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Desenvolvedora: Game Freak
Publicadora: Nintendo
Gênero: RPG baseado em turnos
Data de lançamento: 27 de fevereiro, 2026
Preço: R$ 120,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Nintendo.
Revisão: Manuela Feitosa
Pokémon FireRed Version e Pokémon LeafGreen Version são remakes da primeira geração de Pokémon lançados originalmente durante a terceira geração de monstrinhos e na sexta geração de consoles Nintendo, ainda no ano de 2004. O Nintendo Switch ganhou em seu acervo de jogos Pokémon o que é um dos títulos mais conhecidos e populares da franquia até hoje por ser o que muitos consideram a “versão definitiva” da geração mais popular da história: Kanto.
Provavelmente em relação ao ícone cultural que essa entrada formou, tudo que poderia ser dito sobre dele já foi falado. Mas ainda assim, nem todos escutaram. Portanto, vamos começar por uma análise do que esses jogos têm a oferecer por si próprio para então prosseguirmos para uma análise mais focada na relevância e tratamento que eles receberam. Lembrando que, o jogo analisado é a versão FireRed.
Pikachu: namoradinha do Brasil
Se Pokémon FireRed e LeafGreen são até hoje um dos jogos mais jogados da franquia, joias dos saudosistas e inspirações para o futuro da franquia mais lucrativa do mundo, podemos usar estes títulos como a lente perfeita para entender o que torna Pokémon em sua premissa e concepção algo especial.
Pokémon segue, até hoje, com uma variação ou outra, a mesma estrutura: temos a rota dos oito ginásios; a Elite Four acompanhada do Campeão regional; uma equipe antagonista que encontramos durante a viagem; um rival que vai acompanhar a progressão durante a campanha; uma Pokédex para registrar os encontros com os monstrinhos. Todos esses são elementos que eu consideraria basicamente essências para um jogo principal de Pokémon, e vamos falar como FireRed e LeafGreen abordam tudo isso. Mas ainda antes temos um primeiro momento que marca o início da lenda de qualquer treinador: A escolha do inicial.

O mito dessa história começa com Red no centro, ou Leaf que também temos acesso nessa versão. Mas o mito em si desse protagonista silencioso, que começa numa cidade idílica e conclui o ciclo da jornada do herói, começa do encontro quase imaculado de uma criança de 10 anos com seu bichinho de estimação, sendo esses símbolos de bondade e inocência do mundo no seu próprio cerne e é entregue para ele por uma figura mentora de de autoridade no assunto Pokémon.
A partir dessa premissa temos o trio de iniciais mais conhecidos do mundo: Charmander, Squirtle e Bulbasaur. Essa dinâmica extremamente cativante da escolha faz com que eles possuam até hoje esse status lendário, então é muito bom poder expresar nosso amor por esses Pokémon e ter a oportunidade de mais uma vez nos tornarmos parceiros de jornada com esses primeiros companheiros que muitos tiveram na primeira vez que tiveram contato com os jogos do GBA.

Eu pessoalmente comecei minha jornada em Hoenn e Sinnoh por exemplo, então não me sinto exatamente assim sobre esses Pokémon clássicos. No entanto, cresci vendo o anime como qualquer boa criança da época e por isso posso compartilhar pelo menos em parte do sentimento desse status mitológico que essa geração criou; eles até hoje são símbolos de personalidade, líderes de tribo, e transcenderam gerações marcando o início de uma lenda.
Mas apesar de todo o simbolismo por trás, nem todos são criados igualmente, o que é uma qualidade da região. Aqui o inicial não é só um indicador de personalidade que dita se você é edgy, cool ou gay (embora também seja), mas sim um nivelador de dificuldade. Nesse jogo temos o Bulbasaur como uma opção que facilita o início da jornada, sendo superefetivo contra os Pokémon de Brock e Misty; Squirtle que fica no meio termo sendo superefetivo contra somente o ginásio do Brock enquanto o Charmander que fica a ver navios, dando uma dinâmica interessante e densa nessa escolha, pois embora uma vantagem inicial não pareça tão impactante à primeira vista, acaba sendo bastante, já que esse é o momento em que os jogadores têm menos espécies de Pokémon a disposição.

Pessoalmente acabei escolhendo o Squirtle em busca de uma experiência mais neutra. Nem muito difícil, nem muito fácil. Ele foi uma ótima escolha já que se tornou um parceiro fofo e apaixonado durante toda a aventura, me transmitiu confiança, e poder bruto para me tirar de diversos apuros, sendo um modelo do que um inicial deve ser até hoje. E esse é o cerne da questão: muitas das coisas que Kanto faz são exemplos de como fazer um jogo de Pokémon certo, embora algumas outras… não tanto como abordaremos eventualmente.
Kanto: Revelando suas cores
A região de Kanto possui uma brincadeira interna: O jogador começa na em Pallet e todas as outras cidades são nomes de cores. E é essa a sensação de viajar por qualquer jogo de Pokémon, como se através das lendas, dos lugares que visitamos e das pessoas que conhecemos, mais e mais “cores” fossem adicionadas àquele lugar, e a vida vai se criando nesse mundo Pokémon tão encantador.
Em Kanto, especificamente, as cidades não são as mais interessantes, pois em muitas delas o jogador não tem incentivo para voltar para além da primeira visita, mas isso não é verdade para todas. A cidade de Celadon, por exemplo, possui o Game Corner, onde o jogador pode conseguir TM’s e até mesmo Pokémon com os pontos conquistados nos minigames de cassino. O jogador também pode mudar o nome dos seus Pokémon em Lavender com o Name Rater, por exemplo, que opina sobre um nome e permite que o jogador troque.

Tendo tudo isso em mente, as cidades são pensadas para serem visitadas pelo menos uma vez e em sua maioria têm um evento principal: um confronto direto com aEquipe Rocket, uma luta de ginásio ou os dois por algumas vezes. Isso dito, entendo essa parte como menos interessante da região de Kanto. As cidades não tem tanta personalidade assim e as músicas também não são tão interessantes quanto a média da franquia. Isso, claro, devido a fidelidade aos jogos originais, que foram lançados no Game Boy, um hardware bastante limitado.
Acho que em destaque negativo eu coloco as “dungeons” da Equipe Rocket, que acabei achando mais repetitivas e confusas do que eu me lembrava. Elas são mais desgastantes do que interessantes. As batalhas são fáceis mas aos montes, e o layout labiríntico é cansativo por não ser intercalado com nada de interessante, fazendo tudo parecer simplesmente trabalho.
Isso dito, ainda acho que Kanto tem seus pontos fortes. Embora nenhum Gym Leader seja especialmente difícil como a infame Miltank da Whitney, aqui temos no geral batalhas e match-ups interessantes. Alguns inimigos como o LT Surge, líder do terceiros ginásio, em Vermilion, usam estratégias infames como o spam de Minimize, que deixa o Pokémon quase impossível de se acertar, e nesse caso o jogador precisa ser criativo, por exemplo: uma aplicação de veneno no começo dessa etapa já resolve o problema, mas jogadores desavisados podem ser aniquilados facilmente.

Além disso os jogos possuem uma boa quantidade de opções que transcendem as dificuldades artificiais do original, por exemplo, no caso do Charmander que sofreria muito contra o ginásio do Brock, em Pewter, aqui temos ele aprendendo o movimento Metal Claw caso o jogador resolva “grindar” um pouco mais, assim como a opção de pegar um Mankey no caminho da Victory Road, em Viridian, para que o jogador não fique preso nesta etapa. A própria disposição das cidades em Kanto é bem vantajosa para o jogador, formando uma curva bem linear ao redor da região, embora o jogador ainda possa escolher a ordem de alguns ginásios – mecânica que após os as duas sequências originais foi esquecida até o título mais recente, Pokémon Scarlet & Pokémon Violet.
Por fim, acho que a exploração em si de Kanto é interessante o suficiente.O uso dos HM’s é elegante e contido, a progressão é interessante e empolgante e o jogo flui de maneira muito natural. Ainda assim, considero jogos bastante vazios, já que cada continuação da franquia foi adicionando em cima dessa base e melhorando pequenas coisas. Porém, acho que no balanço geral eles entretém sim fãs novos e antigos nesse aspecto. Acabo também valorizando o esforço dos criadores em diferenciar as “dungeons” do jogo – a estrutura do S.S Anne é lembrada pelos fãs até hoje. Além disso, o cemitério, em Lavander, e até algumas cavernas funcionam como trechos interessantes.
Figuras lendárias, e outras nem tanto
Além do Brock e Misty que aparecem logo no comecinho da jornada com o jogador tendo a chance de enfrentá-los, sendo esses grandes ícones da série original, aqui ainda contamos com Blue, um dos rivais favoritos de muitos até hoje, e Giovanni, o líder mafioso da Equipe Rocket que se tornou um ícone por si só ao ocupar essa posição. As lutas com cada um deles são em momentos chaves e ápices desse jogo, dando bastante sabor para a aventura e sendo alguns dos momentos mais lembrados pelos fãs.

A Elite Four, no entanto, é icônica por estar nesses jogos, mas não considero que seja especificamente parte do que faz essa entrada mais interessante. Claro que alguns combates são desafiadores e enfrentá-los por si só é o ápice do desafio desses jogos. E isso é bom o suficiente. Mas esses personagens em questão não são dos mais memoráveis. Para treinadoras mulheres que estão no topo eu até posso passar um pano, mas Bruno tem um design de NPC de qualquer blackbelt por aí, enquanto Lance parece ter um dos visuais menos inspirados da franquia. Mas apesar de tudo isso ainda é bem divertido ver todas essas figuras que permeiam o imaginário da franquia mais uma vez.
E o ápice dessa sensação de nostalgia e reverência pelo original é o rival, Blue, como dito anteriormente. Ele é o que eu considero um rival afrontoso feito do jeito certo. Ele brinca e briga com você, mas também te dá algumas coisas. Ele é arrogante, mas também tem alguma consideração. As interações e batalhas com ele são divertidas, e o final é espetacular. É um grande sabor confrontar ele como Campeão, mas também existe uma relação de considerar ele um rival digno e é possível nutrir um certo afeto por ele.
O que há de novo e o que foi feito por nós

Absolutamente nada? Isso não é bem verdade, FireRed e LeafGreen no Switch adicionaram os dois tickets que iniciam os eventos exclusivos limitados da época, além de ter incluído a possibilidade de trazer Pokémon diretamente ao Pokémon HOME. Também é dito que essa versão retirou alguns bugs clássicos do lançamento original, o que demonstra que alguém na Game Freak realmente mexeu na ROM dos jogos. No entanto, é basicamente impossível falar disso aqui sem falar das polêmicas, como por exemplo, da precificação, restando apenas torcer que caso o preço médio dos jogos diminuam com o tempo ou ganhe boas promoções sazonais.
Isso tudo dito, acho bom Pokémon FireRed e Pokémon LeafGreen estarem disponíveis em uma plataforma moderna. É uma ótima maneira de matar a saudade da fórmula clássica diretamente do conforto e também serve como material referencial para jogadores mais novos que conheceram a franquia no Nintendo Switch e querem saber como os jogos originais funcionavam.
Minha maior frustração, no entanto, é não estar no Nintendo Classics (parte do serviço online da Nintendo), pois as boas ferramentas de emulação como save state e rewind que permitiriam explorar diferentes possibilidades nesses jogos não estão presentes nesse relançamento que é basicamente uma emulação fiel de GBA. Mesmo com os jogos sendo pagos à parte, ainda gostaria que ele fosse integrado no serviço para que pudéssemos aproveitar da já boa estrutura de emulação que a Nintendo criou por padrão para o Switch. De qualquer forma, a experiência de Kanto por si só se sustenta e é boa, e ainda considero essa a versão definitiva, só acredito ser também uma oportunidade desperdiçada de elevar ainda mais essa experiência.
Prós:
- Uma sólida experiência Pokémon, clássica e icônica;
- O design de Kanto num geral é interessante em muitos níveis e mostra a força da fórmula da franquia;
- Eventos originais disponíveis de forma inata nesta versão;
- Lindos e charmosos gráficos de GBA.
Contras:
- Direção de arte limitada pela fidelidade ao jogo original;
- Más escolhas relativas à emulação do jogo.
Nota
8
