Review | DOOM Eternal

Review | DOOM Eternal

16/12/2020 1 Por Paulo Cézar

Desenvolvedora: Id Software/ Panic Button
Publicadora: Bethesda
Data de lançamento: 8 de Dezembro, 2020
Preço: R$299,90 (Disponível na eShop Brasil)
Formato: Digital

Março de 2020 marcou a chegada de dois dos grandes lançamentos para a indústria dos videogames, sendo eles DOOM Eternal e Animal Crossing: New Horizons. Porém no caso de DOOM Eternal o Nintendo Switch acabou ficando de fora do lançamento inicial, onde teve sua versão feita pela aclamada Panic Button adiada. Agora resta uma pergunta: A versão de Nintendo Switch de DOOM Eternal atendeu as expectativas? É isso o que veremos nessa review.

Jogabilidade



Não é surpresa para ninguém que Doom Eternal é um FPS de ação desenfreada, gênero este que a série praticamente foi pioneira. Doom Eternal não é igual a maioria dos jogos do gênero, onde você atira repetidamente em inimigos com uma IA de qualidade duvidosa, mas muito pelo contrário, o jogo apresenta inimigos diversos e com uma variedade interessante, ainda apresentando uma IA com um desafio interessante até na dificuldade padrão do jogo. Em Doom Eternal os inimigos podem ser derrotados de várias maneiras, seja apenas atirando neles com o diverso arsenal do Doom Slayer (ou Doom Guy), explorando alguma fraqueza dos demônios, ou utilizando as estilosas finalizações que o Doom Slayer pode executar. O combate base de Doom Eternal é coeso e satisfatório.



Doom Eternal apresenta várias particularidades que trazem um certa diversidade e complexidade para seu combate, algumas das principais são:

  • Sua armadura influencia consideravelmente no seu combate. Ela é sua primeira barreira de proteção contra dano inimigo, pois ao ser atingido por qualquer tipo de dano sua armadura é danificada. Para aumentar a porcentagem de sua armadura você deve incendiar seu inimigo com um lança chamas, caso você mate ele enquanto ele ainda está pegando fogo você receberá mais fragmentos de armadura ainda.
  • Eventualmente você pode ficar sem munição, então é preciso usar sua Serra Elétrica para literalmente partir seus inimigos ao meio e conseguir munição e pontos de vida com isso. Ao iniciar uma fase da campanha você normalmente começa com três slots de combustível. Cada vez que utilizar a serra elétrica você gastará um desses slots, sendo que você gastará apenas 1 para um inimigo comum e 3 slots para inimigos maiores. A gasolina se recarrega sozinha, porém preenche apenas um slot, você apenas irá conseguir recuperar seus três slots caso vocês consiga encontrar galões de gasolina ao decorrer das fases.
  • Doom Eternal apresenta diversos sistemas de upgrades, que recompensam a exploração do jogador e a conslusão de objetivos secundários na fase. Além disso o jogo tem um sistema de vidas extras, que podem ser obtidas através da exploração dos cenários.

Concluindo, os sistemas apresentados em Doom Eternal trazem uma boa diversidade para o combate do jogo, além de recompensar a exploração do jogador de maneira satisfatória.

Level design


Doom Eternal apresenta um level design razoavelmente bom. O jogo apresenta elementos de gêneros diversos, desde sessões de plataforma até sessões que lembram um “Arena shooter” ao estilo de jogos como Unreal Tournament e Quake ( que por curiosidade também foi desenvolvido pela id Software).
 
A campanha do jogo poder der concluída com cerca de 15 horas, e através dela você encontrará um diversidade relativamente grande de estilos de jogo. As sessões de plataforma podem ser desafiantes, elas são encontradas no parte principal do jogo, porém as sessões de plataforma mais desafiantes funcionam como uma maneira de conseguir objetos/objetivos secundários. Essas sessões funcionam até que funcionam bem, e trazem diversidade para o jogo. Com relação ao “Arena shooter”, não pode ser dito o mesmo, pois basicamente você mata todos inimigos em uma área e libera a próxima. Apesar de funcional, esta parte acaba se tornando repetitiva com o tempo. Seria interessante se o jogo usasse outras formas para trazer ainda mais diversidade para a campanha, um modo de “Time Trial” seria bem vindo, o modo até está presente no jogo, mas funciona como parte de um objetivo secundário na campanha do jogo. Continuando com o “Arena shooter”, ele funciona perfeitamente com as Boss Fights, que são únicas e desafiantes, não seria exagero dizer que elas são uma das melhores partes do jogo.

Agora abordando as fases em DOOM Eternal, elas são grandiosas e apresentam grande variedade visual e mecânicas únicas em cenários específicos. Como já dito alguns parágrafos acima, o jogo incentiva a exploração de várias maneiras, desde vidas extras, upgrades e até colecionáveis e itens que funcionam como chaves para desbloquear outros itens na nave do Doom Slayer. Sua nave a princípio serve como um hub que é acessado entre as missões da campanha. A nave possui alguns segredos que recompensam o esforço do jogador por procurar os colecionáveis, o que é muito bem vindo por sinal.

Vale a pena citar também que DOOM Eternal possui um modo online particularmente único, onde um jogador controla o Slayer e outros dois jogadores controlam demônios. Ambos tem algumas habilidades especiais, que diferenciam bem a jogabilidade desse modo comparado com a jogabilidade da campanha principal. De modo geral, o modo online funciona perfeitamente ben e é uma recomendação certa para os jogadores que já terminaram a campanha e querem desfrutar ainda mais do jogo.

Visuais, trilha sonora e a parte técnica



A série DOOM sempre foi conhecida por ser pioneira em algumas áreas, a parte visual é uma delas, pois arrisco dizer que Doom Eternal é um dos ports mais ambiciosos do Nintendo Switch. No entanto, embora de maneira impressionante, o jogo consegue manter a performance extremamente estável ao mesmo tempo que se mantém visualmente fiel a visão original dos desenvolvedores, o que é um grande feito da equipe da Panic Button. A direção de arte do jogo também não decepciona nem um pouco, o jogo tem diversas áreas, porém compartilhando ambientação e atmosfera excepcional, somando isso a uma trilha sonora de rock pesado que contribui mais ainda para a criação de atmosfera do jogo. Os temas misturam Metal com uma espécie de Rock eletrônico, não é nenhuma hipérbole dizer que Doom Eternal tem uma das melhores trilhas sonoras de videogames da década.

Apesar dos elogios existem alguns problemas em relação a parte visual do jogo, a versão do Nintendo Switch obteve sacrifícios em seus visuais para em prol da performance. O jogo roda a estáveis 30fps no híbrido, diferentemente das outras plataformas que chegam a atingir 60fps. Além disso, vale citar que para manter a performance estável o jogo se utiliza de um sistema de resolução dinâmica, o que é uma excelente escolha, embora isso signifique ainda mais da perda da qualidade visual eventualmente, tornando em certas ocasiões do jogo muito embasado – o que pode incomodar alguns, principalmente os mais exigentes.  Apesar disso, DOOM Eternal no Nintendo Switch aproveita das funções únicas da plataforma, como o giroscópio e o HD Rumble, ambos funcionam muito bem, porém o jogador tem a opção de desativar as mesmas.

Conclusões finais


Respodendo a pergunta durante a introdução desta análise: sim, DOOM Eternal não só atendeu as expectativas como surpreendeu, tanto de um ponto de vista técnico quanto de um ponto de vista da gameplay. Se você é um fã de FPS, Doom Eternal é uma recomendação certa e uma das escolhas obrigatórias no Nintendo Switch. Caso você esteja com interesse em começar a jogar jogos do gênero nesta plataforma em particular, Doom Eternal pode ser uma ótima porta de entrada.


Prós:
• Ótimo combate em primeira pessoa
• Excelente diversidade de armas.
• Animações de finalizações de inimigos extremamente satisfatórias.
• Excelente direção de arte e trilha sonora.
• Se utiliza bem das funções únicas do Nintendo Switch

Contras:
• Eventuais problemas de resolução
• Level design repetitivo

8,5