Desenvolvedora: Happinet
Publicadora: NIS America
Gênero: RPG de estratégia
Data de lançamento: 27 de agosto de 2026
Preço: R$ 284,90
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela NIS America.
Revisão: Lucas Ferreira Gomes
“Um exército invencível é aquele que se foca na defesa; um exército com a possibilidade de vitória é aquele que foca os seus soldados ao ataque”. Tais palavras de A Arte da Guerra podem ser tomadas como uma filosofia de vida para o leitor, ou como um conselho real para o campo de batalha – que não ironicamente é o que eu acabei fazendo com o jogo que hoje analisaremos.
2026 está sendo um ano bastante lotado quando falamos de RPGs, com um pouco de tudo atingindo o Nintendo Switch / 2 constantemente, e sem sinal de parar tão cedo, pelo menos por enquanto. Nesta minha busca por RPGs de estratégia que possam saciar minha sede até um certo jogo sair em setembro, uma salvação veio de um lugar que eu jamais esperava… Brigandine!
Brigandine Abyss é o quarto jogo da série Brigandine, seguindo The Legend of Runersia de 2020. Para os não-familiarizados, Brigandine é uma série de RPGs de estratégia que mistura um combate por grid, gerenciamento de recursos, e aspectos de tomadas de território que foram tiradas diretamente de um jogo de tabuleiro e simulação! Entre intrigas políticas e uma gameplay complicada de um jeito viciante, este jogo me surpreendeu.
Mas sem divagar demais na introdução, vamos explorar as diferentes nações de Meltitea, os diferentes protagonistas e ver o que faz deste jogo um dos mais curiosos – e talvez mais interessantes – RPGs a sair este ano!
O retorno do Império Abyssloa

A história de Brigandine Abyss começa como toda boa história: com um assassinato! 200 anos após uma guerra onde as nações e clãs do continente de Meltitea conseguiram derrotar o maligno Império Abyssloa, usando o poder da sagrada armadura Brigandine, uma reunião entre diferentes líderes se iniciava no então pacífico reinado de Solginat – com ênfase nas aspas do termo “pacífico”.
Tudo parecia correr bem. Os líderes pretendiam questionar o rei sobre a crescente violência que cercava o reino, alguns esperavam mostrar mais da sua cultura, entra outras burocracias políticas em territórios de fantasia. Porém, uma revelação mudou tudo no evento, pois Chaossolus, o chanceler do rei, havia acabado de o matar na frente da rainha de Mysteine e se declarado como o “Novus Imperator” de uma nova Abyssloa.

É a partir desta cutscene que a escolha que o jogador fez no início do “Modo História” determinará qual campanha acompanharemos, porque aqui temos a opção de seguir seis reinos diferentes:
- Gran Dragnica
- Mysteine
- Pandemyuon
- Purifanoe
- Samura Village
- Scarlet Will

Os líderes e representantes destas seis nações/clãs presentes em Solginat foram os primeiros a testemunhar o renascimento do maligno Império. O interessante é ver como a perspectiva de cada um muda e entender por que eles receberam campanhas próprias neste jogo: desde os dragões de Dragnica sendo usados contra sua vontade pelo Império; uma ressureição bizarra da antiga líder de Mysteine; ou até a invasão constante às florestas mágicas do território de Purifanoe, o jogador se sente no meio do conflito pois é ativamente atirado ao mesmo.
Seguindo o líder de sua escolha, a história então se mescla um pouco com a gameplay e vai sendo contada pelas diferentes estações e períodos que o jogador vivencia entre invasões e defesas! Cada campanha possui uma narrativa própria, então mesmo que certos aspectos de uma ou outra acabem se entrelaçando, ainda recomendo para que todos eventualmente dêem uma chance a Brigandine Abyss para experimentar as diferentes histórias. Com horas de jogo, eu só me aprofundei em três rotas que curti mesmo, a de Largo, Alysbelle e Cresct.
Seus aliados e as correntes inimigas
O combate de Brigandine Abyss é um tanto único para aqueles que são familiarizados com RPGs de estratégia baseados em grid; além de mapas (estranhamente) maiores, o jogo conta com o uso de grids hexagonais ao invés de retangulares ou esféricos como outras séries famosas. Essa diferença entra na parte central e a adição de Abyss ao combate de Brigandine: o flanqueio de inimigos.
Quando o jogador cerca duas units diferentes em grids opostos de um inimigo, o mesmo passará por um efeito que além de quebrar as defesas dele, passa a ser um debuff natural. Isso não significa que você está com vantagem, já que muitas vezes são os inimigos que chegam perto de você primeiro, e essa mecânica que pode ser decisiva num combate contra generais pode se voltar contra o jogador em um piscar de olhos!
Generais, recrutas e monstros são algumas das opções que Brigandine Abyss te dá como soldados, uma vez que você conquista um território, mais alternativas de units estão à sua disposição e mais deles serão perfeitos para determinados tipos de oponentes ou situações. Vampiros são criaturas das trevas que causam mais dano no escuto e se curam quando atacam; sereianos são criaturas de suporte que possuem pouco dano físico, mas alta movimentação na água e força mágica; dragões são ágeis e podem voar pelo mapa inteiro, mas possuem fraquezas que os derrubam rapidamente, etc.

Parecido com Fire Emblem, o jogo conta com um sistema de morte para certas units, mas além de não ser permanente, ela não afeta generais que ativamente participam da história. O jogador pode escolher gastar recursos como ouro para trazer de volta a vida certos soldados, monstros e recrutas que caíram em combate, mantendo o nível, armas e quaisquer equipamentos que eles estivessem usando quando caíram.
No fim, Brigandine Abyss conta com sistemas que vão além disso, mas para os que parecem mais empolgados com o combate em si do que a história, recomendo o “Modo Missão” do jogo, onde os protagonistas das seis campanhas ficam de escanteio (por ora) e o jogador pode escolher entre uma das 24 nações do jogo para fazer uma lista de determinados objetivos para cumprir. É algo “bobinho”, mas vai direto ao ponto da gameplay e vale a pena explorar!

Maneje seus recursos de maneira inteligente
Indo para a parte mais estranhamente realista do jogo, a forma que ele estrutura o seu combate e preparo de território é estruturado de uma forma que realmente precisa da atenção total do jogador. A base da estrutura segue uma premissa que vai nesta ordem:
Início da temporada ☞ Fase de preparo ☞ Fase de combate ☞ Recompensas ☞ Fim de temporada
Durante o início de temporada e fase de preparo, o jogador deve preparar seus territórios, mandar suas units para determinadas tarefas (desde trabalharem em minas a até treinarem para conseguir exp.), e nisso ele pode escolher até enviar soldados de um território para outro; na fase de combate, o jogador precisa selecionar três comandantes para invadir uma região, e disso, conseguir anexar mais um território — ou recuar porque apanhou feio, já aconteceu comigo.
Brigandine Abyss dá uma liberdade considerável para o jogador explorar o que o combate pode oferecer tanto nos sistemas internos quanto fora do combate! Um simples level up na habilidade de um soldado demoníade meu fez com que ele virasse um fator decisivo durante uma invasão, e quando ele morreu, eu gastei meu turno de preparo só para reviver ele, por exemplo.
Mas, é claro que diversos sistemas complexos agindo uns com os outros criam um problema que me fez precisar engolir meu próprio orgulho…
Eu ativei o “modo jornalista”
Uma curiosidade minha que eu sinto que preciso dizer para descontrair um pouco é: eu geralmente nunca abaixo a dificuldade dos jogos que jogo para análise. Geralmente jogos que são mais “novidade” para mim eu costumo jogar no normal, enquanto franquias que eu já tenho familiaridade costumo ir numa dificuldade mais avançada – logo, para este jogo, eu fui no normal para me familiarizar com os sistemas.

Entre o tempo que me foi dado para fazer a análise, a complexidade dos sistemas, e o jogo demonstrando na minha face as desvantagens constantes que eu encarava, não preciso de muito para apontar que, é, eu precisei colocar o jogo na dificuldade que ele recomenda para casuais e novatos, o “fácil”. Isso não é uma crítica minha ao jogo (embora eu quisesse que existisse a opção de diminuir a dificuldade durante um jogo, e não precisar criar um save novo), mas apenas uma curiosidade divertida do “primeiro jogo que joguei na dificuldade fácil”.
Dito isso, apesar dos sistemas complexos que citei, o jogo geralmente não é difícil uma vez que você entende os sistemas de fraquezas de inimigos, aprende a flanquear as units mais parrudas dos generais e geralmente termina os combates mais cedo. Mas, fica a dica, se você está tendo dificuldade numa run principal, tente aprender o jogo de novo numa dificuldade mais fácil; garanto que muitos dos aspectos difíceis do jogo e na parte de estratégia ainda estarão lá nesta dificuldade!
Erros crassos de um RPG moderno
Para minha crítica, vou retomar um ponto que eu vi sendo bastante discutido durante as previews do jogo pela mídia especializada, mas, os tutoriais deste jogo não o ajudam muito, por bem ou por mal. Em muitos pontos eles te lotam de informação que você não precisa saber no ponto que está, e em outros, ele pode ser um tanto vago! Sendo justo, ao mesmo tempo que achei a forma que ele é introduzido péssima, todos os tutoriais podem ser revistos no menu do jogo, o que é uma vantagem geral.
Há pouco tempo havíamos noticiado que a Happinet travou a versão de Nintendo Switch 2 a 30 frames por segundo para uma “experiência estável”; embora eu entenda o princípio por traz disso e geralmente prefira um jogo travado aos 30 do que um que varia entre 30 a 40, eu não encontrei nenhum momento ou aspecto do jogo que de fato justificasse ele estar preso a essa taxa de quadro específica! Não me levem a mal, não é um jogo feio, mas não é um jogo bonito também.
E por fim, pode ser o meu costume com outros jogos de estratégia tendo a função de ou voltar no tempo ou refazer uma fase, mas a falta de tais aspectos em Brigandine Abyss entrou em conflito com uma outra funcionalidade do jogo durante a minha gameplay: o auto-save! Houve momentos no early-game que eu basicamente dei um soft-lock na minha progressão porque o jogo salvou automaticamente no início do turno de uma luta que eu estava perdendo, e tal luta era um fator decisivo para a conquista de um território importante na história.
Num geral, acredito que nenhum destes pontos torne Brigandine Abyss menos divertido em termos de um RPG de estratégia, mas em diversos pontos ele aparenta ser.
Na fome para mais SRPGs!

Brigandine Abyss foi revelado em um momento oportuno e chega em um ano repleto de RPGs de peso que já lançaram ou que ainda irão lançar. É interessante em ver como uma franquia que retornou após décadas em 2020 conseguiu ter a força para lançar um jogo que arruma os problemas de seu predecessor (o qual temos uma review aqui também) e entregar um jogo de qualidade!
Mas, entre todos os seus lados positivos, o maior aspecto que Brigandine Abyss fez para mim foi reforçar minha paixão por RPGs de estratégia, entregando uma gameplay que exige dedicação, tempo para processar as informações e gerenciar um mapa com um território que constantemente crescia! Acima de tudo, jogar um jogo grid-based que foge um pouco do padrão me fez ficar mais sedento por outro SRPG que está para sair mês que vem, este com um aspecto por grids retangulares mais tradicionais!
Prós:
- Combate complexo que me fez pensar de verdade;
- História inicialmente simples, mas que prende pelo drama político;
- Um gerenciamento de nações estranhamente realista;
- Seis campanhas diferentes para escolher.
Contras:
- “30FPS” é paia demais, Happinet;
- Os tutoriais podem ser vagos em certos pontos;
- Salvamento automático pode te deixar em soft-lock nas batalhas.
Nota
8

