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Desenvolvedora: Hyde
Publicadora: BANDAI NAMCO Entertainment
Data de lançamento: 29 de Julho, 2022
Preço: R$ 299,90
Formato: Digital/Físico
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela BANDAI NAMCO Entertainment.
Revisão: Marcos Vinícius
Primeiramente desculpem o atraso na review. Não sei se estavam esperando (muito provavelmente não), mas de qualquer forma, finalmente chegou. Então vamos lá, Digimon, o rival eterno de Pokémon etc e tal. Embora os jogos tenham sim suas semelhanças, Digimon sempre tentou um caminho um tanto mais RPG, por assim dizer, do que seus rivais de bolso. Desde Digimon World (1999) de PS1 eu percebo que toda a parte de itens e o próprio RNG do jogo impactam muito fortemente o decorrer do gameplay.
Mas, ao contrário do que todos esperavam, Digimon Survive traz uma proposta muito diferente dos seus predecessores, não só no estilo narrativo mas também no estilo de combate. Vocês já devem ter visto muitas coisas sobre ele, e sabem do que tô falando, mas vamos dar uma recapitulada no próximo parágrafo. Depois seguimos para as minhas opiniões, ok?
Como funciona e porque é tão diferente?
Claro que todo jogo têm suas partes narrativas, cutscenes, até mesmo aqueles diálogos de acampamento que não são de grande valia. Mas Digimon Survive no caso é muito mais uma visual novel do que muitas por aí. Todo o jogo é contado em diálogos, temos muito pouco, ou talvez nenhuma narração, contando apenas com os pensamentos do protagonista que “controlamos”, e as discussões entre os outros personagens.
Outro ponto importante é que fazemos escolhas aqui, e elas de fato têm algum impacto, não no decorrer da trama —pois a história vai acontecer independente das suas opções— mas a afinidade com os outros e moral (que é seu alinhamento, seu jeito de ser). Por exemplo, escolher falar com a Aoi antes do Ryo pode na verdade cortar um diálogo que existiria com os dois juntos, ou mesmo encerrar a cena e nem te deixar falar com o Ryo, seguindo pra próxima cena da história.
As afinidades são simples, é o quanto você é amigo de alguém. Em todos os casos exceto 2 isso só muda como seus digimons vão interagir em batalha, podendo ter bônus por cooperação. O alinhamento já afeta algumas coisinhas, mas especialmente a evolução do Agumon e final que você vai encontrar, tendo 3 opções no main game, e mais uma no new game plus.
Sobre ele, como de costume, o NG+ reseta a história do jogo, mas você mantém o level, os itens e os Digimon recrutados. Claro que os personagens precisam ser “descobertos”, que só entram pro time a partir de tal parte da história, mas eles já vem no level avançado que você deixou antes. O importante aqui é que têm 2 pontos principais da história que você consegue mudar. Vou falar mais abaixo pra evitar spoilers e deixarei avisado.
O desenrolar do jogo
Bom… é complicado. Como eu disse, é essencialmente uma visual novel, então vamos ter muito, mas muito diálogo mesmo. As batalhas táticas permeiam a história, e são até interessantes. Gosto desse estilo no entanto, tem que pensar antes de fazer, pensar nos seus recursos e posicionamentos, porque tomar dano pelo lado e por trás multiplica em muito, podendo ser decisivo. E também temos vantagens elementais (fogo, água, terra etc) e de atributo (moral, harmônico e ira) que fazem também um triângulo de desvantagem.
Os Digimon podem mudar de tipo ao evoluir também, como de praxe. Mas fique atento também ao gasto de SP, que só de evoluir e ficar nessa forma ira consumir todo turno, além dos ataques, mas ficar próximo de aliados pode recuperar esse montante gasto. Então sim, é relativamente complicado, mas tente não pensar muito nisso, pois são combates longos. Inclusive existe o modo de auto battle que eu usei demais pra treinar, ou só passar de fases chatas que a estratégia não faria diferença.

Agora quanto a narrativa. Eu me senti muito vendo o anime de Digimon. Alguns episódios são fantásticos, muito além do esperado, e discutem muitos temas importantes, que criam reflexão etc. Mas também temos muitos fillers. Muitos mesmo. Têm capítulos inteiros que se retirados não fariam diferença a menos de uma ou duas frases que poderiam ser encaixadas em outros momentos (talvez semi filler?). Além disso, é muito, mas muito texto mesmo – afinal é uma visual novel. Porém repetindo o mesmo estilo de discurso, ou só algo desinteressante. Ok, isso simula o que seria a vida real nessa situação, mas nossa, cansa! Não foram poucos os diálogos que ativei o skip.
Por outro lado, na parte da trama que é interessante, as coisas fluem bem e conseguem cativar e manter o interesse, e percebemos muito a questão da responsabilidade que os japoneses têm, sobre o mais velho carregar o peso sozinho e não poder demonstrar fraqueza. Discute também sentimentos pessoais e interpessoais e como eles afetam suas relações, sendo os Digimons o reflexo disso, trazendo até a digievolução das trevas relativamente cedo na história.
Ah, pra resumir a sinopse né, uma turma de colégio está em um acampamento de férias e decidem investigar um templo, mas acabam ficando presos quando ocorre um deslizamento de terra. Ao acordarem, eles estão em um mundo bem parecido com o nosso, mas bastante degradado, povoado por monstrinhos esquisitos que falam. É engraçado que eles não sabem que é o digimundo, nem que são digimons, e nem mesmo os digimons têm ciência disso. A trama se desenrola com a tentativa deles voltarem pra casa, mas alguma organização sombria que utilizá-los como sacrifício. No meio dessa confusão toda, duas crianças ainda estão presas nesse mundo, e o professor que está tendo episódios de amnésia e lembranças muito esquisitos, engatilhados por coisas mais esquisitas ainda.
Então assim, a trama é legal, sabe? Você tenta entender, é bastante sombrio e denso, temos temas fortes mesmo, e um toque de história de fantasma. Me senti envolvido muitas vezes, ávido para saber o que aconteceria depois. Mas esse sentimento rapidamente era substituído por um “não aguento mais, por favor acontece algo!!!”. O pacing lento e conversas que não agregam realmente te tiram do jogo.
Tecnicamente
—É sempre bom comentar os aspectos técnicos.
Mesmo no Nintendo Switch, os gráficos são bonitos com profundidade, os personagens são sempre 2D, mas os sprites são bonitos e expressivos, me lembra o remake de Famicom Detective Club que inclusive temos uma análise dele aqui. A trilha sonora ajuda na imersão, todos os personagens são dublados, embora nem todos os diálogos sejam assim, alguns são só texto mesmo. O áudio está em japonês, o que dá ainda mais a ideia de anime.
Dentro do menu temos até diversas opções de qualidade de vida, acelerando texto, animações etc, volume dos efeitos, vibração e até transparência da janela. No geral é bastante competente.
Zona de spoilers!!!
Não vou contar o final, até porque são 3, até 4. Mas quero falar de coisas no meio do jogo que são importantes. Pode pular para as conclusões se quiser.
Escolhas estranhas:
Gente, Digimon. São bichos diferentes, um milhão de linhas evolutivas, até os bichos que são secundários em qualquer mídia têm evoluções maneiras, mas também tem um monte de bico estranho aleatório com zero apelo. Então como game designer você vai escolher os bichos irados, fortes, que sejam apelativos e chamem atenção, certo? Bom, parece que não.
Enquanto o Agumon tem 3 linhas evolutivas completas, a maioria só têm uma, com possível variação na última evolução. Aí o jogo decide que a Floramon, que têm um design cheio de potencial vai ter como única evolução o Vegiemon!!! Têm um Shellmon também, parceiro da Miu. Designs super preguiçosos, zero apelo pra ninguém. Ou até Tyranomon pro Agumon ser uma opção é meio esquisito, por ser um Digimon que até podemos encontrar na wild. Mas ok.
Por outro lado, a evolução da Aoi e Labramon, que é “de luz”, healer e super da paz se torna Dobermon e Cerberusmom, super agressivos e poderosos. Isso faz muito sentido dentro da história pra Aoi sempre se sentiu fraca, e assim ela consegue ajudar aumentou. Foi bem legal.
A Lore:
Têm algumas mortes obrigatórias no jogo base, que são esquisitas. Ryo e Shuuji. As duas fazem sentido no contexto, entende-se como chegaram ali, mas especialmente o primeiro não temos apego com ele, primeiro por ser chato ver as reações dele, parece forçado, e também porque o jogo tenta forçar um sentimento de luto no jogador que não foi construído, até pelo que falei de não conseguir ter tantas conversas com todos os personagens.
O que mais incomoda é que você vê a situação acontecendo, com várias oportunidades de tentar mudar, mas NENHUM personagem sequer tenta dialogar. Mesmo dentre as opções fornecidas ao protagonista, nenhuma é certa e claramente só vai piorar as coisas. E se tentar ativamente ir atrás disso, muitas vezes o jogo só não deixa. Você acaba ficando mais nervoso e se sente impotente com isso, é bem irritante, pois tudo que você queria falar ali, não pode ser dito. Realmente nem sequer tem a opção, e o jogo fingir que tem é bem incômodo.
Ok, no main game não faz diferença, mas no NG+, vive pode salvá-los tendo afinidade alta. Mas boa sorte pra chegar lá. Ah, isso muda a história, ok? Cuidado com suas escolhas.
Fim dos spoilers
Conclusões
Afinal, é um jogo cansativo e desmotivante. Mais de 30 horas de main game, fora o NG+, e mais ainda se se esforçar pra treinar etc, cheio de diálogos inúteis e que claramente estão só tentando ganhar tempo de tela estragam a experiência. Chega em um ponto que você só quer terminar e nem liga mais pro que os personagens estão falando, e só vai ler os diálogos de cenas maiores e cutscenes. E honestamente, não perde muito não. As batalhas não são difíceis, mas são lentas demais mesmo no modo acelerado, alguns monstros ainda decidem fugir, e têm que correr atrás deles. Teve boss battle que liguei o modo automático porque era insuportável.
Digimon Survive apresenta uma proposta interessante, a história é boa, a parte técnica é boa e tudo funciona, até mesmo o touch screen do Nintendo Switch é bem útil, mas todos os recursos foram mal trabalhados perdendo o público por causa disso. Recomendo? Sim, a história é legal e tem o aspecto das suas escolhas. Vale a pena? Não, é cansativo e frustrante. Por isso demorou a sair esse texto.
Prós:
- Lore e roteiro bem trabalhado;
- Visualmente Bonito;
- É Digimon!;
- Legendado em PT-BR;
- Aborda temas fortes e interessantes.
Contras:
- Diálogos chatos;
- Muita enrolação;
- Batalhas muito lentas;
- Ritmo difícil.
Nota Final:
6,5
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