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Desenvolvedora: FromSoftware
Publicadora: Bandai Namco
Gênero: RPG de ação | Soulslike
Data de lançamento: 28 de agosto de 2026
Preço: R$ 455,90
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Bandai Namco.
Revisão: Lucas Barreto
Em 2022, a FromSoftware alcançou um nível de sucesso que antes parecia algo improvável para a empresa. Depois de passar alguns anos construindo uma fiel base de fãs com jogos como Demon’s Souls, Dark Souls e Bloodborne, foi com Elden Ring que eu sinto que a desenvolvedora conseguiu transformar a chamada “fórmula Souls” em um fenômeno impossível de ignorar.
Elden Ring foi um sucesso absoluto, com milhões de cópias vendidas e papando vários e vários prêmios de Jogo do Ano, e naturalmente esse sucesso todo levaria até Shadow of the Erdtree, que chegou em 2024 para expandir ainda mais uma experiência que já era gigantesca por conta própria. Em certo momento, parecia que tudo o que se falava era sobre Elden Ring e que todos estavam tendo essa experiência inesquecível… exceto o fã da Nintendo, que dependia do Nintendo Switch, um hardware ultrapassado que provavelmente iria explodir caso alguém ao menos COGITASSE colocar Elden Ring para rodar nele. E, bem, tudo o que eu tinha era um Switch, então eu nunca tive a chance de experienciar Elden Ring na sua época de maior hype.

Mas, pulando para 2026, o Nintendo Switch 2 surge como um console muito mais capaz de rodar jogos AAA de grande escala, então a FromSoftware anunciou, na primeira Nintendo Direct do console, que Elden Ring: Tarnished Edition chegaria ao console da Nintendo… eventualmente. Bem, pra falar a verdade, a ideia era lançar o título em 2025, ano de lançamento do Switch 2, mas, após reclamações sobre a qualidade do port vindas de pessoas que jogaram as demos disponíveis, a decisão de adiar o jogo de forma indefinida foi tomada, com ele finalmente sendo lançado agora, em 2026.
Então, como alguém que nunca havia jogado Elden Ring antes, aqui vai minha dúvida para essa review: será que o jogo é tudo isso mesmo? E, mais importante: o adiamento de quase um ano valeu à pena?
Bem-vindos às Terras Intermédias
Elden Ring se passa nas Terras Intermédias, um mundo que era governado pela rainha Marika, com o poder do Anel Pristino mantendo a ordem no mundo. Mas as coisas deram bastante errado bem rápido: o Anel Pristino foi destruído, e suas partes, as Grandes Runas, foram parar nas mãos dos semideuses, causando uma guerra conhecida como A Fragmentação, um evento que deixou as Terras Intermédias completamente devastadas e sem governante.
É aí que seu personagem entra: você toma o papel de um “Maculado”, um exilado que volta às Terras Intermédias depois de receber mais uma vez a bênção da Graça, e seu objetivo agora é derrotar os semideuses, recuperar as Grandes Runas e se tornar o próximo Lorde Pristino, que irá governar as Terras Intermédias.

Isso, claro, é o que o jogo te conta diretamente, porque o resto da história de Elden Ring é passada de forma parecida com a dos outros jogos da FromSoftware: muita coisa é contada no subtexto. Você só vai descobrir mais desse mundo se tirar seu tempo para conversar com os NPCs, ler descrições dos itens que coleta por aí e até mesmo ao observar e analisar o cenário, tirando suas próprias conclusões sobre os acontecimentos de cada local. É até interessante que o jogo não parece se importar muito se você vai entender tudo logo de cara ou não.
A história é cheia de personagens, guerras e acontecimentos que você provavelmente nem vai chegar a conhecer durante sua primeira jogatina, enquanto outras coisas só começam a fazer sentido depois que você já passou por uma certa área ou derrotou algum chefe. É uma história que recompensa bastante a curiosidade, e quanto mais você se interessa por todo o passado das Terras Intermédias, mais você percebe que existe uma quantidade descomunal de coisas acontecendo naquele mundo.

Sei muito bem que esse não é um método de contar histórias que vai agradar todo mundo, mas a lore de Elden Ring (que por sinal, é escrita por George R.R. Martin, autor de Game of Thrones) é tão rica em detalhes e tão cheia de profundidade que eu realmente diria que vale à pena o esforço.
A liberdade de fazer o que quiser
Sendo bem direto e reto: a imensidão do mundo aberto de Elden Ring me assustou um pouco de começo. O jogo simplesmente te joga num mundo de proporções continentais sem muito direcionamento, sem pegar na sua mão nem nada do tipo: ele quer que você se vire e escreva, completamente sozinho, a sua própria história por aquele lugar imenso. Eu avisei no começo do texto que nunca havia jogado Elden Ring antes, mas eu deixei de mencionar que antes dessa experiência com a Tarnished Edition no Switch 2, eu não tinha conhecimento de NADA sobre o jogo, desde a história, até o mundo, chefes, acontecimentos, de alguma forma eu consegui evitar spoilers de Elden Ring por cerca de 4 anos, e esse “esforço” da minha parte acabou sendo recompensado neste momento, pois a sensação de ser largado num mundo aberto e poder ir na direção que quiser, fazer o que quiser e enfrentar os desafios que quiser é mágico.

Eu fiquei perdido, de começo nem ao menos sabia pra onde ir ou qual exatamente era meu objetivo naquele lugar, apanhei pra inimigos e chefes por horas e horas, mas eventualmente as coisas apenas começaram a se encaixar de forma natural. Encontrei calabouços escondidos pelo mapa, adquiri armas mais poderosas, descobri mais sobre o mundo, encontrei meu caminho pela história principal, tudo isso completamente sozinho.
Claro que nós vivemos numa era de Youtube, então seria fácil eu simplesmente abrir o aplicativo no meu celular e pesquisar exatamente o que eu deveria fazer para progredir no jogo, mas eu sinto que não teria ficado tão impressionado com o mundo que Elden Ring me apresenta se tivesse feito isso. Para os Nintendistas de plantão, acho que a comparação mais fácil que eu posso fazer é com The Legend of Zelda: Breath of the Wild.
Por óbvio, são jogos completamente diferentes. Porém, a sensação de descoberta e magia que você sente ao explorar aquela Hyrule imensa, podendo ir onde quiser e fazer o que bem entender, não é tão diferente da magia que eu senti ao colocar meus pés nas Terras Intermédias pela primeira vez e ir, aos poucos, encontrando meu próprio caminho e descobrindo mais sobre esse mundo.

A experiência “cega” de Elden Ring, sem saber de essencialmente nada sobre o jogo, é facilmente uma das que eu mais irei relembrar com carinho para o resto da minha “jornada gamer”, porque a exploração do game é algo completamente absurdo: sempre tem algo para se fazer, um ponto de interesse que você vai querer visitar, um inimigo a se derrotar (ou morrer tentando), e às vezes, mesmo que não tenha nada em algum lugar, é satisfatório apenas parar e aproveitar o ambiente, observar um pouco as belíssimas vistas que o jogo constantemente te apresenta.
Querem uma dica? Não se apressem com Elden Ring, o ideal é tomar o tempo de vocês. Você não vai aproveitar tanto a experiência se transformar esse mundo tão lindamente construído em um “checklist” de coisas para fazer.
Não se preocupem com quanto tempo falta para terminar a história, quantos chefes ainda tem para serem derrotados, quantas dungeons você fez ou deixou de fazer… a melhor forma de se aproveitar tudo que Elden Ring me ofereceu, para mim, foi me entregar completamente àquele mundo e aproveitar ao máximo tudo que ele tem a oferecer, apenas desfrutando de cada descoberta sem me apressar para chegar ao fim da campanha.
Morrer faz parte.
Sendo um RPG, Elden Ring tem mecânicas bem complexas de customização de personagem e builds para “facilitarem” as coisas um pouco pra você. Sendo o fã da Nintendo safado que eu sou, eu decidi que meu personagem no jogo seria, isso mesmo, o Link de The Legend of Zelda pra saciar um pouquinho a sede que eu sinto de um Zelda com estilo de arte mais realista. E o resultado ficou bem satisfatório, viu? Sabendo no que mexer, é bem fácil fazer o que você quiser na hora de criar o seu personagem.

Já o sistema de builds parece complexo, mas acaba sendo bem fácil de entender uma vez que você entende o que cada um dos atributos faz. Vigor vai aumentar sua vida, Mente sua mana, Força o dano físico para armas pesadas, Destreza o dano físico para armas leves, e por aí vai.
Como um bom usuário de Uchigatana desde Dark Souls 1, meu foco foi quase todo para Destreza, mas experimentar com outros atributos e armas é divertido e até recomendado! Mais tarde o jogo permite que você “resete” e redistribua o nível dos seus atributos, o que incentiva bastante a experimentação, e sair da zona de conforto um pouquinho para experimentar outras classes ou armas é bem legal, e talvez você até acabe descobrindo um novo favorito.
Agora, eu não preciso nem dizer que Elden Ring é um jogo BRUTAL, preciso? Todo jogo da FromSoftware tem essa fama de ser extremamente difícil, e aqui não é diferente. Em muitas vezes, é preciso dizer que Elden Ring me HUMILHOU: morrer e ver o inimigo continuar batendo no seu corpo jogado no chão é uma experiência simultaneamente humilhante e motivadora para continuar tentando e tentando derrotá-lo.
Houveram chefes que eu fiquei duas, três ou até quatro horas inteiras para derrotar, esse é o tipo de jogo que vai te punir pelos seus erros… mas é aí que tá a questão, SEUS erros, porque Elden Ring pode até ser difícil, desafiador, e às vezes até meio humilhante, mas nunca injusto. Se você souber desviar dos ataques dos inimigos e o momento certo para atacar, recuar e se curar, é totalmente possível derrotar cada um dos chefes até com as armas mais fracas. É algo que eu consigo fazer? Talvez não, mas é sempre possível acreditar.

O que eu sei é que após ficar horas e horas tentando derrotar o mesmo chefe, a satisfação de finalmente vê-lo sucumbir e virar pó perante os seus pés é inigualável. Cada desafio superado é uma verdadeira conquista quando TODOS ELES são tão difíceis, e cada derrota também serve de aprendizado: entender onde errou e como melhorar da próxima tentativa é parte essencial de superar esses obstáculos, então a maior dica que posso dar nesse quesito é o famoso “get good”.
Claro, Elden Ring tem a vantagem de ser um mundo aberto: se você estiver com dificuldades com um chefe, nada te impede de dar um tempinho dele e explorar um pouco. Subir de nível, conseguir armas mais poderosas, pegar novos itens, tudo isso vai te ajudar em suas batalhas, e eu acho que cria um loop de gameplay que é simultaneamente viciante e satisfatório. Até pela natureza de ser tão aberto, alguns costumam dizer que esse é o “Souls” mais fácil que a From Software já fez, pois ficar níveis acima dos chefes é algo relativamente comum, mas não se deixem levar por isso, porque ele ainda é sim brutalmente desafiador.
O pacote vem completo!
Bem, o “Tarnished Edition” no nome desse lançamento também não é à toa: o lançamento de Switch 2 de Elden Ring vem acompanhado da DLC Shadow of the Erdtree e também de novos conteúdos exclusivos dessa nova edição, como armaduras para cavalo e duas novas classes iniciais: Cavaleiro de Idus e Cavaleiro Pesado.

São duas classes opostas, com o Cavaleiro de Idus sendo focado em armas leves, iniciando o jogo com mais Destreza e o Cavaleiro Pesado tendo foco em armas de duas mãos, começando o jogo com mais Fortitude e Força para acomodar isso. Atesto que não foram classes que utilizei, e acredito que as classes serão mais bem-vindas a jogadores que já haviam finalizado Elden Ring antes, servindo como boa alternativa para rejogá-lo de uma forma um pouquinho diferente.
As novas armaduras pro Torrente, seu cavalo no jogo, são uma mudança puramente estética mas que é divertido de ter e deixa cada jogatina um pouquinho mais individual para cada jogador. Não são muitas, e elas são bem fáceis de encontrar (com uma estando “escondida” quase que literalmente no começo do game), mas é uma inclusão divertida e inofensiva que agrada. Pela natureza do meu personagem se chamar Link, gosto de imaginar que o Torrente da minha jogatina (foto abaixo) é uma versão da Epona.

Mas a verdadeira grande inclusão aqui é a DLC Shadow of the Erdtree, que já vem inclusa na sua compra da Tarnished Edition. Não estamos falando de alguns itens extras ou uma expansão pequena que adiciona umas horinhas a mais de conteúdo. Shadow of the Erdtree é basicamente uma nova aventura de proporções absurdas dentro do próprio Elden Ring.
Depois de derrotar alguns chefes, você ganhará acesso à Terra das Sombras, uma região nova separada das Terras Intermédias, e aqui você encontrará um segundo novo mapa gigantesco prontinho para ser explorado, com direito a novos chefes, armas, calabouços, segredos… e tudo isso enquanto mantém de forma impecável todas as qualidades que o jogo original já tinha, isso se não acabar sendo um pouco mais impressionante; a escala da DLC é genuinamente algo que eu vejo poucas vezes na indústria para um mero pacote de conteúdo adicional.

Claro, junto com todo esse conteúdo novo, vem também uma dificuldade ainda maior. Se eu tinha achado que Elden Ring base já gostava de me humilhar, Shadow of the Erdtree chegou e provou que eu não tinha visto nada. Os inimigos são mais agressivos, os chefes causam um dano ridículo, e pode acreditar que eu apanhei MUITO durante toda a campanha nova, até pela natureza de ser uma sessão que fica disponível mais próxima do fim do jogo principal.
Considerando que a expansão já vem inclusa na Tarnished Edition, eu diria que isso aumenta consideravelmente o valor do pacote. Com a Tarnished Edition você não compra apenas Elden Ring para o Switch 2, mas também uma expansão enorme que, por si só, já oferece conteúdo suficiente para parecer um jogo completo dependendo de quanto você decide explorar e se encaixa e expande perfeitamente o jogo original.
Como roda no Switch 2?
É difícil não mencionar o quão bonito Elden Ring é. Os prints que eu tirei e estão sendo utilizadas nessa review falam por si só, mas a mescla de fantasia medieval com alguns elementos surreais criam um mundo com uma identidade visual forte e muito única.
Mesmo com paisagens tão belas, o jogo sempre faz questão de te lembrar que tudo aquilo que você está vendo já foi muito mais grandioso do que é atualmente com castelos abandonados e ruínas espalhadas pelo mapa inteiro. Você sente e até mesmo “admira” a decadência das Terras Intermédias em primeira mão, criando algumas vistas de tirar o fôlego.

Mas nada disso importaria se a performance no Switch 2 não fosse boa, correto? E as reações não tão favoráveis que as primeiras previews lá em 2025 estavam soltando me deixaram um pouco assustado quando comecei a jogar.
Por sorte, posso dizer com confiança que Elden Ring roda extremamente bem no híbrido da Nintendo! Não vou ter números exatos pois tudo que eu vou falar agora vem do meu olho nu, mas o jogo parece rodar à 30fps em 1080p bem sólidos no console da Nintendo, com uma qualidade visual que impressiona bastante. Algumas quedas na taxa de quadros acontecem em alguns momentos, mas eles são bem espaçados e quase nunca no meio de batalhas, então a experiência não é exatamente comprometida.

A melhor coisa que eu posso dizer é que eu nunca senti que a perfomance do jogo estava me atrapalhando, e na maioria do tempo tudo rodou perfeitamente bem, com quedinhas aqui e ali, mas nada tão grotesco que chegue a incomodar. É exatamente o que eu esperava de um console como o Switch 2, então se sua preocupação era o jogo rodar mal, pode ficar tranquilo.

O jogo roda igualmente bem no modo portátil do console, com a qualidade das sombras e vegetação caindo um pouquinho, mas nada que seja muito notável na tela portátil do videogame, a experiência continua bem sólida e com quedas de frame bem infrequentes, apesar de acontecerem um pouco mais durante a parte do Shadow of the Erdtree.
Tarnished Edition valeu à espera?
Por quase quatro anos eu venho vendo todo mundo falar sobre Elden Ring, e agora que eu finalmente tive a oportunidade de jogar pela primeira vez, acho que posso dizer com confiança: sim, Elden Ring é essa Coca-Cola toda mesmo. O senso de descoberta e a magia que eu senti ao explorar as Terras Intermédias pela primeira vez é algo que poucos jogos conseguiram fazer, e saber que eu ainda tenho muito mais para ver e explorar é empolgante, ao invés de intimidador.

Então, se você também deixou Elden Ring passar na geração anterior e estava esperando a versão de Switch 2 lançar, Tarnished Edition é uma recomendação muito fácil da minha parte. É um dos melhores RPGs que já joguei e, mesmo chegando alguns anos depois do lançamento original, continua sendo uma experiência que merece ser descoberta por qualquer um.
Prós:
- Mundo aberto gigantesco e bem construído;
- Combate desafiador, mas justo;
- Lore rica e cheia de detalhes;
- Direção de arte belíssima e única;
- Liberdade para seguir seu próprio caminho;
- Shadow of the Erdtree vem incluso.
Contras:
- Tem algum?
Nota
10
