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Desenvolvedora: Wych Elm
Publicadora: Team17
Gênero: Survival Horror| Metroidvania
Data de lançamento: 8 de outubro de 2026
Preço: R$ 67,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switc, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Team17.
Revisão: Lucas Ferreira
Com o Halloween chegando e o clima de horror e desespero mais intenso do que nunca nos permeando, esta é a época perfeita do ano para mergulhar de cabeça em um bom jogo de terror. Seguido de lançamentos como Hellraiser: Revival e Beyond the Dark: Nightwatch temos Silver Pines, jogo de estreia desenvolvido pela Wych Elm no qual assumimos o papel de um detetive particular em busca de um músico desaparecido.
Apesar de tomar grande inspiração de diversos nomes do gênero, temos aqui um título que consegue estabelecer com sucesso uma identidade própria a partir de um suspense cheio de mistério, enigmas, portas trancadas e muita neblina.
Para onde todo mundo está indo? Bingo?

A história acompanha Red Walker, um investigador particular que chega na pacata cidade de Silver Pines em busca de um músico desaparecido chamado Eddie Velvet. Apesar de não saber o motivo ou quem sequer o contratou, Red sente uma compulsão por ir atrás de resolver os mistérios que permeiam sob o desaparecimento do músico, eventualmente percebendo, através de flashbacks e recordações, que ele tem seus próprios demônios com os quais precisa lutar e que estão diretamente ligados com que está acontecendo ao seu redor.
A cidade encontra-se praticamente deserta devido a uma tempestade que se aproxima a nível catastrófico, deixando poucos moradores no local e uma ambientação com aspecto de apocalipse zumbi. Adicionalmente, pra complementar ainda mais o cenário, criaturas monstruosas começam a assombrar as ruas, trazendo o elemento de combate que causa vulnerabilidade ao protagonista.
É decifrando códigos, destrancando portas, coletando ferramentas e encontrando chaves que fazemos progresso na história, e ao longo do jogo armas brancas são disponibilizadas para ajudar tanto no combate contra os monstros como também com a liberação de caminhos que antes estavam bloqueados (uma marreta, por exemplo, permite que possamos quebrar paredes enfraquecidas, enquanto a lanterna nos ajuda a entrar em áreas escuras demais).
O problema com tal abordagem é que, em muitos momentos, vamos passar por lugares antes de ter as ferramentas necessárias para resolver os puzzles, o que por vezes me deixou confusa, já que eu tentava buscar uma solução que ainda não estava disponível. Liberar algo novo significava voltar em todas as áreas já visitadas anteriormente no jogo pra desbloquear coisas novas, e esse backtracking constante se tornou cansativo pra mim.

Por sorte, o mapa é uma das melhores mecânicas que o jogo nos oferece por mostrar cada caminho bloqueado, portas trancadas e lugares onde existem puzzles ainda não solucionados. Similar a Resident Evil, as áreas são delimitadas de maneira clara e quanto mais você explora, mais detalhes vão aparecendo. Após cada descoberta, podemos observar também as anotações do protagonista nos guiando para onde devemos ir a seguir. Além disso, uma Polaroid nos permite tirar fotos que podem ser visualizadas e marcadas, ajudando mais ainda com os puzzles.
A única comunicação de Red com seu cliente ocorre através de telefones públicos espalhados ao longo da cidade, que também vão servir para salvar o jogo. Com ligações que acabam deixando mais perguntas do que respostas, é através de elementos locais que aos poucos desvendamos os mistérios e o verdadeiro motivo pelo qual estamos atrás do paradeiro de Eddie. Em lugares diferentes da cidade, nos deparamos com jornais, notas e pôsteres de pessoas desaparecidas que nos permitem entender um pouco mais do que está acontecendo.
Tem um peixe na cafeteira

A sombra de Twin Peaks e do universo de David Lynch paira sobre Silver Pines desde o primeiro minuto de jogo. Para quem é fã da aclamada série, é possível observar diversos elementos que são referências, desde o protagonista investigador até o café que melhora a stamina. A atmosfera onírica de uma cidade pequena imbuída de mistérios macabros e neblina é um dos principais pontos da série, e também está presente aqui com intensidade.
Quanto à gameplay e UI, a maior inspiração definitivamente vem de Resident Evil (tem até um puzzle de gaiola!). Para citar alguns exemplos, o jogo conta com um inventário em formato de grade, uma caixa de armazenamento que é espalhada e acessível ao longo do mapa e uma gestão de itens onde a escassez de munição, curativos e consumíveis nos obriga a constantemente tomar decisões estratégicas. O combate também faz referência ao jogo clássico, mas infelizmente é onde Silver Pines mais peca.
A identidade visual do jogo possui tons sombrios, neblina constante e um uso de luz e sombra que remete Silent Hill. Apesar de ser 2D, a animação e arte dão uma profundidade incrível de várias camadas aos cenários, passando uma atmosfera tão expressiva que lembra uma graphic novel obscura que foi trazida à vida. Além disso, a ambientação sonora e trabalho de áudio mostram que em alguns momentos o silêncio é o barulho mais assustador. O jogo conta também com uma localização em português do Brasil que merece destaque, adaptando as pistas dos quebra cabeças sem perder o sentido original.
Nos meus sonhos mais inquietos, eu vejo aquela cidade

O sistema de combate é o que mais deixa a desejar, sendo um dos aspectos mais frustrantes da experiência. Abrir o inventário não pausa o jogo, e na correria de recarregar a arma, se curar e tentar acertar os ataques sem uma mira, na maioria das vezes eu achava mais fácil só desviar dos monstros, que depois de certo tempo tornaram-se repetitivos por terem a mesma aparência.
O jogo possui alguns bosses, mas eu sinceramente senti que foram momentos que pareciam completamente deslocados do resto da história. Os confrontos surgem quase como uma interrupção brusca que agregou pouco, tanto na tensão narrativa quanto na gameplay. Ao invés de servirem como ápices emocionais, as lutas passavam, em alguns momentos, a sensação de serem inseridas por mera obrigação.
A falta de fluidez na movimentação compromete o ritmo da navegação em alguns momentos. Em alguns pulos e travessias, é preciso posicionar Red com bastante precisão pra segurar uma borda, por exemplo. Inúmeras vezes eu levei dano porque tentava fugir dos monstros mas não conseguia acertar o pulo na plataforma.
Fire walk with me

No fim das contas, Silver Pines entrega uma experiência marcante e altamente atmosférica, conseguindo unir muito bem a tensão do survival horror à estrutura instigante de um metroidvania 2D. Com quebra cabeças bem elaborados e uma direção artística brilhante, o título se consolida como uma das surpresas mais instigantes do gênero esse ano, sendo indispensável para quem aprecia um bom mistério.
Prós:
- O estilo visual 2D sombrio e o uso brilhante de luz e sombra criam uma ambientação de terror memorável;
- Trilha sonora envolvente e efeitos de áudio espacial amplificam constantemente a sensação de desolação;
- As referências ao terror noventista e ao suspense de David Lynch enriquecem o clima de mistério e tensão;
- Mapa funcional e detalhado junto com a câmera facilitam a navegação e resolução dos puzzles sem perder o mistério.
Contras:
- Os encontros de boss parecem deslocados e agregam pouco à tensão narrativa e gameplay geral;
- A falta de sinalização em rotas obrigatórias pode gerar bastante backtracking e frustrar a navegação, deixando o jogador perdido e sem saber exatamente como avançar na história;
- Mecânica de plataformas apresenta algumas imprecisões pontuais, tornando alguns saltos e subidas um pouco truncados.
Nota
8,5
