Review | Cotton Reboot!

Review | Cotton Reboot!

17/07/2021 2 Por Paulo Cézar

Desenvolvedora: SUCCESS, Beep
Publicadora: ININ Games
Data de lançamento: 20 de Julho, 2021
Preço: US $ 39,99
Formato: Físico e Digital

Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela ININ Games.

Contextualizando

Se você não vive em terras nipônicas, ou não é um aficionado em Shoot’em ups, é bem provável que nunca tenho ouvido falar na série Cotton, que apesar de não ser tão popular no ocidente, é uma das principais expoentes do subgênero conhecido como “Cute ‘em ups.

Apesar de seu considerável sucesso no Japão, Cotton não recebia um título inédito desde 2003. Porém em 2021 os fãs de Shmups foram agraciados com o lançamento de Cotton Reboot!, um pacote que incluiu um remake visual completo do primeiro jogo da franquia — Cotton: Fantastic Night Dreams — além de possuir uma das versões originais deste mesmo jogo, sendo esta versão, do exclusivamente lançando no Japão, Sharp X68000.

Retomando, Cotton Reboot! apresentada 3 modos de jogo, sendo 2 deles apenas versões diferentes do primeiro jogo da franquia, que de maneira superfical se resume a um Shoot’em up side-scrolling pertencente ao subgênero de Cute ‘em ups, conhecidos por suas cores vibrantes e inimigos muitas vezes surrealistas ou simplesmente bizarros.

Jogabilidade

Cotton: Fantastic Night Dreams é antes de tudo um jogo de arcade, ou seja, espere a estrutura padrão de vidas, Game Overs, e créditos que os jogos lançados nestas plataformas possuem. Apesar disso, Cotton Reboot! segue a linha dos relançamentos modernos, permitindo o jogador continuar jogando por vezes indefinidas sempre quando perder todas suas vidas.

O título possui apenas 7 fases únicas, sendo que cada uma delas conta com um mid-boss e uma boss fight verdadeira. Ao decorrer das fases você irá encontrar jóias, que são extremamente importante para os sistemas únicos do jogo, que, de maneira resumida, servem tanto para conseguir ataques especiais, quanto para aumentar o nível destes mesmos ataques usados por Nata, a carismática bruxa que o jogador controla.

Seja no remake ou no jogo original, as jóias mudam de cor de forma sequencial conforme o jogador as acerta com seus projéteis. Isto ocorre pois apenas jóias de cores correspondentes aos ataques aumentam o nível dos mesmos, permita-me explicar: o jogador possui uma fila de ataques especiais, supondo que a cor do primeiro ataque seja azul, você deverá atirar nas jóias até que elas sejam azuis para melhorar esse ataque em específico; caso pegue jóias de outras cores isso não irá influenciar em nenhum ataque, já que apenas o primeiro ataque na fila é influenciado pelas jóias coletadas pelo jogador.

Apesar destas jóias terem um padrão sequencial, ele não é cíclico, ou seja, em determinado momento essa sequência será interrompida — isso ocorre quando a jóia assume a cor preta, que por sua vez não é representada por nenhum ataque, a única funcionalidade dela é prover uma quantidade muio maior de pontos ao jogador se comparado a qualquer uma das outras cores.

A diferença mais fundamental entre o Cotton Reboot! e o jogo original se deve aos seus projéteis, que no jogo original eram apenas “absorvidos” pelas jóias. Porém, no remake, as jóias difundem seus ataques, espalhando seus projéteis. Apesar de parecer uma mudança simples, ela faz o jogo se tornar muito mais caótico e fluído se comparado ao original, já que antes você deveria ter um foco maior para as jóias ou para matar os inimigos, agora você pode fazer ambos ao mesmo tempo.

Em suma, essas são algumas das especificidades do primeiro jogo da franquia Cotton e de seu remake. Ao decorrer das 7 fases o jogador irá encontrar um Shoot’em up desafiador e em muitos momentos caóticos, o que é especialmente presente em sua versão refinada, que parece adotar uma filosofia der ser caótico meramente por ser caótico, algo que parece ter gradualmente desaparecido dos jogos atuais, até mesmo de Shmups modernos. A maior dificuldade de qualquer uma das duas versões de Cotton: Fantastic Night Dreams é saber usar inteligentemente seus ataques especiais ao mesmo tempo que desvia de dezenas de projéteis e hordas de inimigos com designs curiosamente únicos.

Estética

Apesar de ter envelhecido consideravelmente bem, Cotton: Fantastic Night Dreams continua sendo um jogo de 1991, com isso, é especialmente notável como o remake consegue modernizar de maneira especialmente efetiva as ideias e a direção artística do original. O jogo conta com artes totalmente desenhadas a mão, indo na contramão da maioria dos remakes modernos de jogos do gênero, o que particularmente é uma decisão acertada já que sua natureza cartunesca combina muito bem com a atmosfera de “Halloween” que ele apresenta.

Boa parte do jogo parece um misto entre desenhos propriamente ditos e pixel arts, lembrando um pouco até os clássicos de arcade da SNK. É bem visível o cuidado e respeito que se teve pela equipe da SUCCESS ao traduzir a arte original para padrões atuais. Os inimigos, por exemplo, continuam com a mesma expressividade e bizarrice que possuíam no original de 1991, os efeitos decorrentes dos ataques agora se assemelham muito mais à animações clássicas do que o jogo original consegue, já que essa é claramente uma das inspirações que a série Cotton possui.

Sonoramente, Cotton Reboot! também é excelente. Sua trilha sonora já era boa, porém agora conta com rearranjos excepcionalmente executados, que combinam bastante com a arte e o ritmo que o jogo impõem a o jogador. No geral, o jogo apresenta uma ótima trilha sonora e design sonoro.

Conclusão

Cotton Reboot! é uma retomada da série Cotton, especialmente agora que um novo título da série — Cotton Rock ‘n’ Roll: Superlative Night Dreams — já está em desenvolvimento. No entanto, é notável a falta de conteúdo do pacote como um todo, ainda mais considerando seu preço.

Cotton Reboot! apenas da a opção de jogarmos o remake, o jogo original ou um modo de Score Attack. Apesar de possuir um Ranking Online e um manual in-game, o pacote não possui muito conteúdo fora do puramente básico a qualquer relançamento moderno, e considerando que é possível finalizar tanto o remake quanto o original em menos de 1 hora, a precificação é extremamente desbalanceada, especialmente se comparado a Shoot’em ups atuais como R-Type Final 2 [leia nossa análise aqui] que mesmo sendo lançado pela primeira vez em 2021 custa o mesmo que Cotton Reboot! e possui consideravelmente mais conteúdo.

Em suma Cotton Reboot! ainda é um pacote com duas versões de um ótimo jogo. Embora mesmo sendo um pacote, fica difícil recomenda-lo logo de cara devido sua precificação. Espere por uma boa promoção na eShop.

Prós:

  • Gameplay balanceada e divertida.
  • Excelente direção de arte e sonora.

Contras:

  • Péssimo custo benefício.
  • Falta de conteúdo extra.

Nota:

7,5

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