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Desenvolvedora: Banana Bytes, Red Art Studios
Publicadora: Red Art Games, SUCCESS Corporation
Gênero: Shoot ‘em up
Data de lançamento: 21 de maio, 2026
Preço: R$ 97,95
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Red Art Games.
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Imagine você se tornar desenvolvedor de games e ter a oportunidade de criar uma sequência para um dos shmups mais conceituados dos anos 2000? Esse é o estúdio Banana Bytes, que, pelo nome, eu nem preciso falar de onde são.
Em um acordo com a desenvolvedora original da obra (SUCCESS Corporation) a equipe, em parceria com a Red Art Games, trouxe Psyvariar 3, sequência direta de de Psyvariar 2. Na trama, um nova geração de heróis deve combater uma invasão alienígena que ameaça a agora próspera colônia da Terra.
Com uma estética retrofuturista, o jogador deverá percorrer sete estágios, nos quais suas habilidades serão testadas a todo momento em um sistema de combate único que se destaca — e muito — dos seus iguais no mercado. Você está pronto para salvar o nosso planeta?
Uma estranheza satisfatória
Ao longo dos anos, analisei muitos shoot em ups aqui no NintendoBoy e essa experiência me capacitou a analisar jogos do gênero de uma forma um pouco mais aprofundada, especialmente me atentar às especificidades que tornam este ou aquele título diferente de uma enxurrada de shmups que são lançados todos os anos. Ao mesmo tempo que profissionalmente essa técnica tem um lado bem positivo de fazer com que eu possa recomendar os melhores jogos para você investir suas moedas, ela também prega peças — você vai entender esse lado negativo ao longo da nossa conversa.

Psyvariar 3 é um jogo bem único e aqui não estou falando da forma como ele foi concebido, mas sim das suas mecânicas. Por um momento, se permita esquecer das mecânicas padrão de evolução de tiros e progressão de fases padrões dos jogos de “navinha”; chegou a hora de você, assim como eu, experimentar novos sabores, como a primeira vez que vai a um restaurante ou o sentimento de descobrir algo novo que estava ali na sua cara desde sempre e que, agora com o estímulo certo, você teve uma epifania.

Você, sim, fica mais forte ao longo das fases, mas não da maneira convencional de coletar upgrades ou trocar poderes: em Psyvariar 3, é tudo uma questão de habilidade. Sim, a sua capacidade de desviar por um triz de projéteis inimigos e de não perder suas vidas serão vitais para subir o seu nível e adquirir bônus de aumento de dano e proteções ao longo dos estágios.
Ser audacioso (e até um pouco inconsequente) é o modo ideal de se jogar, buscando sempre refinar ao máximo os seus reflexos. O importante é ser contundente e assertivo, como o Goku de Dragon Ball Super com o “Instinto Superior ativado”.

Outro detalhe interessantíssimo é a opção da escolha prévia da dificuldade. Aqui, ela simplesmente não existe: ao final de cada estágio, o jogador pode escolher a dificuldade do próximo que vai jogar, baseado no nível de piloto que conseguiu alcançar ao fim da fase atual. Pode parecer um pouco confuso, mas é bem simples. Vou usar como exemplo o estágio inicial: se você chegar ao nível 20 de perícia, poderá mudar o nível de dificuldade para o “normal”.
Só fique esperto, que o contrário também pode acontecer: caso, nas próximas fases, você não suba de nível para manter a dificuldade no padrão normal ou mesmo aumentá-la, pode ser que tenha que regressar para a fácil. Lembre-se de que os diferentes níveis de dificuldade mudam os desafios que você vai enfrentar então vale, sim, se esforçar, pois existe recompensa para sua habilidade.

Se você acha que as diferenças entre Psyvariar 3 e outros jogos do gênero param por aí, se enganou redondamente. Embora o jogo também apresente o conceito de bombas lentas e rápidas e o botão a ser pressionado seja o mesmo, o que vai diferir uma da outra é o tempo em que o mantém pressionado.
Nem todo piloto possui uma nave com essa funcionalidade, então escolha muito bem o seu herói na tela de seleção de personagem, que conta até com uma bruxinha bem famosa de cabelo rosa de outro famoso shmup. Caso você já tenha concluído o modo Arcade de cabo a rabo, ainda dá para se divertir tentando conseguir o maior ranking no modo Caravan, cumprindo missões em cenários específicos com o modo Mission ou tentando a sorte em um modo onde o estágio é gerado proceduralmente em Endless.
Meteoritos em rota de colisão
A versão utilizada para análise foi a de Nintendo Switch 2, mas calma: se você está jogando no Nintendo Switch, fique tranquilo, pois, quando migrar de console, você poderá atualizar a versão do game com um upgrade gratuito. A versão de NS2 pode ser jogada em dois modos, performance e qualidade.
No primeiro, a jogatina pode ser desfrutada em maravilhosos 120 fps e, no segundo, até a resolução 4K, mas com fps mais modestos. De modo geral, o game se comporta muito bem e a experiência será fluida em ambos os modos, porém, em alguma sessões, quando a tela tinha alguns elementos, o game apresentou queda vertiginosa de performance por alguns segundos.

Como usual em shmups, a velocidade de reação do jogador conta muito na progressão e execução dos movimentos, então essa queda abrupta na velocidade do jogo prejudica bastante, chegando até a frustrar o jogador por ocasionar perdas de vida ou de bônus por desvios. Por conta do poder do atual console da Nintendo, creio que seja algo que os desenvolvedores possam corrigir em uma futura atualização, ao menos é o que espero.
Uma carta de amor atual
Homenagear o passado é algo que pode ser bem perigoso no mundo dos games. Ao mesmo tempo que a indústria de jogos parece não se importar tanto com o seu registro histórico, muitos desenvolvedores tentam emular de modo muito fiel títulos que outrora foram relevantes não apenas pela sua jogabilidade, estética ou tecnologias, mas pela influência estética vigente ou por valores imbuídos no jogo por seus desenvolvedores originais.
A equipe da Banana Bytes conseguiu em Psyvariar 3 não passar essa impressão de pura homenagem, mas sim de uma sequência digna, mantendo o que dá identidade à obra sem ser uma mera cópia que poderia ser vista como um fangame. Caso, assim como eu, você fique curioso em como seria um jogo produzido com ideias originais do mesmo time, que tal tentar Sophstar!?
Prós:
- Bom elenco personagens, cujos pilotos apresentam muitas peculiaridades entre si, como as variações de bomba;
- Direção de arte atraente;
- Mecânicas únicas que beneficiam os jogadores que se arriscam mais, conferindo-lhes poder de fogo e proteção extras;
- Tentar subir o seu level recompensará você com variações de fase que não são vistas se jogar nos modos mais fáceis.
Contras:
- Travamentos no modo performance na versão de Nintendo Switch 2 quando muitos projéteis têm de ser exibidos na tela em uma velocidade grande.
Nota
9
