo — mas novatos também conseguirão entender as coisas bem facilmente. Vamos aos detalhes!
Tabuleiro

O jogo conta com um comando simples de andar, de acordo com o número obtido em uma roleta. Esse é o princípio de um jogo de tabuleiro, mas o que é realmente interessante são as casas que o jogo proporciona e como elas impactam a gameplay.
Aqui, os personagens que você escolhe possuem stats e skills típicas de classes presentes em JRPGs, sendo que boa parte da experiência do tabuleiro se baseia em uma espécie de grinding. O jogador pode cair em casas azuis, vermelhas, verdes, amarelas e pretas na maioria das vezes, com cada uma delas garantindo um efeito diferente.
As azuis dão stats extras para o personagem, funcionando como uma casa de subir de nível; as vermelhas podem deduzir os pontos do personagem ou até mesmo causar dano a eles; já as amarelas são um espaço destinado a construções, um conceito um pouco mais denso de Prinny Party.
Temos como exemplo hospitais que servem para curar os bonecos; lojas de armas e armaduras que podem oferecer equipamentos melhores; lojas gerais e de doce, que oferecem tipos diferentes de itens e até mesmo canhões para atacar inimigos; e árvores mágicas que oferecem itens exclusivos.
A parte mais legal é que, construindo diversas lojas do mesmo tipo, o jogador pode aumentar a qualidade desses estabelecimentos. Uma loja de armas de nível 3 (ou seja, foi construída três vezes) oferece níveis maiores de armamento que uma loja que não passou por aprimoramentos.
Além disso, temos também casas verdes que ativam eventos aleatórios. Eles vão de coisas simples, como “avance mais 3 casas”, a outras mais complexas, como “troque de lugar com outro jogador” ou “leve a party toda para um tabuleiro alternativo temporariamente”.

Os eventos são divertidos e muitos deles carregam imagens incríveis inspiradas em Disgaea, além de arrancarem boas risadas. Por fim, ao cair na casa preta, o jogador invocará inimigos, que servem para ganhar dinheiro e stats quando são eliminados.
Todas as casas, com exceção da vermelha, possuem seus benefícios. O jogo funciona desta forma: você deve passar nas melhores casas possíveis, conseguir os melhores equipamentos, o máximo de stats, os itens desejados e, por fim, ir para a luta contra inimigos poderosos ou até mesmo com seus amigos.
Ainda temos a casa do Prinny, onde podemos entregar uma quantidade gigantesca de missões que completamos andando pelo tabuleiro. Quase tudo que o jogador faz completa uma missão e é de lá que conseguimos boa parte de nossos itens e dinheiro. Dessa casa só existe uma, no começo do tabuleiro, mas esse é um lugar pelo qual o jogador deve passar, cedo ou tarde.
Protago-Knights e Overboard – Eu quase não tenho inimigos

A partir desse grinding, o verdadeiro objetivo se torna alcançável: de tempos em tempos, um inimigo poderoso chamado Protago-Knight aparece e os jogadores devem lidar com ele. Essa classe de adversário se trata, é claro, dos protagonistas dos jogos da franquia Disgaea e são oponentes dignos e icônicos para sua Party.
Eles aparecem depois de uma quantidade fixa de turnos que deve ser definida pelo jogador antes da partida. Cada um dos Protago-Knights tem uma gimmick única e divertida, seja fazer melhorias em monstros aleatórios do mapa como se fosse um experimento maluco ou se curar todo turno, dificultando as estratégias que dependem de dano mais lento. Independentemente da ordem, no entanto, todos são ótimos em se tornar uma dor de cabeça.
Uma das questões com os Protago-Knights é que a contagem de turnos nunca para; por isso, os jogadores dependem bastante de enfrentá-los logo, caso não queiram ver dois ou três inimigos muito poderosos em seu encalço ao mesmo tempo.
Por fim, após derrotar os quatro oponentes que aparecem em ordem e frequência aleatória durante a partida, o jogador deve enfrentar o maior desafio de todos, o Overboard, inimigo muito perigoso que consegue atacar o mapa todo ao mesmo tempo e desfere comumente golpes fatais contra os adversários.
A maneira que os jogadores vão enfrentar esse desafio é bastante opcional. Você pode optar por itens que ajudam muito, grinding incessante, 18 construções de canhões empilhados ou até mesmo o impensável em um party game: trabalhar em equipe — todas essas características formam um dos trunfos do jogo.
Isso faz com que seja possível jogar co-op, contra, sozinho ou em grupo e se divertir de diversas maneiras. Apesar de conter apenas um modo de jogo, esse pacote acaba apresentando bastante contéudo através da sua rejogabilidade.

E principalmente em grupo, já que se tratando de um party game, tudo depende de como os jogadores resolvem encarar esse desafio. Existe uma tabela de pontuação, mas ela é bem secundária e não interfere muito em nada do que o jogador faz, nem é imediatamente o objetivo na maioria das vezes. Por isso, após algumas partidas, resolvemos jogar amigavelmente, salvar um ao outro e bolar novas estratégias contra os Protago-Knights, e digo com tranquilidade que a experiência se manteve tão divertida quanto antes, se não até mais.
O fato dos combates serem contra inimigos do jogo e de ter uma ameaça capaz de unir todos, além de que na maioria dos turnos você não está disputando nada com os outros jogadores, Prinny Party, ao invés de um Mario Party, faz com que a experiência seja ainda igualmente engajante quando você decide que não tem inimigos.
Isso dito, ao derrotar um inimigo de elite como esses, o jogador deve levá-lo até o Prinny e isso renderá boas recompensas, tanto dentro do jogo quanto de pontuação.
Não arremesse o Prinny (ou faça isso, ninguém aqui vai te julgar)

Uma das mecânicas mais divertidas de Prinny Party: Going Overboard! é a mecânica de arremesso (Throw). Com ela, podemos jogar nossos aliados, inimigos e até construções para outros tiles. A distância do arremesso depende da sua classe, mas a diversão não!
Com isso, você pode jogar seu amigo em uma enrascada, um inimigo chato para um lugar onde não te alcança, empilhar duas construções para que elas subam de nível, criar uma barreira mais alta que o Everest, entre outras possibilidades. Além disso, quando o jogador arremessa um inimigo no outro, eles se fundem: o que estava parado ganha status, enquanto o que foi arremessado desaparece — sim, dá pra fundir dois Protago-Knights e, sim, eu me arrependo disso e estou disposto a pagar pelos meus pecados.
A parte de construções é uma das que acaba se beneficiando mais disso também, já que cada vez que você constrói um nível a mais fica mais caro, isso dito caso você construa um de cada vez e arremesse em turnos diferentes, é possível economizar um bocado mas requer sorte.
E essa é só uma das diversas e maravilhosas nuances do jogo.

Outra das minhas mecânicas favoritas é o conselho, uma construção que não pode ser construída e que fica pelo mapa. Nela, os jogadores podem tentar fazer uma petição, que pode ou não ser aprovada, que incluem andar novamente no mesmo turno, receber diversos tipos de buff, causar uma explosão massiva nos inimigos, construir um estabelecimento em qualquer casa e por aí vai.
A graça é que uma porcentagem do dinheiro de todos os jogadores é destinado a esse fundo. Cada petição custa dinheiro, além de ter uma porcentagem diferente de chance de dar certo, já que a maioria do conselho precisa aprovar.
Quando uma petição falha, o jogador pode desistir, pagar por ela (o que pode custar valores exorbitantes) ou enfrentar um membro do conselho — este último costuma ser bem difícil, mas possível no late game. De qualquer forma, essa é uma das casas mais diferentes e criativas do jogo e rende ainda mais diversidade na run.
Monte sua Party e se torne o Overboard!

Prinny Party: Going Overboard! oferece diversas formas de jogar e possui uma saborosa quantidade de eventos divertidos e estratégias diferentes. Os inimigos são poderosos e o jogo é bastante difícil enquanto você não se adaptar a ele: classes diferentes possuem habilidades diferentes e requerem atributos diferentes, tornando a experiência ainda mais diferente a cada partida
Para além disso, as artes são a definição de irado, a música é divertida, o senso de humor está no ponto e a brincadeira não para nunca. Priny Party foi uma surpresa extremamente positiva e estou muito feliz de ter tido a chance de experimentar esse jogo maravilhoso — recomendo todos que comprem, joguem e se tornem os próximos Overboards.
Prós:
- Bastante espaço para estratégias diferentes;
- Jogue com ou contra seus amigos e tenha duas experiências pelo preço de uma;
- Bastante diferença de uma partida para outra, um bom sinal para a longevidade do jogo.
Contras:
- Gostaria que houvesse mais maneiras de personalizar a partida antes de começá-la;
- O jogo tem uma base extremamente divertida e se beneficiaria muito de mais minigames ou modos.
Nota
9
