Review | Dotori

Review | Dotori

27/02/2021 1 Por Luiz Estrella

Desenvolvedora: indev-studio
Publicadora: CFK Co., Ltd.
Data de lançamento: 25 de fevereiro 2021
Preço: R$ 48,92 (Promocional até 3 de março)
Formato: Digital


É curioso como alguns jogos de plataforma conseguem te forçar a continuar tentando e tentando até finalmente conseguir passar de uma fase específica, mesmo que você não esteja de fato se divertindo. A principal surpresa que eu tive com o jogo desta análise foi como ele conseguiu manter a minha atenção ainda que eu estivesse frustrado.

Dotori é um jogo de plataforma em progressão 2D com elementos de puzzle, protagonizado por um esquilo que não tem um olho, o que no inicio me deu um pouco de pena, mas depois percebi que fazia parte do visual badass dele. Levando em conta o gênero do jogo, existem algumas expectativas para a qualidade do level design, das mecânicas e a fluidez do jogo de forma geral e é justamente o que vamos abordar nessa análise de acordo com a minha experiência.


Evitando armadilhas


Começamos o game, como esperado, com uma cena de introdução que mostra a irmã do protagonista sendo sequestrada por uma grande coruja. Não dá pra dizer que a cena faz um trabalho muito competente em manter a atenção do jogador e dar contexto, pra falar a verdade, entendi melhor o que aconteceu depois que li a sinopse do jogo. Mas tudo bem, o importante é que a cena é curta e quando você menos espera, já está jogando.

O jogo possui 40 fases, divididas em grupos de 10 e em cada uma você precisa coletar um número específico de nozes. No início, tive a impressão de ser um game de plataforma apenas, focado em pulos que exigem uma certa destreza. Com o avançar das fases, o jogo foi apresentando mecânicas e exibindo os elementos de puzzle, só que estes, trabalham para a movimentação do personagem, funcionando como um degrau para chegar nos trechos de plataforma de fato. Apesar da presença de puzzles, o foco é bem maior na agilidade e no moveset do personagem.

O interessante, é que o jogo evita problemas básicos no design das fases, que é fácil de encontrar em jogos de plataforma de estúdios com menos experiência. A fase é desenhada com blocos e o posicionamento sempre tem uma coerência. A progressão é intuitiva e a colocação de algumas setas no caminho é sempre uma boa ajuda para garantir que o jogador vá entender por onde seguir.


Um pouco estranho, mas funciona (mas nem sempre)


A física do jogo atende as necessidades do mesmo, alguns itens são bem mais leves do que parecem, mas isso facilita na resolução dos puzzles. O pulo do esquilo respeita a gravidade e o pulo duplo salva a vida em diversos momentos, algumas raras vezes a gravidade parece exercer uma força acima do normal e o personagem vai em queda livre. O jogo também se aproveita bastante da verticalidade, garantindo um pulo extra ao encostar em uma parede.

O clássico wall jump é outra maneira de usar a verticalidade mas me deu bastante dor de cabeça. As fases do segundo mundo do jogo, utilizam bastante esse movimento em espaços bem altos para escalar, o problema é que o timing é difícil de acertar, como se meus comandos não fossem responsivos o suficiente, cheguei a ficar quase 30 minutos preso em um trecho que exigia a movimentação de uma parede a outra. Até que decidi tirar o switch da dock e jogar no modo portátil, resultado: o jogo ficou bem mais responsivo e consegui na segunda tentativa. Não sei dizer se é apenas input lag (atraso para reconhecimento dos comandos) ou quedas de frame rate, mas a partir daí joguei apenas no portátil e melhorou bastante a experiência.

O jogo está no seu melhor em momentos que você precisa utilizar todo seu moveset, em fases com longos trechos que exigem uma análise superficial antes de pular totalmente no escuro, me lembrando em alguns momentos o já clássico indie de plataforma “Celeste” (sem a mesma precisão no controle, infelizmente).


Precisa de polimento


O gráfico do jogo cumpre o seu papel e a direção de arte, apesar de repetitiva, é até interessante. A trilha sonora acerta por não chamar atenção, ou seja, também não incomoda. O maior problema, como já abordado, é a falta de responsividade dos comandos. No fim de cada mundo, existe uma batalha contra chefe e nesses momentos o jogo se torna um desastre, a necessidade do combate expõe vários bugs de clipping (quando objetos atravessam outros objetos sólidos) e por conta da imprecisão, você sempre tem a sensação de que tomou dano injustamente.

Fora isso, os menus são muito simples e o jogo carece de algumas opções, como a de jogar usando o D-pad. Em alguns momentos, precisei reiniciar a fase por que bloqueei a progressão, já em outra vez, o texto do jogo exibiu informação incorreta como no exemplo abaixo.


Conclusão


Apesar dos inúmeros problemas, acabei me divertindo com o jogo, me lembrando bastante da experiência de um jogo de celular. Colocando tudo na balança, é uma recomendação difícil para ser honesto, mesmo com o valor relativamente baixo, em um console como o Switch há opções bem melhores no catálogo como é o caso do já citado Celeste, que é um dos melhores jogos do gênero. Ainda assim, se você quer um jogo de plataforma para ser uma distração rápida, ele cumpre o papel.

Prós:

• Level design coerente
• Rápido de se jogar
• Algumas boas ideias

Contras:

• Controles imprecisos, principalmente na dock
• Batalhas contra chefe mal desenhadas
• Presença de bugs e falta de polimento
• Apresentação desinteressante

6

Jogo analisado com chave fornecida gentilmente pela CFK.

Luiz Estrella
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