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Desenvolvedora: Nihon Falcom
Publicadora: NIS America
Gênero: RPG de turno
Data de lançamento: 10 de setembro de 2026
Preço: R$ 209,99
Formato: Digital/Físico (Game-Key Card)
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela NIS America.
Revisão: Davi Sousa
Corra que a polícia vem aí! Depois de problemas com a máfia, um culto bizarro e um detetive que não para de comentar sobre as barreiras da vida, você pensaria que sua vida na cidade grande poderia voltar ao normal, não é? Infelizmente, estamos falando de um jogo Trails, então você sabe que daqui para frente tudo só tende a piorar…
Lançado em 2011, exatamente um ano após seu predecessor, The Legend of Heroes: Trails to Azure é um RPG do PSP que segue a história de Trails from Zero poucos meses após a conclusão de seu ato final, sendo o quinto jogo da série Trails/Kiseki e encerrando o que é comumente chamada de “duologia Crossbell”. Assim como Zero, uma localização oficial de Azure só foi ocorrer mais de 10 anos depois, com a equipe de fanslation Geofront ajudando no processo.
Por reaproveitar muito do que vem antes, recomendo que você, caro leitor, leia minha análise do predecessor de Azure, com Zero apresentando estes personagens e os fazendo passar por seus arcos iniciais, mas assim como este jogo, você tecnicamente pode começar por essa análise, embora não seja recomendado!
Sem mais delongas, vamos começar nossa análise do que é possivelmente uma das melhores narrativas dentro da série Trails.
Do Zero ao Azul
Narrativamente falando, Azure se passa cerca de dois meses após os eventos de Trails from Zero, com todos os membros da S.S.S. tendo se distanciado da força por diferentes razões: Lloyd se afastou de Crossbell para finalizar o caso do Culto D:G do jogo anterior; Elie decidiu auxiliar seu avô no papel de porta-voz do governo de Crossbell; Randy precisou ficar na Guarda de Crossbell para auxiliar na reabilitação dos soldados que sofreram pelas ações do Culto; e Tio precisou voltar à Fundação Epstein para finalizar seu trabalho na conexão orbal.

É nessa ausência temporária que a S.S.S. é desfeita, sendo ativada após o prólogo. Com Lloyd e Elie voltando de imediato, me permita introduzir os novatos que agora fazem parte da S.S.S.
Noel Seeker
C.V.: Masumi Asano
Uma das primeiras colaboradoras da S.S.S. em casos passados, Noel é uma tenente da Força Guardiã de Crossbell que foi atribuída à divisão pela sua Comandante. Dotada de precisão com suas metralhadoras orbais, ela é uma fanática por mecânica e, por esse motivo, se torna a piloto oficial do novo carro que a S.S.S. recebe em sua missão de retorno à atividade.


Wazy Hemisphere
C.V.: Junko Minagawa
Antigo líder da gangue de delinquentes Testaments, Wazy já foi uma dor de cabeça para a S.S.S., embora ele os veja como amigos. Sendo estranhamente forte para seu porte esguio e possuindo conhecimento de múltiplas artes marciais, ele é uma das figuras mais importantes nesta nova versão da Special Support Section.
KeA
C.V.: Rie Kugimiya
Resgatada de um leilão que ocorreu nas sombras de Crossbell, KeA é uma criança que acabou sob a guarda de Lloyd e agora mora no prédio da S.S.S. Chamada de “A Criança Divina” pelo Culto D:G, ela é na verdade um ser com mais de 500 anos, embora não possua memórias disso. Seu papel como “A Criança Divina” é o fator central por trás das conspirações da cidade.

Veja também nossa review do jogo original para Switch 1 aqui, que foi ao ar no site em 2023 e aborda outros aspectos da história.
Tendo removido os novos membros do caminho, a trama de Azure continua nas sombras de Crossbell. Com o Culto D:G e a máfia Revanche fora de jogo, veio a oportunidade perfeita para que os abutres de ambos os lados da cidade tomassem a chance para ter um pouco do controle. Com o crescimento do Sindicato Heiyue e a formação de um clube chamado Crimson & Co., ambas as presenças do Império de Erebonia e da República de Calvard se tornaram maiores, para o desespero daqueles que queriam a independência da cidade-estado.
Adicionando às preocupações da turma, Ouroboros (a organização mais perigosa de Zemuria que está por trás da maior parte dos eventos da série Trails, começa a agir, agora com um plano que aparentemente está mirando em KeA! Entre conspirações cada vez maiores, Lloyd e companhia estão presenciando o começo de um evento que talvez seja grande demais para apenas a polícia de Crossbell lidar.




Barreiras ainda não quebradas
Eu sempre apreciei aspectos de jogos que reutilizam MUITOS assets de um jogo para outro, porque muitas vezes torna o espaçamento entre os lançamentos mais prático e permite que os desenvolvedores foquem em outros aspectos das obras. Jogando Azure logo após Zero, você percebe de imediato que, pelo menos na história, estes jogos foram planejados em conjunto como uma “Parte 1” e “Parte 2” de um grande evento.
Por isso, não me focando mais na história, as adições de gameplay entre ambas as “partes” são muito poucas porque Azure reaproveita muito do antecessor; no entanto, elas existem! As maiores adições para a gameplay de Azure são:
- Modo Burst: modo de ataque que é ativado em determinados momentos da história. Ao completar uma barra, com todos os personagens ainda ativos, o jogador tem acesso a uma série de turnos em conjunto, cura de efeitos de status, ataque maior e a possibilidade de usar Arts sem o tempo de invocação;
- Quartzo Mestre: uma evolução dos orbes do jogo anterior, os Quartzos Mestre podem ser evoluídos conforme o jogador luta e, ao atingir seu nível máximo, permitem o acesso às Artes Mestre. Tais Artes possuem efeitos únicos, que podem ser ataques poderosos, buffs que complementam a party ou um excesso de cura para sua equipe;
- Carro: quebrando as barreiras que impediam a S.S.S. de ser tratada como uma divisão séria da polícia, Lloyd e seus amigos recebem um carro orbal experimental fabricado pela Zeiss Central Factory. Sendo a principal mecânica de fast travel do jogo, o veículo também pode ser customizado com stickers únicos, tornando-se uma distração interessante.

Fora isso, muitos dos sistemas de gameplay, incluindo as missões de suporte e os minigames como os do cassino, ainda persistem. Existem muitos pontos que Azure “renova”; no entanto, o combate é ainda mais dinâmico com o uso de certas artes e crafts novos, mas que utilizam a mesma base já introduzida no jogo anterior. Num geral, um ponto positivo, ao meu ver.
Vale apontar que este Trails to Azure permite que você exporte seu save direto do final de Zero, carregando níveis, Slots Orbais desbloqueados, ranques de detetive e da Guilda dos Pescadores [tecnicamente] e outros aspectos menos importantes, mas que alteram determinados diálogos in-game.

Uma narrativa ainda maior se forma
Devido ao fato de Trails to Azure ser muito carregado em enredo direto e lore, é possível que você possa se assustar em começar a jogar por ele, uma ideia que eu não necessariamente culpo; é muita coisa para anotar e/ou lembrar da narrativa geral, com personagens que não apareciam há um tempinho voltando e tendo uma importância maior, e conceitos que você pode acabar se esquecendo.
O “sumário” que o jogo oferece na tela inicial é perfeito para quem começa esse como seu primeiro Trails (mas por favor, não faça isso) ou para quem jogou Zero há muito tempo e não se lembra de certas histórias ou personagens!

Meu ponto para este tópico, no entanto, é que, apesar de Azure prosseguir com a narrativa de Crossbell e terminar o arco que começamos com Lloyd, ele é o início de uma saga que persiste durante toda a tetralogia Cold Steel e finaliza de vez em Reverie, com o final afetando toda a situação geopolítica de Crossbell. É certamente uma das melhores linhas narrativas, que é interligada entre múltiplos jogos que essa franquia ofereceu.
Para aqueles que gostam de “grandes sagas”, Trails to Azure é o passo ideal!
Os mesmos elogios e os mesmos problemas
Assim como repeti muitos dos meus pontos de elogio, eu preciso reiterar um problema que, de novo, parece ser exclusivo dessas versões com suporte a 4K. Os jogos apresentam erros visuais muito estranhos em pontos muito aleatórios, mas Azure pelo menos em nenhum momento fez o céu ficar preto.
Quanto ao pacing, temos uma melhora significativa de Zero, mas a quantidade massiva de textos é algo infame na própria franquia e, honestamente, eu me sentiria um disco arranhado repetindo o mesmo ponto. Um aspecto pior que notei é que algumas das missões de suporte não têm o mesmo “brilho” inicial que algumas tinham no jogo anterior, mas ainda são boas, e Azure faz bom uso delas tanto como mecânica quanto como parte da história.

Em geral, este um ótimo JRPG, mas, como sempre, vai ter seus probleminhas para aqueles que não têm o mesmo contato que alguém que constantemente joga esses jogos – olhando para você, Erick!
Por uma Crossbell livre!
Finalizando a duologia com chave de ouro, encerrando os arcos de Lloyd e KeA e fornecendo uma narrativa de ponta, The Legend of Heroes: Trails to Azure tem a oferecer uma aventura que, na superfície, pode parecer típica para um JRPG, mas aqueles dispostos a mergulhar em ambos os jogos verão que são ouro puro.

Como recomendação final, no entanto, deem um tempo entre um jogo e outro… o burnout de Trails é real, e eu fui afetado diretamente por ele!
Prós:
- A reutilização dos mesmos sistemas de Zero, que já eram bons;
- Mecânicas novas que viriam a ser refinadas em jogos futuros, como os Quartzos Mestre;
- Uma das melhores narrativas da série Trails.
Contras:
- Os mesmos erros visuais que afligem Trails from Zero;
- Missões de suporte bem mais fracas que anteriormente.
Nota
10

