Review | Prinny Presents NIS Classics Vol. 2: Makai Kingdom: Reclaimed and Rebound / ZHP: Unlosing Ranger VS Darkdeath Evilman

Review | Prinny Presents NIS Classics Vol. 2: Makai Kingdom: Reclaimed and Rebound / ZHP: Unlosing Ranger VS Darkdeath Evilman

09/05/2022 0 Por Marcos

Desenvolvedora: Nippon Ichi Software
Publicadora: NIS America
Data de lançamento: 10 de Maio, 2022
Preço: R$ 209,99
Formato: Digital/Físico

Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela NIS America.

Prinny Presents NIS Classics é uma iniciativa da NIS America – os mesmos por trás de Disgaea – em resgatar clássicos de outrora da Nippon Ichi Software em coletâneas para o Nintendo Switch. Enquanto o primeiro volume estreava com Phantom Brave e Soul Nomad & the World Eaters, o segundo apresenta Makai Kingdom e ZHP: Unlosing Ranger VS Dearkdeath Evilman, ambos RPGs lançados originalmente para PlayStation 2 e PSP, respectivamente.

Na análise de Prinny Presents NIS Classics Vol. 1 [leia aqui] abordei brevemente sobre a tendência de relançamentos de clássicos como forma de capitalizar em cima da nostalgia. Embora a ideia seja de grande importância para manter a preservação histórica dos videogames, e claro, para a acessibilidade, o trabalho entregue no entanto, em termos de qualidade, muitas vezes ficava aquém do que o consumidor merecia – ou havia alguma pratica abusiva por trás, como o caso de Sonic Origins com múltiplas versões da mesma coletânea mas com conteúdos e preços diferentes [informação via Looper].

No caso de Prinny Presents NIS Classics Vol. 2, ele segue o formato mais básico assim como seu antecessor, com recursos que deixam a experiência mais suavizada, mas sem tantas firulas como algum artbook digital, Save State, Rewind, Junkbox, etc. Contudo, o segundo pacote ainda oferece alguma melhoria baseada no feedback da coletânea original, embora ainda sinta que teria espaço para melhorar um pouco mais. De todo modo, deixarei para explicar mais neste texto.

O destino do mundo está nas mãos do herói mais fraco de todos os tempos

ZHP: Unlosing Ranger VS Darkdeath Evilman é um RPG de estratégia com exploração de dungeon e elementos de roguelike – similar aos jogos da série Shiren the Wanderer -, sobretudo uma sátira ao universo Tokusatsu. Portanto, ZHP trata o tema de forma intrinsecamente cômica, desde as referências visuais a construção de diálogos.

O jogo começa a partir do nascimento de um “Super Baby”, o qual está destinado a ser o salvador da Terra. Uma ameaça então surge na forma do super-vilão Darkdeath Evilman com intuito de eliminá-lo e acabar de vez com a esperança da humanidade. Cabe então ao supostamente invencível herói, Unlosing Ranger detê-lo para manter a paz no mundo. No entanto, o herói acaba morrendo atropelado no caminho para o embate, mas sem antes persuadir um civil próximo a tomar a responsabilidade em seu lugar.

Você agora assume como o novo Unlosing Ranger, mas sem um treinamento prévio era grande a probabilidade de ser morto pelo Boss Final. E é o que acaba acontecendo. No verdade, você escapa da morte ao aterrissar na World Hero Society – uma estação espacial que treina heróis -, e com ajuda da instrutora Etranger e do fantasma Pirohiko, outrora o herói Unlosing Ranger, você deverá despertar seus poderes para uma revanche contra o Darkdeath Evilman. O cerne da piada começa aqui, onde uma série de fracassos ocorrerão na tentativa de impedir o vilão, que em contrapartida levantará dúvidas àqueles que o estão assistindo pela TV, questionando se realmente podem confiar o destino nas mãos do Unlosing Ranger ou se quem está por trás daquele uniforme é ou não o herói imbatível.

A narrativa por sua vez é conduzida por Etranger e Pirohiko, uma vez que você assume como o estereótipo de personagem mudo, ou main character de perspectiva se assim preferir. A dinâmica entre os dois instrutores do novo Unlosing Ranger se destaca pelo conflito de ideais de ambos sobre o que realmente faz um herói.

Pirohiko é o mais puro suco do herói de tokusatsu com discursos motivacionais bem clichês que faz qualquer fracassado se levantar do chão com alguma determinação, e dessa forma, ele ensina ao seu pupilo as virtudes de ser um grande herói; embora muitas de suas ações não parece condizer nem um com o que ele prega; é bem representado pelo ditado “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Etranger já acredita que o que faz um herói é a sua força, portanto ela irá encorajá-lo a treinar nas dungeons do Bizarre Earth para atingir a força necessária para sua batalha contra o Darkdeath Evilman. Porém, o espirito de Pirohiko acaba por intervir em seus métodos. Apesar da aparência fofa, Etranger é extremamente forte, porém de personalidade rude e cínica.

Dito isso, o enredo de ZHP se prende a um único objetivo desde o início, mas trabalha isso da forma que mantém o andamento da narrativa consistente sem deixar a peteca cair enquanto introduz novos elementos conforme avança. Ele é cativante, com um excelente timing cômico e um prato cheio para quem curte o humor ala NIS no sentido de ser bem escrito mas sem apelar demais para acidez. Eu entendo que a comédia é subjetiva, mas acredito que ZHP faz muito bem. Contudo, aqueles que querem apenas se deliciar com um leve história serão cercados pela barreira do gameplay, que dependendo do ritmo de progressão do jogador, ele pode ser um ponto negativo, já que o level design em si é feito para ter um nivelamento de dificuldade que vai aumentando dungeon a dungeon.

A jogabilidade de ZHP também está ligada à sua narrativa. Você será introduzido ao Bizarre Earth, um mundo alternativo ligado à Terra, o qual as ações que ocorrem no primeiro também influenciam no segundo, e vice versa. Pessoas no mundo humano inclusive tem sua contraparte no Bizarre Earth, e a falta de fé deles causada pelas derrotas contínuas do Unlosing Ranger deve ser arrumada através de seu alter ego no Bizarre Earth para que possam, enfim, acreditar no herói. Unlosing Ranger verá sua força emergindo conforme os humanos passem a confiar nele, e o jogador terá que chegar até o problema descendo andares de uma dungeon gerada prosseduralmente.

Como qualquer roguelike, a dificuldade esta no cuidado que o jogador precisa ter para passar pelos cenários, onde você poderá se equipar com itens encontrados pelo chão, porém se for derrotado voltará desde o ponto o partida, mas sem o dinheiro e itens que acumulou. O lado bom é que todo o aumento de nível ganho nas dungeon é convertido diretamente em seu base stats, por isso nunca será uma derrota em vão, já que ao subir de nível novamente suas estatísticas serão diferentes do que da outra vez, resultando em uma vantagem de força e resistência sobre os inimigos.

O elemento estratégico por sua vez está na maneira em que você se move pelo mapa. Em uma barra abaixo do HP você poderá gastá-la para executar golpes especiais dependendo do tipo de arma que carrega, mas ele também serve como uma barra de estamina que esgota a cada passa que dar, necessitando um cuidado maior ao ficar “zanzando” por ai. Fora que, um passo que você dá equivale a um movimento do inimigo até que você entre em seu campo de visão, por isso a ideia é que você faça movimentos estratégicos afim de evitar que seja driblado e, consequentemente, gaste mais da sua estamina do que deveria.

Curiosamente, a estrutura de game design de ZHP não é muito diferente dos jogos da NIS dos anos 2000, aqui há muita similaridade até na apresentação de da UI e features introduzidas em jogos passados da NIS. Mas isso não soa particularmente ruim, já que a reciclagem consegue ser aproveitada de forma orgânica em cada jogo, e ZHP ainda consegue ser diferente de tudo que há no mercado em termos de RPG Tático.

Ademais, algo que impede desta versão de ZHP ser a versão definitiva de um cult classic da NIS é que ele possui crashes irritantes em um curto período de tempo. Isso realmente pode estragar a experiência do jogador já que durante as dungeons, até que se chegue a uma caravana, é impossível arrumar um save rápido antes de evitar um ocasional crash. No momento em que esta análise for ao ar, infelizmente só posso recomendar ZHP deste pacote quando uma atualização pós-lançamento chegue para resolver isso; até lá, deixo essa ressalva.

No geral ZHP me surpreendeu. Particularmente me incomodo2 com o pico de dificuldade que o jogo atinge conforme vai chegando ao seu clímax, mas ele não o faz de forma que pareça artificial demais, apenas demanda bastante cautela e gerenciamento de recursos na hora de agir. Embora o pacing do jogo possa ser quebrado pelo tempo que levará para concluir uma dungeon, o enredo ainda se mantém firme até o fim. Se puder jogar ZHP seja no Nintendo Switch, na Steam ou direto de um PSP mesmo que por emulação, jogue! Sua simplicidade esconde uma das maiores pérolas da NIS, com escrita e jogabilidade que não parece ter sido replicada em outros títulos. Infelizmente não é possível comprá-lo separadamente na eShop.

Lute para recuperar o que é seu

Makai Kingdom: Reclaimed and Rebound é outro clássico da NIS que compõe o pacote Prinny Presents NIS Classics Volume 2. Ele, assim como ZHP: Unlosing Ranger VS Darkdeath Evilman, traz diversas similaridades quando colocados ao lado de jogos do passado da NIS como Phantom Brave e Soul Nomad & the World Eaters, mas como supracitado, cada um traz sua própria individualidade.

Makai Kingdom resgata o tema sobrenatural de Disgaea, o qual somos apresentados ao “Bad-Ass Freakin’ Overlord” Zetta, que em consequência da sua própria arrogância, acidentalmente destrói o Netherworld e no processo transforma seu corpo em um livro. Após está grande maré de azar, Zetta então deve reconstruir o Netherworld do zero, entretanto começando da forma mais humilde com um mundo em que seu castelo é uma humilhante casinha de cachorro.

Zetta contará com ajuda da oráculo Pram, que uma vez previu o cataclismo que aconteceria com o Overlord. Ela aconselha que Zetta peça para que outros Overlords desejem novos Netherworlds para que ele possa conquistá-los para que assim possa novamente subir a escada para o sucesso, e claro, recuperar seu corpo.

Makai Kingdom se destaca pelo seu humor e escrita além de ser bem engajante, compensando a escassez de elementos visuais para a imersão, porém ZHP ainda faz um trabalho melhor neste caso, embora isso não torne Makai Kingdom particularmente inferior. Neste caso ele apresenta uma gama maior de personagens centrais, cada um com personalidade que nada condiz com suas respectivas descrições, o que quebra a atmosfera sinistra do jogo e torna a interação bem mais interessante de se acompanhar.

Outra coisa que Makai Kingdom faz melhor que ZHP é em sua progressão, já que é muito mais fácil superar obstáculos de gameplay recorrendo ao bom e velho grinding. Mesmo que não haja facilitadores para novatos, ele ainda é menos complexo no entendimento de suas mecânicas e quando chega em seu pico de dificuldade espera-se que já esteja lidando bem com as coisas em campo de batalha. E falando na batalha, o que posso dizer sobre isso é que, Makai Kingom é nada mais que um clone de Phantom Brave, mas com leves mudanças para que o torne uma experiência diferenciada.

O jogador se verá em um campo de batalha expandível e terá que cumprir certos objetivos até que possa tomá-lo para si. Na maioria das vezes terá que derrotar o inimigo mais poderoso ou simplesmente limpar o mapa. Zetta ainda é um tomo mágico, e como tal não pode conquistar sozinho os Netherworlds criados, e para isso o jogador pode criar minions que lutarão em seu lugar.

Assim como Phantom Brave, você pode criar soldados a partir de itens jogados pelo Netherworld de Zetta, onde seus base stats verão uma alteração dependendo do que foi usado. A partir dai apenas jogue-os em campo de batalha e os mova pelo cenário para um combate baseado em turnos, gastando SP para utilizar movimentos que podem ser efetivos contra o oponente. Porém, diferentemente de Phantom Brave, seus aliados em campo não possuem um tempo limite de presença, o que não significa que os inimigos pegarão leve contigo, seja cauteloso!

Entre outras mecânicas, aqui você também tem os Facilities, que podem ser bastante úteis no combate, uma vez que eles garantem bônus de stats para seus aliados quando são jogados no cenário, bem como há veículos equipáveis que podem ser de grande vantagem. Além disso, há um sistema no jogo similar ao Dark Assembly de Disgaea que, em vez de habilitar novos recursos através de ganho de votos, Zetta concede um desejo aos seus servos em troca de mana acumulada, dando acesso a novas dungeons e outras funcionalidade convenientes.

No mais, Makai Kingdom transparece sua simplicidade e há coisas aqui que mesmo para um game de PlayStation 2 parecem bastante datadas; Assim como ZHP, não notei melhorias QoL fora as configurações no menu para tornar os visuais mais atraentes, ainda assim é uma experiência agradável que se beneficia ao estar ao lado do conto do imbatível Unlosing Ranger.

Veja bem, eu não estou subestimando Makai Kingdom, ele é legitimamente bom, possui seus valores e cativa igualmente ao seu acompanhante. Todavia, por compartilhar bastante da estrutura de Phantom Brave, isso o torna menos interessante por não ser tão inventivo mecanicamente, sobrando apenas o elemento textual e o elenco de personagens. Talvez isso não seja nada demais para quem sequer tenha jogado Phantom Brave, então poderá aproveitá-lo sem ficar notando semelhanças.

Ainda é um bom pacote para os fãs de franquias da NIS

Prinny Presents NIS Classics Vol. 2 acerta novamente nas escolhas de jogos retornantes da NIS, trazendo aprimoramentos que, mesmo básicos, ainda agregam valor à biblioteca do Nintendo Switch com títulos que nunca antes cogitaram estar em uma plataforma Nintendo. Contudo, ainda sinto que haveria margem para trabalhar mais neste pacote, uma vez que mimos comuns em tratamentos como estes como trilha sonora e artbook são restritos à sua versão física. No quesito features, a coletânea ainda deixa a desejar em recursos que seriam úteis para compensar algumas escolhas de game design que hoje em dia soaria datado.

Tanto ZHP quanto Makai Kingdom são experiências únicas em termos de level design, estética e narrativa, o que compensa toda a simplicidade do template da jogos antigos da NIS. Eu não tenho um preferido em particular, mas destaco ZHP pelo seu humor bobalhão e bem escrito, enquanto Makai Kingom se sobressai no ritmo de progressão e jogabilidade mais agradável. Porém, para que eu possa recomendar uma compra imediata, primeiro a NISA precisa corrigir os problemas com o crash em ZHP.

Prós:

  • Ambos os títulos apresentam uma bom enredo com diálogos bem-humorados, embora ZHP se destaque mais aqui;
  • Makai Kingdom trazendo o Petta Mode da versão PSP (exclusivo do Japão), estrelado pela filha de Zetta; 
  • ZHP apresenta uma combinação única de RPG Tático com roguelike;
  •  Pequena revisão nos recursos que melhoram a experiência do jogador em comparação com o Volume 1.

Contras:

  • ZHP apresenta severos problemas de crash;
  • O avança da dificuldade pode desacelerar sua progressão na história;
  • Falta de extras como trilha sonora e artbook digital em contraste com a edição física. 

Nota:

7