Desenvolvedora: SuperNiche LLC, BROCCOLI, Gemdrops, Inc.
Publicadora: NIS America
Gênero: RPG de ação
Data de lançamento: 26 de março, 2026
Preço: R$ 259,99
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela NIS America.
Revisão: Davi Sousa
Dizem que palavras possuem um poder maior do que imaginamos quando as usamos com convicção; então, seguindo essa premissa, se eu desejar que alguém vá para o inferno, essa pessoa vai, mesmo não tendo feito nada pecaminoso? É uma pergunta totalmente fora da tangente, mas que é justamente o tópico do jogo que estaremos analisando hoje, uma aventura que busca responder à seguinte pergunta: dá para ter uma vida boa quando estamos no literal inferno?
Etrange Overlord é o tipo de jogo que veio no momento certo e fez o que precisava fazer com maestria! Este RPG da novíssima formada SuperNiche LLC., com auxílio da Broccoli e da GemDrops, está sendo publicado no Ocidente pela NIS America. Para os que não se lembram, a SuperNiche foi a empresa fundada por Sohei Niikawa, um ex-criativo da Nippon Ichi Software e criador de IPs clássicas como Disgaea e Rhapsody.
— Adicionando aqui só para eu não esquecer, aos fãs de Re:Zero, se a arte deste jogo parecer familiar, Shinichirou Otsuka, o ilustrador por trás da light novel, é o diretor de arte responsável. Uma combinação perfeita ao meu ver, dado o crescimento recente de novels que focam em personagens que ganham o título de “vilã”, mas entendo as críticas por trás do estilo dele, pois muitos dos personagens humanos passam por uma “same face syndrome”.

Mas será que alguém como eu, que nunca jogou Disgaea ou Rhapsody, conseguiria aproveitar uma obra que parece puxar muitos aspectos de criações passadas de seu diretor? Essa foi uma dúvida que foi lentamente saindo da minha cabeça conforme eu prosseguia com minha happy life no inferno, com um jogo que, acima de tudo, me fez rir com absurdos enormes, ao mesmo tempo em que fez com que eu me importasse com cada um dos personagens introduzidos.
Sem mais delongas, vamos dar início à nossa review – e antes, um lembrete inicial de que vocês podem experienciar os dois primeiros capítulos do jogo de forma gratuita através da sua demo. Caso gostem da análise, deem uma chance!
Étrange von Rosenburg
Você provavelmente já deve ter ouvido falar do termo “ojou-sama” em comunidades de animes ou afins (se você for o tipo de weeb que frequenta o nosso site, no caso). Geralmente representadas por garotas ricas adolescentes ou jovens-adultas, as ojou-sama são personagens mimadas, extravagantes e têm a típica risada que vai mais ou menos assim…
“Ohohohohohoho” ou “Uhihihihihi” são as mais comuns, mas podem ter variações também — alguns exemplos de ojou-sama em jogos mais “modernos” incluem a Constance von Nuvelle de Fire Emblem: Three Houses, Luna Platz de Mega Man: Star Force e, para os fãs de ADVs, Lady Beatrice de Umineko When They Cry.

Você pode se perguntar por que eu tô dando uma explicação de um dere-type no meio de uma review, mas é resposta é simples: Étrange, nossa protagonista, é uma ojou-sama da cabeça aos pés. Originalmente filha dos duques Rosenburg e com a mão prometida ao príncipe de seu reino, a história começa com Étrange sendo acusada de um assassinato da família real e, mesmo sem evidências que sugerem sua mão no ato, ela é enviada à guilhotina, com o seu próprio noivo a “amaldiçoando” para o inferno.
Dito e feito! Étrange começa sua jornada acordando no inferno e sendo cercada por demônios de todos os tipos; no entanto, com seu uso de magias, seu carisma natural e sua autoridade nata, Étrange tomou a decisão de viver a melhor vida possível no inferno! Com aliados que ela formou em vida e no pós-vida, a protagonista agora entra numa jornada que o destino impôs sobre ela, mas no qual ela apenas tira o melhor da situação.

Com o humor típico de narrativas do Niikawa – especialmente Disgaea, com todo o lance dela precisar vencer o Overlord atual do inferno por ele estar fazendo um trabalho ruim – e um elenco de personagens adorável, Etrange Overlord consegue te cativar com sua história que, ainda que simples, é divertida e combina perfeitamente com o tema de “aventura musical”. Mas falando na aventura em si, não podemos esquecer um aspecto importante da mesma.
Demônios, empregadas, traficantes e… gato!!!
Embora o foco da história vá muito para a Étrange, o resto do elenco de Etrange Overlord recebe um destaque enorme, e são todos personagens característicos por conta própria! Gostaria de dar destaque aos personagens introduzidos no primeiro capítulo, pois são aqueles que vão ficar acompanhando Étrange pelo resto da jornada (e que vocês podem conhecer na demo do jogo):

Cat-Smith: o gato de Étrange e familiar dela como feiticeira. Apesar de não ter falas, Cat-Smith demonstra bastante personalidade em suas expressões e ações. Apesar de ser uma crueldade terem sacrificado um gato inocente, ele e sua dona parecem felizes de ter se reencontrado.

Sweetia: empregada pessoal da Étrange, executada pouco tempo após a sua própria madame. Ela acredita que deve sua vida à jovem Étrange por uma atitude que a mesma teve quando criança, e por isso sempre prepara chá e doces para a nobre garota – ajuda que a magia de Étrange é dependente destes doces.

Cackie: um dos três demônios iniciais que Étrange encontra no inferno. Sua aparência mudou após a madame dar um nome a ele, assumindo sua forma verdadeira. Um rapaz espadachim, Cackie é o mais sensato do trio, sendo ele quem explica a Étrange um pouco das regras do inferno e sua cultura.

Chuckie: um dos três demônios iniciais que Étrange encontra no inferno. Sua aparência mudou após a madame dar um nome a ele, assumindo sua forma verdadeira. Um homem forte, Chuckie é a força bruta do trio, mas isso não indica uma falta de inteligência. É ele quem geralmente tenta convencer Étrange a tomar ou não certas decisões.

Chortie: um dos três demônios iniciais que Étrange encontra no inferno. Sua aparência mudou após a madame dar seu nome, assumindo sua forma verdadeira. De gênero ambíguo, Chortie é o demônio mais alegre do trio, sendo alguém que consegue rir em situações drásticas com seu típico “Hyaha”!
Isso sem deixar de comentar sobre personagens que eu amei, como Schwarz, o traficante de armas; Ignacio, o cientista-mirim que busca ter uma figura materna; ou mesmo Cerberus, o cão infernal da mitologia grega que aqui é reimaginado como três catgirls gêmeas. O elenco do jogo ajuda o jogador a aproveitar mais esse universo, com as interações sendo um dos meus pontos favoritos do jogo.
Cada personagem tem uma honestidade em si que é impressionante, e a natureza do jogo não esconde muito suas variadas caracterizações. Em um minuto, você pode estar se perguntando “Mas quem é o vilão?”, e logo de início temos uma cena da vilã do jogo cantarolando sobre suas intenções enquanto solta um sorriso macabro. É o tipo de jogo que eu acredito que é carregado muito por seu carisma e personagens, ao menos para mim, do que por um aspecto que irei comentar agora.
“Quem aqui pediu sushi?”
O combate foi o ponto mais fraco do jogo durante a minha experiência, mas acredito que será mais justo se eu explicar mais ou menos como ele funciona, já que ao menos sua premissa é interessante. Sendo anunciado como um RPG “sushi lane”, Etrange Overlord tem um sistema semelhante ao que restaurantes de rodízio japonês usam. Para os que desconhecem essa curiosidade, a comida fica rodando em uma esteira, e quem quiser um prato específico pega quando ele estiver do seu lado, tudo isso enquanto mistura elementos de combate em ação e manuseio de recurso.
Todo estágio do jogo tem um tempo limite de 10 minutos; nesse tempo limite, os desafios podem incluir sistemas variados como derrotar todos os inimigos, explodir uma carga, marcar uma certa quantidade de “pontos” em um gol. Tudo isso enquanto diversos itens e buffs percorrem as lanes, uma trilha fixa que o jogo apresenta para facilitar ou dificultar a jogatina.
Níveis são inexistentes também, com os personagens tendo um sistema de progressão baseado nas armas e no Happy Life Level que o jogador acumula, mas não é um sistema tradicional onde x personagens recebem y quantidade de experiência após uma luta.
Em geral, é o meu maior ponto negativo do jogo por ser muito repetitivo, mas, ao mesmo tempo, o combate é tão curto que você vai passar mais tempo vendo as cutscenes e se interessando na história e cultura do submundo do que em fases ativamente. Etrange Overlord tem potencial para ser divertido se ele clicar com você assim como clicou com outros reviewers que eu vi por aí, mas como é um loop tão curto de gameplay e que não se estende, é um fator que eu posso ignorar sem maiores problemas.
E que vão para o inferno vocês também
Finalizando a análise, eu diria que Etrange Overlord teve um timing perfeito para ser lançado no Nintendo Switch! Não só é um jogo de qualidade em sua história, humor e personagens, como também não tem nenhum outro RPG este mês que ativamente compita com ele para tomar o seu tempo – de novo, ao menos no Nintendo Switch original. Some isso ao fato que ele saiu na época do Handheld Boost Mode do Switch 2, e eu pude aproveitar este jogo com uma resolução boa em qualquer lugar que eu fosse!
Se você está procurando uma aventura bobinha, curta e que tenha o tipo de humor onde os vídeos acima tirem uma risada genuína de você, dê uma chance à srta. Étrange von Rosenburg. Afinal, se ela conseguiu achar uma vida feliz no literal inferno, acredito que nós conseguiremos achar uma obra-prima num jogo que por si só é muito bom, mas que tem os fatores que o diminuem, como seu combate.
Prós:
- Humor típico de obras do Niikawa;
- Um elenco carismático de personagens e worldbuilding;
- Por algum motivo, tem uma descrição estranhamente detalhista de culinária;
- Momentos musicais que variam entre “bonitinhos” e “hilários”.
Contras:
- A arte do Otsuka não combina tanto com os rostos mais humanos;
- Combate repetitivo que diminui a experiência total.
Nota
8,5
