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Após mais de uma década, Call of Duty está de volta as plataformas da Nintendo. Call of Duty: Modern Warfare 4 traz a experiência completa da série para o hibrido da Nintendo, sacrificando pouco para alcançar um resultado bem impressionante, considerando as limitações do hardware.
Desenvolvedora:
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Gênero:
Plataformas:
Infinity Ward
Activision
30 de outubro, 2026
R$ 349,90
Físico/Digital
Tiro, Ação
Nintendo Switch 2, Steam, PS5, Series X
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Activision.
Revisão: Davi Sousa
Após mais de uma década longe das plataformas Nintendo, Call of Duty volta a agraciar os nintendistas. Call of Duty: Modern Warfare 4 chega ao Nintendo Switch 2 com toda a ação característica da série para o console. Trazendo tudo o que está disponível nos rivais, o título mostra que o híbrido da Nintendo tem o que é necessário para receber os principais jogos do mercado, mesmo que alguns sacrifícios sejam necessários.
A guerra que não é tão moderna assim

No meio dos anos 2000, a Activision lançou a trilogia Modern Warfare nas principais plataformas do mercado. O Nintendo Wii, lançado em 2006 pela Nintendo e que fazia muito sucesso, foi um dos consoles agraciados com a subsérie, mas de uma forma bem incompleta, isso porque, dos três títulos da saga, o console recebeu apenas o primeiro — lançado com atraso em relação às outras plataformas — e o terceiro. Assim, quem jogava pela narrativa ficou perdido, já que MW2 nunca deu as caras no console.
Continuando com essa tradição, Modern Warfare 4 chega ao Switch 2 sem os seus antecessores. O título é parte do soft reboot da subsérie, iniciado em 2019. Diante disso, apesar de existir a recomendação de jogar a nova trilogia, o título pode ser aproveitado sem esse conhecimento prévio, pois, tirando um único plot point de MW3, MW4 é quase que uma narrativa à parte. Existe uma opção de recap dos eventos anteriores e, em certos momentos, temos até callbacks que servem para dar um contexto às ações de certos personagens.

A narrativa de Call of Duty: Modern Warfare 4 segue dois enredos que se interligam. O “principal” é a invasão da Coreia do Norte ao seu vizinho do sul, buscando unificar a península. Já o “secundário” envolve o Capitão Price, agora um fugitivo após assinar o General Shepherd ao final de MW3, caçando o misterioso Archer para impedir os planos de expansão da Rússia em países do Oriente Médio; para isso, ele se alia a Valeria, chefe do cartel Las Almas.
Apesar da campanha de marketing desse jogo ter colocado o foco na invasão da Coreia do Norte, ela mais parece a trama secundária em si. A história de Price serve como o prólogo para a invasão e, com isso, tem o foco maior, com mais missões e momentos mais memoráveis. Faz sentido, já que o capitão é um personagem querido pelos fãs. A narrativa da invasão em si é acompanhada pelos olhos de Park, um soldado que está no meio do seu alistamento obrigatório. Essa parte da narrativa também é muito apressada, na minha opinião. Temos o começo da invasão, uma missão malsucedida na Coreia do Norte, depois a tomada de uma cidade e usina sul-coreana, e então a missão final, onde devemos eliminar a comandante por trás da invasão.

Também é na missão final que as duas tramas se interligam, de uma forma bem malfeita. Price é capturado pelo Archer, que está aliado à comandante norte-coreana; com isso, Laswell, amiga e contato de Price, oferece aos soldados sul-coreanos a chance de matar a comandante, com Ghost, outro veterano da série, participando da missão em busca de Price. A resolução da trama do capitão, contudo, só ocorre na forma de um curto epílogo.
Certamente é uma pena que a narrativa tenha sido apressada de tal maneira. A invasão da Coreia poderia ter sido melhor explorada. Obviamente, não espero que Call of Duty tenha uma história fantástica, visto que esses jogos são quase que filmes de ação em seus enredos, mas a premissa de MW4 era interessante. Até mesmo o enredo com Price deixa a desejar, pois seria legal podermos ver as consequências reais de sua decisão de se aliar ao cartel e até mesmo o quanto suas ações lhe fazem caminhar em uma direção que não tem volta, mas, ao final, o capitão consegue cumprir com seu objetivo e, mesmo com o jogo tentando mostrar que seu método estava errado, as coisas ainda terminam de uma forma necessária para o bem maior.
O combate moderno agora no Switch 2

Call of Duty sempre foi uma série onde a ação é o foco principal e Modern Warfare 4 não é diferente. O jogo segue o DNA da franquia, com uma campanha linear que dá grande prioridade a set pieces cheias de explosões e adrenalina para fazer com que o jogador se sinta como em um filme americano de guerra.
Não há muito o que explorar nos cenários e o jogador constantemente toma a dianteira para realizar ações. Apesar de a maior parte da campanha seguir o padrão CoD, seguimos junto com NPCs de um ponto até o outro, atirando em tudo que se move. Existem certos momentos em que a Infinity Ward, desenvolvedora do título, dá uma mexida nas coisas. Há missões em que assumimos o controle de um veículo ou estamos em uma posição em que um NPC dirige e precisamos atirar nos rivais.

Há também uma única missão onde a fórmula muda completamente, com essa mesma missão sendo tratada quase como algo à parte, com seu próprio save separado da campanha principal. Logo no início da invasão, o esquadrão de Park é enviado junto com um pelotão de forças especiais para a Coreia do Norte. O avião é abatido e os sobreviventes se refugiam em uma casa abandonada. A partir desse ponto, Park é encarregado de cumprir três objetivos diferentes e somos jogados em um mapa de campo aberto, com total liberdade para explorá-lo em busca de recursos ou ir direto aos objetivos.
Essa missão quebra a monotonia da campanha principal e é uma surpresa agradável como ela roda sem problemas no Switch 2. Contudo, não acho que ela combine muito com o estilo de jogo que Call of Duty se propõe a oferecer aos jogadores. As mecânicas de Stealth, que são incentivadas por uma boa parte da mesma, não funcionam muito bem e o mapa deixa a desejar em muitos momentos, com muito espaço vazio e desafios opcionais que nem sempre são interessantes ou que possuem soluções simplistas demais.
Multiplayer: o arroz com feijão de Call of Duty

Os donos de Nintendo Switch 2 finalmente podem aproveitar o famoso multiplayer de Call of Duty. A experiência é frenética e extremamente viciante, oferecendo mapas pequenos, modos de jogo rápido e uma variedade de armamentos e habilidades que oferecem aos jogadores múltiplas opções de customização.
Todos os principais modos de jogo estão presentes. Os jogadores podem aproveitar Team Deathmatch, Free For All, Kill Confirmed, Domination e outros. Também temos novidades, como o modo Inflation, onde o objetivo é juntar a maior Bounty da partida, com cada morte reduzindo o dinheiro adquirido pelo jogador, além do Search and Destroy, inspirado no clássico Counter Strike, onde um time deve plantar uma bomba e o outro impedir.

As opções de armamentos incluem rifles de assaltos, submetralhadoras, rifles de precisão, rifles de atirador e espingardas. É possível equipar uma arma principal e uma pistola secundária, além de uma faca que é utilizada principalmente para combate corpo-a-corpo. Inicialmente, temos apenas uma ou duas opções em cada tipo, com mais sendo desbloqueadas conforme o jogador sobe de nível. Cada armamento também possui acessórios que podem ser equipados para modificar seus atributos e detalhes adicionais, como silenciador para remover o barulho dos tiros (útil para não ser detectado no mapa) e escopo de miras.
Além dos armamentos, os jogadores também podem equipar granadas, uma letal e uma tática, além de perks, “habilidades” adicionais para os embates, tal como regeneração rápida após ser atingido ou uma corrida mais rápida. Por fim, temos os Killstreaks, que são como um equipamento especial que podem ser ativados durante as partidas após atingir um certo número de kills sem morrer.
Essas múltiplas combinações possíveis de equipamentos e armamentos incentivam bastante o jogador a experimentar tudo o que o jogo oferece. Há muito conteúdo a se desbloquear, desde novas armas e acessórios a killstreaks e até skins de personagens.

A jogabilidade multiplayer é frenética e com muito poucos momentos de pausa. Você morre e mata muito rápido e o tempo de respawn é quase nulo, então é fácil de rapidamente conseguir juntar kills suficientes para os pontos necessários para atingir a vitória nos modos. Com isso, partidas duram em torno de uns 10 minutos, perfeito para quem quer algo rápido e sem muito compromisso. O melhor de tudo é que o jogo oferece suporte a Crossplay, então é bem fácil de encontrar partidas.
Dito isso, existem alguns pequenos problemas originários da versão de Switch 2 que causam uma certa desvantagem para os donos da plataforma nos duelos online. Existe um input lag no console em relação aos rivais, o que significa que na maior parte dos confrontos diretos você morrerá. Além disso, como a taxa de quadros do Switch 2 flutua, às vezes o jogo indicará que você acertou um inimigo, mas o resultado mostra que nenhum tiro chegou a atingir seu oponente. Não é algo que afeta muito a experiência geral, ainda é possível ser competitivo no Switch 2, mas em certos momentos é frustrante morrer tão rápido mesmo quando você reage a tempo e o jogo não conta.
Posso ter Battlefield no Switch 2? Já temos Battlefield em casa

O multiplayer de Call of Duty: Modern Warfare 4 possui modo em especial que é contado meio que separado da experiência tradicional por ser algo bem diferente da proposta da franquia. Esse modo é o Ground War, em que duas equipes de 32 pessoas disputam três pontos em um mapa enorme. Além das tropas, também é possível utilizar veículos para ajudar a conquistar terreno e servir como pontos de spawn adicionais. Jogadores são separados em pelotões de quatro pessoas e, por ser um modo de maior escala, as partidas duram bem mais do que em outras opções.
Quem possui familiaridade com jogos de tiro em primeira pessoa deve ter percebido que esse modo é inspirado em Battlefield, a icônica franquia da EA. Devo dizer, eu curto jogar FPS online, são minha guilty pleasure assim por ser dizer, com Battlefield em especial. Desde Battlefield 1, eu regularmente tenho comprado os jogos da série para jogar de vez em quando no meus consoles PlayStation. Apesar de não achar a ação frenética de CoD ruim, Battlefield é algo que me agrada muito mais por conta de seus grandes mapas, alto número de soldados por partidas e sua jogabilidade mais focada em pelotões com diferentes classes, onde trabalho em equipe é bem mais útil do que um alto K/D.

Ao saber que CoD possui um modo similar, fiquei interessado em jogá-lo para conferir como ele funcionava no Switch 2. Mesmo que o console da Nintendo esteja recebendo títulos que antes eram considerados impossíveis, não acredito que Battlefield possa um dia aparecer na plataforma. Experimentar o Ground War só confirmou o que eu já esperava.
O Ground War no Switch 2 é uma das piores experiências que o multiplayer de Modern Warfare 4 pode oferecer. Ele roda muito mal na plataforma, com constantes quedas de frame, texturas e resolução inconsistentes e tempos de carregamento longos. A Infinity Ward poderia ter feito algumas concessões para que o modo funcionasse no console, mas acredito que se fizesse isso, seria impossível incluir Crossplay, já que teria uma disparidade muito grande entre plataformas.
Uma pena que o Ground War não funcione no console. Eu entendo que combate em um mapa grande aberto com um alto número de jogadores (64 no total), seja difícil de funcionar no Switch 2, mas é bem chato que não há outras opções funcionais para quem curte um FPS online mais estratégico.
Extraindo algo a mais do Switch 2

A terceira experiência disponível em Call of Duty: Modern Warfare 4 é um multiplayer PvE (player vs enemy), o DMZ. Basicamente, este é um modo de extração onde até quatros jogadores são colocados em um mapa gigante e precisam completar objetivos. Nesse modo, é possível encontrar equipamentos e itens, sendo possível mantê-los após ser extraído com sucesso.
O DMZ é bem simples, com uma narrativa que ocorre após o final da campanha. Além dos objetivos principais, também existem alguns secundários que podem ser completados a fim de obter recompensas em dinheiro adicional, que podem ser utilizados na base para adquirir novos itens e habilidades. Chefes também podem ser encontrados e derrotados, além de outros obstáculos ainda mais perigosos, como helicópteros de combate e veículos terrestres.
Diferente do Ground War, o DMZ roda bem mais estável no Switch 2. Isso porque, ele é tratado como um modo separado do Multiplayer tradicional, com seu desempenho sendo otimizado de sua própria maneira para a plataforma.
A guerra que cabe na palma da sua mão

De uma maneira geral, Call of Duty: Modern Warfare 4 é um bom port para a plataforma. Algumas coisas foram sacrificadas para fazer o jogo rodar no Switch 2, em especial sua fidelidade visual, mas em troca temos uma experiência que não deixa a desejar, ainda mais considerando que o console também oferece a oportunidade de experienciar o título na palma da sua mão.
Visualmente, Modern Warfare 4 é feio, não vou negar isso. As texturas são bem simples, não há muitas reflexões ou sombras e até mesmo em certos momentos é possível ver os modelos simplificados antes das texturas se atualizarem. A resolução do título também flutua bastante, apesar de não causar desconforto, mas em certos momentos dá para notar e fica um pouco estranho.
O mais interessante, contudo, é que cada um dos principais modos de jogo de Modern Warfare 4 – Campanha, Multiplayer, DMZ – foi otimizado com algo diferente em mente. A Campanha roda a 30 fps cravados, e a experiência é estável o suficiente que não pude notar nenhuma queda de desempenho. O multiplayer atinge 60 fps, mas flutua em vários momentos quando muita coisa ocorre na tela, sendo esta a razão do Ground War rodar muito mal no console. Já o DMZ, roda a 40 fps, com pequenas quedas de desempenho em momentos muito específicos.

Sendo assim, cada uma das experiências gerais oferece algo diferente em termos de desempenho. Há uma certa diferença em pular da campanha para o multiplayer, por exemplo, mas não é algo tão grande que cause desconforto. Obviamente, o ideal seria uma única otimização geral para o pacote completo, mas a forma como foi feita aqui funciona sem problemas. Desse jeito, podemos experimentar tudo o que Modern Warfare 4 oferece sem grandes cortes, algo que deve ser considerado como um positivo. A Activision poderia simplesmente ter oferecido uma experiência reduzida e pronto, mas esse esforço de ter tudo no console, mesmo com suas limitações de hardware, é algo a se elogiar.
Modern Warfare 4 também utiliza bem o hardware único do Switch 2. Além de controles tradicionais, também é possível utilizar o Gyro e até mesmo o mouse do Joy-con, esse último sendo uma experiência que acredito que vai ser algo que vai elevar um pouco a versão da plataforma em relação aos seus rivais consoles. Sendo possível usar o Joy-con direito ou esquerdo, a opção é perfeita para quem tem a mira afiada.
Dito isso, não posso evitar de falar sobre o elefante na sala, ou melhor, no armazenamento do Switch 2. Call of Duty: Modern Warfare 4 é um jogo pesado. No momento deste texto, o jogo está pesando quase 100GB, e a tendência é que isso continue a aumentar conforme novas atualizações cheguem ao título. O console já não tem muita memória, então caso você queria ter o jogo e outros títulos a sua disposição, o recomendado é ir atrás de um MicroSD.
A Guerra moderna só está começando no Switch 2

Após mais de uma década o retorno de Call of Duty as plataformas Nintendo foi feito de forma muito boa. Apesar das limitações visuais e pequenos problemas de desempenho, Call of Duty: Modern Warfare 4 traz ao Nintendo Switch 2 uma das melhores experiências do gênero, com um viciante multiplayer que preenche um nicho que não é comum na plataforma. Ainda há o que melhorar, mas o pontapé inicial mostra que a Activision está no caminho certo para futuros lançamentos.
Prós:
- A experiência completa de um título moderno de Call of Duty
- Multiplayer viciante
- Ótimo uso do hardware exclusivo do Switch 2 como o modo mouse do Joy-con
- Crossplay com outras plataformas significa que mesmo no Switch 2 o multiplayer estará ativo por um bom tempo
Contras:
- Narrativa é bem rushada
- Problemas de desempenho em alguns modos
- Input lag incomoda em alguns momentos durante o multiplayer
Nota
8
