Desenvolvedora: Velan Studios
Publicadora: Nintendo
Gênero: Rail Shooter
Data de lançamento: 25 de junho, 2026
Preço: R$ 279,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Nintendo.
Revisão: Lucas Barreto
Depois de se tornar com certa facilidade um dos meus jogos mais esperados do ano, o lançamento de Star Fox Zero para o Wii U em 2016 me decepcionou muito. Se, no anúncio, Zero foi visto como uma fagulha de esperança para uma lendária franquia que por algum motivo estava dormente, no lançamento o jogo parecia muito mais o último prego em seu caixão.
Uma apresentação meia-boca, controles confusos e adições não tão divertidas fizeram Star Fox Zero não ser exatamente o jogo mais bem falado do momento, e a recepção acabou refletindo as vendas, tornando este um dos títulos menos vendidos da série e garantindo mais um período de hiato para Fox McCloud e sua equipe de mercenários.

E é então que pulamos 10 anos pro futuro, quando a Nintendo anuncia e lança um novo jogo de Star Fox do mais absoluto nada. Bem, “novo” é uma palavra muito forte: trata-se de mais um remake do clássico Star Fox 64, mas com a promessa de expandir as coisas um pouco além do que a versão de Nintendo 3DS fazia, com visuais completamente refeitos em um novo estilo de arte, trilha sonora rearranjada e orquestrada, e uma história expandida, com mais cenas explorando o relacionamento e alguns conflitos da equipe Star Fox.
Apesar de não ser um jogo novo por assim dizer, eu me empolguei! Re-jogar Star Fox 64 nunca é desagradável, e as adições e mudanças que o talentoso time da Velan Studios estava fazendo no game pareciam bem promissoras. Mas a pergunta que fica agora que o game lançou é: o quão bem Star Fox expande o jogo original, enquanto respeita e faz homenagem ao que fazia ele ser tão especial para começo de conversa?
“Star Fox, vamos botar pra quebrar!”
Star Fox se trata de um remake de Star Fox 64, que por si só já se tratava de uma reimaginação da história de Star Fox 1 para o Super Nintendo, o que significa que você não precisa ter conhecimento prévio da série para adentrar nesse jogo.
Aqui é retratada a história da Guerra de Lylat, que se trata do primeiro grande embate entre a equipe de mercenários Star Fox e Andross, um gênio do mal traidor das forças de Corneria que deseja tomar a galáxia para si. Essa já é uma narrativa meio batida que qualquer fã de Star Fox já deve conhecer, mas o interessante aqui é tudo que eles adicionaram ao decorrer do jogo: antes e depois de cada uma das missões, agora temos cutscenes que exploram as dinâmicas e conflitos entre a equipe Star Fox, com detalhes novos sendo adicionados nas personalidades de Fox, Falco, Peppy e Slippy.

Fox agora, por exemplo, não gosta das comparações que Peppy constantemente faz com seu pai, já que quer ser sua própria pessoa com suas próprias conquistas. Peppy não calar a boca sobre James McCloud parece afetar o protagonista profundamente. Falco, por sua vez, tem dúvidas sobre a liderança da raposa, desafiando-o e questionando suas decisões constantemente, mas ao final do jogo aprende a respeitar Fox como um bom líder.
Peppy parece guardar mais rancor de Pigma do que no original e ainda sente a perda de seu antigo líder James McCloud, o que faz ele constantemente compará-lo a seu filho. E Slippy não é só mais um motivo de piada, sendo parte valiosa e querida da equipe com suas invenções.

Eles deram falhas e motivações mais notáveis para cada um dos membros da equipe, e isso deixa suas interações, conflitos, e diálogos bem mais memoráveis. Uma das cenas que mais me chamou atenção no jogo acontece caso você deixe a nave do Slippy ser derrubada em Titania enquanto joga a missão de Katina ou Fichina: o General Pepper vai sugerir que a Star Fox desista de uma possível missão de resgate e prossiga com os procedimentos para derrotar Andross sem Slippy, mas o grupo nega, desliga a chamada bem na cara do General e, sem nem oferecer uma escolha para o jogador, inicia uma missão para resgatar o Slippy. Os novos diálogos adicionados durante a missão também deixam claro o quão cada membro da equipe se importa e está desesperado para encontrar o companheiro, criando um senso de urgência que no original era menos palpável.
É em momentos como esse que fica notável o quão forte o laço da Star Fox realmente é, com todos os membros deixando suas diferenças e conflitos de lado com o objetivo de salvar um dos deles. Eu mencionei apenas uma, mas o jogo tem diversas outras cenas e pedaços de lore interessantíssimos que apenas acrescentam ao universo de Star Fox e não fazem nada além de enriquecer ainda mais uma experiência que já era boa antes. Ah, claro, vale mencionar que tudo isso é feito com uma dublagem em português brasileiro de alto nível!
O Sistema Lylat mais belo do que nunca
Outro ponto de destaque fica para a apresentação do jogo que é, honestamente, perfeita. De começo estranhei um pouquinho os designs mais “realistas” que os personagens apresentam, mas admito que eles caíram bastante no meu gosto com o passar do tempo. Os modelos novos me lembram bastante dos bonecos que foram utilizados em todo o material promocional do Star Fox 1, para o Super Nintendo. Não é uma conversão 1:1, e é bem fácil de notar diferenças, mas as semelhanças também estão lá e o estilo artístico deles, num geral, me agradou bastante, fornecendo um charme bem único pra esse jogo que os outros não têm.

Mas o que impressiona de verdade são os cenários: os planetas do Sistema Lylat nunca estiveram tão bonitos quanto nesse remake. O trabalho de iluminação e modelagem da Velan Studios é simplesmente impecável, com visuais e vistas de tirar o fôlego em alguns momentos, mas sem sacrificar a visibilidade que um rail shooter como Star Fox precisa ter. Acredito que as screenshots que eu tirei durante minhas jogatinas falem por conta própria sobre a qualidade visual. No fim, Star Fox nunca teve gráficos tão cinematográficos quanto aqui.

O mesmo vale para a trilha sonora, que foi fielmente rearranjada por uma orquestra. As músicas clássicas do jogo original todas retornam com arranjos de arrepiar qualquer fã da série, e a sensação de ouvir novas versões com instrumentos de verdade de tantas músicas icônicas é surreal, e fica aqui uma menção especial pro tema da Star Wolf, que ficou fantástica!
Star Fox APERFEIÇOADO
Fico feliz em dizer que, ao contrário de Star Fox Zero, aqui a gameplay de Star Fox foi aperfeiçoada. Os controles são tão precisos quanto deveriam ser: sem aquela mecânica esquisita do Zero onde a mira na TV por algum motivo era imprecisa.
Não, nesse jogo você vai atirar exatamente onde está mirando e só por isso esse jogo já merece meus elogios (é o mínimo, mas tenho traumas do Zero). A Airwing também é controlada maravilhosamente bem, com movimentos suaves e precisos e uma curva de aprendizado bem agradável de se pegar. Você ainda pode inclinar a nave, fazer tunô-barris (é como chamam os Barrel Rolls na localização), dar loopings, e por aí vai. Nada mudou do Star Fox 64 pra cá, mas as coisas são sim mais agradáveis de se fazer.

Uma crítica comumente designada à Star Fox é que os jogos da franquia são “curtos demais”, e a um nível teórico isso é sim verdade. Você consegue terminar a campanha da grande maioria dos jogos da série em 1 ou 2 horas no máximo, e os jogos sempre são duramente criticados por isso, com esse remake não sendo a exceção.
Mas eu devo dizer que acho uma crítica injusta: primeiramente, ninguém que está comprando um jogo de Star Fox e saiba no que tá se metendo vai terminar a campanha apenas uma vez, tendo em vista que a franquia é sobre rejogabilidade. Aqui em Star Fox, cada fase pode terminar de maneiras diferentes, suas ações realmente importam pois o jogo tem um sistema de rotas interessantíssimo: essencialmente, cada uma das fases tem mais de uma maneira de serem completas, e dependendo da forma que você as cumpre, será levado para fases diferentes.

O mapa do jogo contém 16 fases no total, mas não se enganem, pois é IMPOSSÍVEL jogar todas elas em só uma jogatina casual pela campanha. Star Fox quer e implora para você rejogá-lo, tomando decisões diferentes durante as missões, escolhendo planetas diferentes para visitar, e também sempre tentando melhorar sua performance em cada uma das fases.
O jogo tem um sistema de medalhas, onde derrotando um determinado número de inimigos em uma fase você será recompensado com uma pequena medalha no ícone da fase, identificando que ela foi completamente dominada pelo jogador, e acreditem, pegar todas elas é BEM DIFÍCIL. Algumas fases como Venom 2 e Setor Z tem requisitos que beiram o absurdo, mas que também são super satisfatórios de serem completados.

Essa é a maior força de Star Fox: sua rejogabilidade. Não apenas re-jogar a campanha para fazer rotas diferentes e ver exatamente o que você perdeu nas outras fases e cutscenes, mas também ficar melhor no jogo, concluir os seus desafios, ver o quão longe você consegue ir enquanto tenta pegar a maior pontuação possível e superar a sua anterior. É um loop de gameplay engajante, satisfatório e que me prendeu por boas 20 horas.
E tem mais!
O jogo também inclui um “Modo Desafio” e um “Modo Batalha”. No Modo Desafio, você basicamente vai rejogar as fases da campanha principal enquanto tenta concluir uma lista de tarefas, que variam desde terminar a fase num tempo determinado, ou derrotar todos os tipos de um inimigo.

Já o Modo Batalha é focado no multiplayer, com suporte à online, e local via GameShare, e essa foi honestamente uma das minhas maiores surpresas com o jogo: esse modo é bem divertido! São 3 modos distintos para 3 mapas: o primeiro, em Corneria, se trata basicamente de uma “defesa de território”, onde o time Star Fox luta contra o time Star Wolf para marcar presença em áreas e o time que conseguir a maior quantidade de áreas antes do tempo acabar, vence. O segundo, em Fichina, é uma corrida para coletar energia de meteoritos que caem: destrua os meteoritos, passe pela energia que eles deixam para trás, e faça o maior número de pontos para vencer. E no terceiro, no Setor Y, alguns piratas espaciais estão voando pelo mapa carregando itens especiais, destrua os piratas, leve esses itens de volta para a sua base e ganhe pontos com base nisso.

Bem frenético, bem caótico e bem divertido do jeito que eu gosto, mas infelizmente com pouca variedade de mapas e modos de jogo, acho que seria legal ter mais alguns além dos três já disponíveis. Infelizmente sinto que não será um modo muito jogado em algum tempo, mas é bem legal testar caso tenha a chance.
Missão Cumprida?
Sinceramente, talvez o maior mérito de Star Fox seja ter entendido exatamente o que a franquia sempre foi. Depois do fracasso do Star Fox Zero e de mais uma década de silêncio, seria fácil tentar transformar Star Fox em outra coisa, seguir tendências ou abandonar de vez a estrutura arcade que sempre definiu a série. Em vez disso, a Velan Studios decidiu olhar pro jogo mais amado da franquia e perguntar: “como isso seria se tivesse sido feito hoje?”.

Minha opinião franca é que Star Fox para o Nintendo Switch 2 é, de longe, o melhor jogo da franquia. Ele tem a melhor gameplay, melhor história, melhores fases, e enquanto muito disso provém do lendário jogo original que está sendo refeito, também é impossível não dar mérito ao talentoso time da Velan Studios por tudo que foi recriado, repensado e adicionado.
Da mesma forma que após Metroid Dread a Mercury Steam ganhou minha confiança para a série, Star Fox tem toda minha confiança nas mãos da Velan, e agora fica a minha esperança para uma experiência verdadeiramente nova com a franquia desenvolvida por esse mesmo time.
Prós:
- Expande a história sem desrespeitar o original;
- Apresentação audiovisual acima da média;
- Rejogabilidade alta;
- Conteúdo extra engajante;
- Porta de entrada perfeita para Star Fox.
Contras:
- Multiplayer com pouco conteúdo.
Nota
10
