Review | Cruis’n Blast

Review | Cruis’n Blast

14/09/2021 0 Por Molan

Desenvolvedora: Raw Thrills
Publicadora: Raw Thrills
Data de lançamento: 14 de setembro2021
Preço: R$ 199,90
Formato: Digital/Físico

Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Raw Thrills.

Sem dúvidas o sub-gênero corrida arcade é um dos que melhor define a experiência de se divertir com videogames, não apenas por ser uma categoria que existe desde os primórdios desta indústria, mas também por oferecer um mundo de façanhas absurdas que seriam muito improváveis de realizar na vida real. Cruis’n Blast é a adaptação de fliperama da mais recente entrada da série que nasceu nos arcades e se consolidou nos consoles da Nintendo nos anos 1990. 

Assim como nos primeiros títulos da franquia, este se passa em vários países do planeta, mas com o diferencial de contar com muita ousadia no design das pistas; que em questão de segundos variam de um mundo congelado para uma selva de dinossauros. Esse exagero insano dá uma identidade bem única para o jogo e é uma mudança muito bem vinda para a série. Porém, apesar da adrenalina inicial ser um ponto positivo, a sensação de estar seguindo um roteiro fica cada vez mais evidente, principalmente por não haver obstáculos ou desafios.

A dinâmica das corridas não é a única mudança notável, já que é bem fácil observar que o visual ficou mais colorido e vibrante — o que pode se tornar um ponto interessante para alguns ao mesmo tempo que um exagero deselegante para outros. Aliás, vale a pena lembrar que o exagero quase cafona sempre esteve no espírito da série, então pode-se assumir que Cruis’n Blast seria a versão atualizada e turbinada de tudo o que conhecemos como Cruis’n de antigamente.

Uma montanha russa sobre quatro rodas

Diferente da maioria dos jogos de corrida da atualidade, que cada vez mais buscam se aproximar da realidade, Cruis’n Blast retorna dos anos 1990 com muitas cores e velocidade em pistas insanas que surpreendem a cada curva. A sensação de estar em uma montanha russa sobre quatro rodas é bem presente em boa parte da jogatina. É como se tudo fosse grande um espetáculo e tudo ao redor fizesse parte do cenário com o jogador sendo o protagonista.

A premissa é bem intencionada e até ousada, em partes, porém os sacrifícios feitos para que essa fórmula funcionasse podem ser sentidos em algumas horas. O primeiro e mais notável é que não existem desafios ou obstáculos nas pistas, mesmo as paredes ou placas são facilmente destruídas e causam pouco impacto na velocidade do veículo. Além disso, há uma mecânica que permite destruir os carros dos adversários, porém em nenhum momento o seu próprio carro corre perigo de ser danificado.

Essa superficialidade está presente também nos melhoramentos do veículo. Todos os carros contam com upgrades, porém as melhorias são apenas cosméticas. Quem quiser aumentar os atributos dos carros terá que evoluí-lo como em um RPG, ou na prática, “farmar” pontos de experiência, que só podem ser obtidos após concluir uma corrida. Essa decisão de game design proporciona repetição desnecessária e mata qualquer liberdade de estratégia que o jogador possa elaborar.

Além disso, em quase todos os estágios você terá a impressão de estar em alta velocidade em um corredor ou literalmente estar em um trilho, onde não há necessidade de pensar ou ser estratégico. Até mesmo as curvas mais fechadas não atrapalham o decorrer da sua corrida. O único desafio que você deverá lidar é a velocidade desbalanceada dos seus adversários, e às vezes poderá ser frustrante correr para terminar na primeira colocação.

Por se tratar de um jogo originalmente desenvolvido para fliperamas, é compreensível que o desafio não seja o principal objetivo do desenvolvimento, entretanto, vale lembrar que estamos lidando com uma versão para o console Nintendo Switch. Diferentemente de uma corrida casual em um shopping, por exemplo, aqui o jogador pretende passar pelo menos algumas horas aproveitando o que o game tem a oferecer no conforto da sua casa.

Porém, Cruis’n Blast pode tornar-se uma boa experiência para passar alguns poucos minutos jogando, da forma que ele foi originalmente concebido: uma experiência arcade casual.  Junto a isso, há um bom incentivo para continuar brincando nas pistas casualmente, que são os veículos desbloqueáveis. No início você desbloqueia apenas carros e motos, porém, mais adiante, você se depara com dinossauros, unicórnios e até OVNIs. 

É uma pena que não se pode dizer o mesmo da variedade de pistas, que se limitam a apenas meia dúzia de arquétipos e são frequentemente utilizadas com pequenas alterações, como o clima diferente ou em um mundo invadido por alienígenas. O mesmo pode-se notar dos modos de jogo, há apenas o modo tradicional, corrida casual ou treino. Mas o maior desperdício mesmo é a ausência de funcionalidades online, mesmo que seja apenas um placar ou ranking.

Falando em acabamento, a interface dos menus e a seleção de trilha sonora chega a ser uma ofensa ao bom gosto. Os primeiros títulos Cruis’n dos anos 1990 contavam com uma boa variedade de músicas marcantes, o que não se pode dizer de Cruis’n Blast. As faixas são genéricas, nada memoráveis e algumas vezes irritantes. A simplicidade dos menus é triste, a pobreza visual chega a lembrar qualquer jogo de corrida genérico mobile, junto com uma música chiclete que nunca para de tocar e para piorar, sequer há uma opção de controlar o volume do som. 

Uma montanha russa de sentimentos e emoções, assim como este texto, Cruis’n Blast oferece o céu e o inferno ao mesmo tempo e em questão de segundos tudo pode mudar da água para o vinho. O mesmo pode ser dito sobre a taxa de quadro por segundos no modo multiplayer, que cai para a metade com apenas dois jogadores na tela. Imagine o que esperar quando houver três ou quatro.

Superficial e repetitivo

Cruis’n Blast pode atender a um público entusiasta de jogos arcade dos anos 1990 que sentem saudades de experiências como antigamente. Entretanto, se você não faz parte deste nicho, é pouco provável que se sinta satisfeito comprando este port para o Nintendo Switch. Primeiro porque há diversos títulos mais divertidos na plataforma, sendo alguns deles até gratuitos; segundo porque o preço cobrado por este jogo não faz jus ao que é oferecido, não pelo menos para se tornar fortemente recomendável.

Prós:

  • Variedade de veículos
  • Jogabilidade excelente
  • Design de pistas insano
  • Apresentação visual vibrante e bonita 

Contras:

  • Pouca variedade de pistas
  • Acabamento dos menus lamentável
  • Poucos modos de jogo
  • Trilha sonora genérica
  • Ausência de recursos online
  • Desempenho cai pela metade no multiplayer

Nota Final:

7

Molan
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