Desenvolvedora: Koei Tecmo
Publicadora: Koei Tecmo
Gênero: Horror Adventure
Data de lançamento: 12 de março, 2026
Preço: R$ 286,00
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Koei Tecmo.
Revisão: Manuela Feitosa
Após relançar alguns dos títulos mais modernos da franquia “Fatal Frame”, a Koei Tecmo decidiu seguir a onda de seus rivais e preparar um remake do aclamado segundo título da série. FATAL FRAME II: Crimson Butterfly REMAKE não é a primeira reimaginação de Crimson Butterfly, no entanto, traz uma mistura de elementos de ambas as versões do clássico, com novidades próprias.
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A narrativa de FATAL FRAME II: Crimson Butterfly segue as gêmeas Mio e Mayu Amakura que, ao visitar um antigo local onde costumavam brincar quando crianças, acabam sendo atraídas para o misterioso vilarejo Minakami. Descobrindo que o local está cheio de fantasmas, Mayu começa a agir estranhamente enquanto Mio tenta encontrar um caminho para escapar em segurança com sua irmã.
Eventualmente, Mio descobre que o vilarejo possui um ritual conhecido como Crimson Sacrifice, onde um irmão gêmeo deve matar o outro. O último ritual acabou falhando quando um dos gêmeos fugiu do local e o resultado foi Minakami sendo engolido pelas trevas. Os espíritos dos moradores continuam a assombrar o local, atraindo pessoas e matando-as. Sae, a gêmea sacrificada no último ritual, contudo, busca utilizar Mio e Mayu para terminar o ritual, com Mio fazendo de tudo para escapar antes que isso aconteça.
O tema principal da trama de Fatal Frame II são gêmeos. Todo o conceito de sua história gira em torno da relação íntima que apenas irmãos gêmeos possuem, explorando tópicos como separação, identidade pessoal, desejos e obrigação contra razão. Como é costume, a narrativa é explorada utilizando notas e documentos encontrados pelo vilarejo, explorando a forma como as coisas funcionam em Minakami, onde a individualidade dos gêmeos era apagada em busca de servir para o bem maior: A proteção ao vilarejo contra os espíritos malignos do Hell Gate que existe no local.

A relação entre Mio e Mayu também é explorada, mesmo não sendo o foco da narrativa. Mio é a irmã mais nova e quem está em busca de uma saída do local, querendo salvar e proteger a si mesma e sua irmã. Já Mayu é dependente de Mio, desejando ficar ao lado de sua irmã, uma obsessão que chega a beirar uma atração incetuosa em certos momentos.
O título tem múltiplos finais que podem ser explorados e descobertos jogando-o múltiplas vezes. Ainda assim, esta é uma narrativa que lida com temas pesados como perda, depressão, suicídio e culpa do sobrevivente, então não espere aqui um final alegre ou esperançoso. Mesmo aquele que é considerado o melhor final ainda se encerra de forma fúnebre para as protagonistas.
Cortei o cabelo pessoal, gostaram?

Assim como nos outros jogos da série, FATAL FRAME II: Crimson Butterfly REMAKE coloca os jogadores para enfrentar os fantasmas armados com a Camera Obscura, uma câmera especial que pode exorcisar os espíritos malignos. O remake segue o estilo dos últimos títulos da série, com câmera atrás da protagonista e controles livres para se mover em qualquer direção.
Outro elemento que retorna dos jogos mais recentes é a animação para pegar itens, onde a protagonista se aproxima lentamente, com uma possível chance de um fantasma aparecer e agarrá-la. O mais estranho é terem mantido essa mecânica aqui, já que são raros os momentos em que fantasmas surgem para surpreender Mio.
O combate sofreu algumas mudanças em busca de deixá-lo mais desafiador em comparação com os outros jogos. Fantasmas agora são mais agressivos, buscando atacar Mio com muito mais frequência. A protagonista pode se esquivar dos ataques, mas agora existe uma barrinha adicional batizada de Willpower, que afeta a manobra além de outras coisas do combate.

O Willpower serve para realizar esquivas e tiros especiais com a câmera. Ele também serve como uma “proteção” adicional para a protagonista, com ataques dos fantasmas esvaziando a barra. Quando ela chega a 0, o próximo ataque pode derrubar Mio no chão, que abre espaço para um fantasma estrangulá-la causando um alto nível de dano até conseguirmos tirar uma foto dele e afastá-lo. Além disso, se movimentar próximo de um fantasma também passa a esvaziar a barra, com o jogo considerando que Mio está fugindo da criatura.
Fantasmas também podem desaparecer e reaparecer rapidamente na frente da protagonista em um ataque conhecido como “leer” que esvazia a barra de Willpower completamente. A única forma de escapar desse ataque é se esquivando no momento certo, mas mesmo em alguns casos o dano ainda acontece e a barra se esvazia em uma certa quantidade.
Em termos ofensivos, a Camera Obscura é sua única ferramenta para se proteger das ameaças. A “arma” começa bem fraca e Mio pode melhorá-la com joias especiais encontradas enquanto explora Minakami. A protagonista também pode equipar Charms que concedem habilidades adicionais que podem ajudar a protagonista no combate.

Mesmo com melhorias, a Camera Obscura ainda é bem fraca. Seus ataques tiram pouca vida dos fantasmas com os filmes especiais sendo uma boa forma de causar dano, mas que não são tão fortes quanto eram nos outros títulos. O Fatal Frame, a foto tirada no momento em que um ataque se conecta, também foi nerfado. Ele causa pouco dano e perdeu muito do seu poder de stun que permitia múltiplas fotos seguidas. Ainda é possível realizar esses combos, mas agora são determinados com base em um novo sistema introduzido aqui, o super modo dos Fantasmas.
Além do baixo dano da Camera Obscura, existe outra mecânica que incomoda bastante no combate, a principal novidade do mesmo. Fantasmas podem entrar em um super modo chamado de “Aggravate”, onde eles recuperam uma parte de sua vida, seus ataques ficam mais fortes e eles tomam menos dano. Todos os fantasmas do jogo, incluindo os normais que são encontrados naturalmente, podem entrar nesse super modo a qualquer momento.
O jogo em si menciona que conforme eles ficam próximos da morte, maiores são as chances deles entrarem nesse super modo, representado por uma aura vermelha. Isso não é verdade, pois vários foram os casos onde eu tirei uma ou duas fotos e o fantasma entrava nesse modo. Em alguns casos é capaz de reentrar nesse modo múltiplas vezes durante o mesmo embate, arrastando ainda mais o duelo e forçando você a gastar recursos preciosos.
Isso não seria um grande problema se o dano da câmera fosse um pouco maior e se os recursos não fossem tão limitados. Existe um limite para os itens que podemos carregar e filmes especiais não são encontrados em abundância. Os save points permitem a compra de itens de cura e charms, além de stickers para o modo foto, mas seria muito melhor se fosse possível adquirir alguns filmes especiais também para ajudar a fazer o combate ser menos entediante.
Esse Frame é Fatal

O ponto que FATAL FRAME II: Crimson Butterfly REMAKE mais se destaca em minha opinião é sua atmosfera. A combinação de efeitos de iluminação e sonoros eleva a exploração do Minakami Village a um outro nível, tornando o local icônico mesmo que ele não seja muito grande.
O ambiente em si é muito bom, temos casas abandonadas que realmente passam a sensação de ter sido moradia de famílias e o jogo evita utilizar de jumpscares baratos para manter a tensão. O fato de que Mio é uma garota comum e se controla de maneira bem lenta em relação a outros personagens do gênero também auxilia bastante em manter esse clima assustador. Até as animações da personagem refletem isso.

O jogo em si é bonito, com os modelos das personagens sendo muito bons. Dito isso, eu pude notar alguns problemas visuais como flickering de luz ao passar por certos lugares rápidos e pop-in de itens dos cenários. Esse último ocorre até mesmo com itens próximos.
No modo portátil o jogo roda bem e podemos até usar o Gyro para mirar a câmera. Um ponto negativo, contudo, é que eu notei que nas configurações padrão o jogo é muito escuro no modo portátil. Na TV a iluminação é normal, então vale manter isso em mente caso queira aproveitar enquanto estiver relaxando em sua cama ou outro local.
Em opções de áudios, temos dublagem em inglês e japonês com legendas em vários idiomas. Infelizmente, o português do Brasil não é uma opção.
Um remake de altos e baixos

FATAL FRAME II: Crimson Butterfly REMAKE é um remake que traz uma sólida base e talvez uma das melhores experiências de horror graças a sua fantástica atmosfera. Infelizmente, suas novas mecânicas de combate tornam o que poderia ser uma experiência desafiadora e divertida em algo entediante que não foi bem balanceado. Além disso, seu desempenho no Nintendo Switch 2 é louvável, mas alguns problemas técnicos não deveriam existir, especialmente pop-in em objetos que estejam próximos.
Prós:
- Narrativa interessante;
- Ótima atmosfera que consegue ser assustadora;
- Múltiplos finais incentivam rejogá-lo.
Contras:
- Novidades do combate o tornam entediante;
- Jogo é muito mal iluminado no modo portátil do Switch 2;
- Problemas técnicos como flickering de luz e pop-in.
Nota
7,5


