Desenvolvedora: Dragami Games
Publicadora: Dragami Games
Gênero: Ação | Hack ‘n’ Slash
Data de lançamento: 28 de Maio de 2026
Preço: R$ 293,91
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Dragami Games.
Revisão: Manuela Feitosa
LOLLIPOP CHAINSAW RePOP é um relançamento do hack ‘n’ slash original de 2012 para PS3 e Xbox 360, um título que chamou atenção do público pelos diversos nomes de peso da indústria envolvidos, além do uso de músicas licenciadas para uma maior imersão do jogador.
O título se vende como o famoso “videogame pelo videogame”, apostando em uma história despretensiosa e jogabilidade violenta com humor sarcástico bem presente. Ele era um dos resgates mais improváveis dos últimos anos, sendo um sucesso de nicho e considerando as diversas complicações de direitos que qualquer publicadora teria para trazer o título de volta. Felizmente, ele está aqui, mas não diria que em sua melhor forma.
RePOP é mais uma releitura visual do que qualquer outra coisa, mantendo os principais aspectos intactos e mexendo pouco na jogabilidade. Para esse escopo, não diria ser uma decisão ruim, os fãs simplesmente não têm acesso ao original. Esta versão foi disponibilizada em 2024 para as principais plataformas do mercado, recebendo só agora uma atualização para Switch 2 através da “Nintendo Switch 2 Edition”, onde eles buscam aproveitar melhor as capacidades do console.
Bastidores de Lollipop Chainsaw
Essa versão nova foi confirmada em 2023 do absoluto nada pela Dragami Games, empresa sucessora da Kadokawa Games, uma das envolvidas no lançamento original.

Naquele período, foi prometido um visual mais realista por conta das capacidades dos consoles atuais, além do fato das 15 músicas licenciadas terem que ser removidas e substituídas por conta de valores de licenciamento. Os direitos do título foram comprados pela nova empresa, que comentaram que eles tinham uma paixão grande pelo projeto e desejavam deixar ele acessível para a comunidade.
O projeto foi originalmente anunciado como um remake, mas acabou no fim do dia sendo uma remasterização, como mencionado antes. Claro, com alguns elementos gráficos refeitos e que talvez alguns reconsiderem como o famoso “remake visual”. Outro ponto curioso é a ausência total de Suda51 (No More Heroes) e James Gunn (Guardiões da Galáxia), dois dos principais nomes da versão original. Na época, James até comentou que eles não foram consultados sobre o projeto, então é possível que tenham ficado sabendo sobre bem próximo da revelação da notícia ao público.
Jogando essa versão, ainda é possível sentir a influência dos dois, em uma mistura peculiar entre a cultura japonesa e americana. Um fator positivo é que a maioria dos dubladores retornaram para essa versão, incluindo escalações do próprio James no período, usando suas conexões para fazer isso acontecer. Assim como o lançamento original, você só acessa as vozes em japonês trocando totalmente a linguagem do jogo, porém a versão em inglês é bem competente e possivelmente foi o conceito original do título dado esse escopo internacional.

História é favor da diversão
Lollipop acompanha a protagonista Juliet Starling, uma caçadora de zumbis e líder de torcida que vê sua escola tomada pela ameaça desses mortos-vivos. Seu namorado é infectado, forçando ela a cortar sua cabeça e realizar uma magia, fazendo com que o jovem fique vivo sem seu corpo e pendurado na saia da personagem. É um típico enredo que não se leva a sério na maior parte do tempo, e quando faz isso, perde bastante força. A relação entre os dois, por exemplo, é divertida com diversos momentos bizarros, porém ao tentar adicionar um drama na reta final, é notório que a força do título não está ali.
A obra possui uma lore curiosa, brincando com aspectos clássicos da mídia dos games como o fato de você enfrentar chefes poderosos em sua jornada. Também existe uma mistura entre elementos de uma narrativa zumbi com aspectos sobrenaturais mais ligados à bruxaria – o próprio encantamento usado no namorado não é algo tão presente em histórias do tipo.
Tal escolha também introduz fatores de dimensões diferentes, então é muita coisa jogada em um liquidificador a favor da experiência, a qual tem uma duração de cerca de 5-6h. É tudo no ponto certo, a ambientação muda bastante e eles não têm medo de surpreender o jogador. Uma fase em especial, talvez minha favorita, é uma baita homenagem a games retro, então espere o inesperado.

Combate mostra sua idade
O sistema de combate do jogo é uma viagem no tempo, traz aquele hack ‘n’ slash raiz da geração na qual o título foi lançado, algo sem aqueles diversos elementos de RPG que inseriram no estilo em diversas produções. É uma brisa de ar fresco porque nem tudo precisa ser ultra complexo.
Nesse sentido, temos um botão para a motosserra e outro voltado ao pompom de líder de torcida, os dois equivalem a um botão de corte e ataque físico de títulos tradicionais. O primeiro deles desmembra oponentes, sendo bem útil para situações em que o jogador enfrenta vários ao menos tempo, com combinações variadas de sequência com o outro botão.
O jogo também depende bastante de pulos, sendo possível os usar como desvios ou até uma forma de pular por cima do oponente para atacar pelas costas. Esse título tem vários “quick time events”, um fator nostálgico bem legal, alguns até brincam com Super Mario com a protagonista pulando na cabeça dos oponentes e dando dano. Tem muita referência aqui, das mais improváveis como um “omae wa mo shindeiru” de Hokuto no Ken, um dos principais mangás da história.
Voltando ao combate, o aspecto líder de torcida da protagonista é bem utilizado com alguns seguimentos dela praticando pole dance ou até coordenando seu namorado enquanto sua cabeça é usada para possuir alguns zumbis. Não é apenas um fanservice, mas uma integração natural em diversos elementos. Também é possível usar um modo de frenesi que aumenta o dano, além de ações específicas da cabeça falante mais para frente no título.

Lollipop também possui opções de upgrade, indo desde a compra de novas sequências até melhorias permanentes de vida e poder. Também é possível adquirir novos trajes e itens consumíveis, nada tão diferente no gênero, mas a escolha combina com a proposta de um hack ‘n’ slash.
Como mencionado antes, as melhorias de gameplay não são tão gritantes, está mais refinado, mas é notório não ser um projeto da geração atual. Os comandos são um pouco truncados, além da dependência constante do “hit stun” para dar impacto, fator polêmico até mesmo para a época. Títulos como Castlevania: Lords of Shadow foram criticados por conta disso, com fãs alegando que isso tira cadência do combate. É um efeito de pequena pausa ao acertar ataques, poderiam ter deixado o intervalo um pouco menor, até por ser um hack ‘n’ slash com potencial de se beneficiar de uma velocidade maior.
Por outro lado, essa escolha de atraso vem da própria filosofia do título, então pode ser totalmente artístico. É bem comum que você entre em animações finalizadoras como quando combos são feitos ou um inimigo poderoso é derrubado, então é capaz de terem apenas só optado por manter isso dado o novo escopo de remaster do projeto.

De qualquer forma, é aquela estrutura padrão de títulos do estilo, são fases lineares onde você enfrenta normalmente um chefe no final. E eles são muito competentes, constantemente adicionando novas mecânicas e forma peculiares para serem derrubados. O jogo não é difícil, mas é necessário se equipar com itens de vida ou prestar atenção nos padrões dos oponentes, pois existe um mérito de game design evidente – eles estavam inspirados nesses encontros de maior escala.
O título ainda conta com alguns segmentos de plataforma, onde a protagonista usa sua motosserra para se ejetar para frente com direito a pulos em rampas. O recurso poderia ser melhor explorado, mas é mais uma forma de variar o gameplay, algo também feito em outras partes com mecânicas específicas de níveis, como você matar zumbis usando uma máquina de capinar grama.

Modo RePOP
Uma das novidades é a opção de jogar um modo onde a violência tradicional é substituída por efeitos coloridos, bem na vibe de pop-art mesmo como o próprio nome revela. O título assume uma estilização mais clara, se aproximando bastante da estética vista em quadrinhos americanos. O modo original está lá, mantendo toda a violência do lançamento de 2012, com algumas músicas dessa versão, mas ambos removeram boa parte das faixas como mencionado antes.
Esse modo também censura alguns aspectos nos cenários e até mesmo designs, é uma opção para quem talvez não curta o fanservice do original, porém soa até um pouco estranho considerando a essência deste projeto. É uma opção, então não contaria como um ponto negativo de forma alguma.
Também vale destacar a inclusão nesta versão de mais trajes para a protagonista, novas motosserras, modo contra o tempo e a expansão do quarto da Juliet com mais extras.

Hora de ligar a iluminação
Mantendo as mesmas cenas do original, o título usa os mesmos ângulos de câmera e escolhas estéticas desta versão deixando tudo mais limpo para modernizar a experiência. As texturas têm qualidade superior, além da iluminação estar bem melhor trabalhada. É claro que pelo fato dos esqueletos dos personagens serem os mesmos, apenas com mudanças por cima desta base, existe um vale da estranheza. Ainda fica evidente ser um jogo antigo, sem milagres nesse aspecto.
De todo modo, a essência estética está ali, nada é perdido. Em um mundo onde certos remasters descaracterizam elementos imaginando corrigir alguma coisa, a escolha foi acertada. A versão de Switch 2 também é um bom salto em comparação ao console anterior, o qual era considerado o pior porte entre as plataformas.
Jogadores finalmente podem encarar a experiência em 60fps estáveis na maior parte do tempo, além de resoluções superiores, as quais não tem valores oficiais divulgados. Talvez seja 1080p tanto no portátil como TV com algum upscaling acontecendo. Não figura entre os melhores portes do console, mas considerando que no Switch 1 rodava à 30fps com bastante “efeito miopia”, os jogadores foram agraciados.

Infelizmente, o jogo traz novos bugs em comparação ao original: nada que quebre a experiência, mas essas situações variam. Em um dado momento, por exemplo, o som da batalha ficou completamente mudo pra mim até que uma nova faixa entrasse, além do título ter alguns problemas com texturas carregando ou aparecendo do nada. Deve ser o resultado de mesclar um motor de outra era com aspectos visuais novos. A performance também não é perfeita, existe uma área bem específica onde os frames caíram valendo pelo uso de reflexões dinâmicas em um espelho, o que realmente creio ser uma situação de programação.

No Switch 2, os loadings também são mais rápidos, além de contar com um modo exclusivo onde a protagonista usa a Chainsaw Blaster para enfrentar ondas de inimigos com o recurso do mouse do Joy-Con 2. Não é nada de outro mundo, mas esse porte demorou porque teve um cuidado especial, ainda com opção de upgrade pago para quem já possui a versão anterior.
RePOP não é perfeito, mas é a versão possível
É bom deixar claro que RePOP é uma versão diferente do original e não a definitiva. A ausência das músicas licenciadas pesa bastante no porte, por ser uma parte bem importante dos embates, apesar das faixas originais não serem ruins. Todas são boas, mas bem dentro do esperado para títulos do gênero. Quando esse jogo saiu anos atrás, imagina abrir e ver colaborações com Dragonforce, Skrillex e Joan Jett? Apesar disso, o lendário Akira Yamaoka de Silent Hill ainda teve suas músicas preservadas, em uma faceta do compositor não tão conhecida pelos fãs.

Lollipop Chainsaw RePOP é uma boa forma de experienciar a jornada de Juliet, uma excelente opção para fãs nostálgicos do game design da era Xbox 360/PS3. É uma vertente diferente em tempos de megalomania na maioria das produções, e apesar de não ser perfeito, acredito ser o viável neste momento. Talvez trazer todas as músicas fosse tornar esse porte impossível, então vamos nos contentar com a realidade.
Prós:
- Apresentação visual mistura o clássico com elementos modernos de iluminação;
- Game design descomplicado e focado na diversão;
- História engraçada quando quer ser despretensiosa;
- Inclusão de legendas em PT-BR.
Contras:
- Combate poderia ser bem melhor;
- Alguns problemas técnicos durante a experiência e o vale da estranheza visual;
- Falta das músicas lecenciadas.
Nota
7
