Review | Just Die Already

Review | Just Die Already

20/05/2021 0 Por Pablo Camargo

Desenvolvedora: DoubleMoose
Publicadora: Curve Digital
Data de lançamento: 20 de maio 2021
Preço: R$ 76,99
Formato: Digital

Análise feita com cópia disponibilizada gentilmente pela Curve Digital


Just Die Already é um jogo sandbox feito pelo mesmo time de Goat Simulator, e tem o mesmo foco de seu antecessor: ter o personagem num mundo enorme com o principal objetivo de zoar por toda a parte. Porém, ao invés de cabras num mundo mais realista, temos idosos num mundo mais cartunesco.

Expulso de casa


Começamos o jogo em um asilo, onde temos que aprender os comandos para poder sair de nosso quarto, e aqui já notamos que a física do jogo é bem bizarra, mas de uma maneira proposital, para gerar diversas situações cômicas. Pulamos com os membros todos desengonçados, se cairmos a física praticamente morre e devido aos nossos ossos frágeis nos quebramos facilmente. O mapeamento de botões é bem simples: temos um botão para pulo, um para cair, um para provocações (ou urinações se tiver ingerido algum líquido), um para respawn, o que, confie em mim, você vai fazer muito, além de é claro, os botões L e R que controlam a mão que o seu velhinho vai pegar ou soltar algum objeto.

Após causar no asilo por um tempo, a dona nos expulsa do estabelecimento, e agora temos que viver por conta própria nas ruas. Mas antes disso, recebemos um caderninho de desafios, que vão desde tarefas mais simples como derrubar lixeiras e vestir certas roupas, até morrer de diversas formas, atravessar locais em um certo tempo, entre outras coisas. Desafios que, ao serem realizados, nos fornecem itens novos para resgatarmos em máquinas de vendas, ou tickets que podem ser usados para comprar outros itens especiais, e uma passagem para um asilo na Califórnia, que é visto como o “Objetivo principal” do jogo.

Vivendo nas ruas


A cidade do jogo é dividida em algumas áreas, como o centro, a área de esportes e o parque. Cada área tem seus próprios desafios para serem realizados, com diferentes itens para desbloquear e objetos para interagir. Mas é importante citar que Just Die Already não é um jogo feito para seguir sua lista de desafios à risca. Por ser um mundo bem grande, ficar procurando por coisas específicas pode ser uma tarefa chata e demorada, sem dúvidas é melhor sair apenas explorando o que quiser na sua frente, sempre achando e interagindo com coisas novas e concluindo desafios ao acaso.

E como todo sandbox gerador de caos, a principal diversão do jogo está em ficar pegando itens pelo mapa e ver como eles vão interagir com você, outros personagens e itens pelo mapa, e diferentes interações é o que não faltam, temos armas de todos os tipos, armas de fogo comuns, facões, armas que atiram pregos, salames e até um lança-lulas explosivas. Temos diversos meios de mudar nossa movimentação com veículos, extintores para voarmos e foguetes. E diversas consequências por nossos atos, desde sermos feitos em pedacinhos até mesmo virar um cubo de gelo por excessivo frio.

E uma das principais graças do jogo está na física, claro, a forma que somos jogados metros de distância pelos carros, como temos nossos membros facilmente arrancados por motivos bobos e todo o sangue exagerado e cartunizado sem dúvidas trazem boas risadas. Just Die Already conta com várias maneiras de morrer e é sempre legal de achar uma nova, seja pegando fogo, sendo picotado ou devorado por um tubarão.

Os NPCS do mapa, porém, são em sua maior parte bem limitados, alguns são apenas plano de fundo, alguns só se movem caso sejam provocados, ou são extremamente agressivos e saem te jogando pelos ares só por ter se aproximado, a gentileza com vovôs não existe nesse mundo… E bem poucos personagens possuem diálogos e quests para serem realizadas, mas a maioria é extremamente difícil de cumprir pela falta de informação, um grande problema deste jogo.

Nem tudo é só diversão


Just Die Already dá pouquíssimas informações para o jogador, só deixa claro o mapeamento de botões e que pela cidade há 3 diferentes tipos de máquinas de vendas, cada um com um diferente tipo de item. E por conta disso, é muito comum ficarmos extremamente perdidos no que fazer no jogo, apesar de ter dito antes que o jogo é melhor experienciado só fazendo o que dá na telha, esta também não é uma forma divertida de jogá-lo sozinho, já que o mundo quase não possuí música de fundo e o design de áudio é bem irritante. Às vezes eu preferia que os personagens e os carros nem fizessem barulho se era para fazer como estavam, e passamos muito tempo apenas andando de um lado para o outro procurando algo pra fazer, o que, por motivos já citados, se torna extremamente tedioso. Algo que seria facilmente resolvido se o jogo tivesse um sistema de pontuação por suas ações igual Goat Simulator.

As quests principais do jogo também apresentam problemas, visto que algumas requerem você a abrir portões com certos membros arrancados, o que na ideia parece tranquilo, mas não é, por conta da física caótica é extremamente difícil você ter perdido os exatos membros necessários para abrir uma porta, já que seu personagem tem muitos pontos de articulação, e se conseguir abrir alguma, quase que com certeza você chegou nesse estado por sorte, algo bem ruim se estiver querendo abrir a porta por vontade própria.

Melhor com mais de um velho


Porém a maioria desses problemas podem ser aliviados, mas não inteiramente resolvidos, com o Co-op Online do jogo que vai de 2 a 4 pessoas e com a possibilidade de crossplay entre suas plataformas. É muito mais divertido explorar esse mundo e fazer palhaçadas com algum colega junto, preenchendo muito do silêncio da exploração e podendo compartilhar o caos com alguém na hora, adicionando muito à experiência. E como existe o fogo amigo, não é nem necessário seguir os objetivos que o jogo fornece para nos divertirmos, já que podemos simplesmente tornar o mundo num grande terreno de guerra entre nós mesmos.

Um final bem infeliz


Entretanto, um problema bem grave, e talvez o mais grave que já enfrentei não só aqui, mas em qualquer jogo que já joguei, é que ao cumprir o objetivo principal de comprar uma passagem para o tão sonhado asilo californiano, cujo é necessário gastar 50 tickets numa máquina azul, o jogo me recompensou com a pior punição possível… Um softlock. Ao ir para o asilo, que por motivos de spoilers não vou entrar em muitos detalhes de como é, basicamente entramos numa nova área do mapa, uma área que eu simplesmente não consegui sair para voltar a cidade e continuar o jogo, mesmo depois de ficar mais de uma hora explorando todos os cantos e fazendo o que o jogo aparentemente queria que eu fizesse.

Eu interpretei que o jogo simplesmente teve algum glitch que atrapalhou meu avanço para voltar, ou que faltou alguma comunicação muito importante entre o desenvolvedor e o jogador para me conscientizar do que poder fazer. E infelizmente por conta disso tive que iniciar um novo jogo para poder jogar mais. Espero que com o lançamento oficial isso seja resolvido, pois é muito infeliz ser punido por cumprir o objetivo principal.

Conclusão


Just Die Already é uma experiência bem divertida em suas primeiras horas, e que pode te render boas risadas, mas que após algum tempo, é fácil de cansar de sua física e de sua exploração, ainda mais se você estiver jogando sozinho, sem dúvidas a experiência Multiplayer traz a tona a verdadeira face dele. As quests principais são extremamente difíceis de serem realizadas quando queremos e muito vai para o acaso. Além de apresentar diversos glitchs como clipagem e atravessar cenários, mas que às vezes até adicionam ao humor do jogo.

Prós:

  • Pode trazer momentos de boas risadas por conta de sua física, ainda mais no multiplayer
  • Diversos modos criativos de morrer
  • Mundo bem grande e criativo

Contras:

  • Cansa extremamente rápido, ainda mais jogando sozinho
  • Falta de música de fundo e áudio design ruim tornam a exploração entediante e chata
  • Apresentação deixa um pouco a desejar no Switch
  • Alguns glitches bem infelizes.

Nota Final

6

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