Revisão: Davi Dumont Farace
Remakes empolgam! Ver aquele clássico da nossa juventude ganhar uma reimaginação inesperada evoca nostalgia e felicidade, mesmo que algumas vezes ainda cause um pequeno desconforto pela nova direção de arte que o jogo está recebendo contrastar bastante com o original. Mas o que importa no fim é que sua essência seja mantida, não é verdade?
Dito isso, a Nintendo possui inúmeras franquias que posso imaginar ganhando um remake um dia. Bem, ela não é de espalhar remakes a torto e a direto, mas os que já pintaram no Switch foram verdadeiramente boas surpresas. E por isso, neste artigo, Geno junto ao editor-chefe não-Otaku deste site, Marcos, irão apresentá-los aos jogos clássicos de várias eras da Nintendo que tiveram o privilégio de retornar completamente refeitos.
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Another Code: Recollection
Another Code é uma joia perdida da era Wii e DS. A última coisa que as poucas dezenas de fãs iriam imaginar é que um dia esta franquia retornaria em um remake. Pois bem, isso aconteceu.

Mas que diabos é Another Code? Trata-se de um adventure point-and-click desenvolvido pela finada Cing, que surgiu primeiro no Nintendo DS em 2005 com Another Code: Two Memories, seguido pela sequência Another Code: R – A Journey into Lost Memories no Wii em 2009. Nesta época, a Nintendo estava investindo em títulos casuais e experimentais para fazer sentido à proposta abrangente de seus consoles, incluindo jogos narrativos.
Os games contam a história de Ashley Mizuki Robins, onde em Two Memories a garota vai à uma ilha remota em busca de seu pai, que ela acreditava estar morto, desencadeando assim uma série de mistérios e visões do passado. Enquanto em A Journey into Lost Memories, que ocorre dois anos após o primeiro jogo, a protagonista viaja para o Lago Juliet para descobrir a verdade oculta que cerca sua mãe.

Another Code: Recollection surge como uma coletânea apresentando as intrigantes aventuras de Ashley completamente revigoradas e palatável para um novo público, enquanto presenteia os fãs de outrora com sua própria nova roupagem. O pacote foi feito pela Arc System Works, e embora a Cing não esteja mais entre nós, as principais mentes criativas da série tiveram envolvimento aqui.
The Legend of Zelda: Link’s Awakening
The Legend of Zelda: Link’s Awakening sempre foi um daqueles jogos importantes — porém, meio esquecidos. A primeira aventura de Link para consoles portáteis lá no Game Boy original foi bem recebida na época e teve um grande impacto dentro da própria franquia, inspirando aspectos e personagens de alguns de seus sucessores como The Legend of Zelda: Ocarina of Time. Mas digamos que acabou sendo um pouco ignorado com o tempo.

Seja pelas limitações do Game Boy ou algum outro motivo que não consigo imaginar, The Legend of Zelda: Link’s Awakening nunca foi muito lembrado dentro da fanbase. No entanto, isso mudaria em 2019 com o lançamento de um inesperado remake completo do jogo!
A recriação de The of Zelda: Link’s Awakening para Switch não adiciona muitas novidades além de um “Criador de Dungeons” (se é que podemos chamar assim) bem “meia-boca”, mas todo o charme e alma do original seguem aqui com gráficos e músicas severamente aprimorados!

Os visuais tem uma estética de brinquedo que combina muito bem com a história e espírito do jogo, e todos os novos arranjos das músicas ficaram choráveis. Junte isto à algumas melhorias “Quality of Life” e Link’s Awakening do Switch é, com toda certeza, a versão definitiva de um grande clássico.
Pokémon Brilliant Diamond/Pokémon Shining Pearl
Sinceramente não sei qual o problema que os fãs têm com esses jogos. Afinal, Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl eram jogos consideráveis medianos diante da versão Platinum. Portanto, nada mais justo a ILCA replicar a mediocridade dos mesmos nos remakes.

Brincadeiras a parte, independente do quão desgostoso você ficou com Brilliant Diamond e Shining Pearl, é inegável que toda a essência dos clássicos de Nintendo DS ainda estão intrínseca aqui. E esse brilhantismo que flerta com a nostalgia ao manter uma fidelidade maior com os originais, no que diz respeito a sua apresentação visual, é a ideia que os remakes de Sinnoh querem passar para os fãs que viveram àquela época do portátil de duas telas.
Mas para além de ser um remake 1:1, Pokémon BDSP ainda traz algumas novidades interessantes como o Super Contest Show, reimaginando os amados Contests enquanto introduz um mini-game rítmico durante a apresentação; o Grand Underground, que é Underground otimizado; a possibilidade de andar com um de nossos parceiros Pokémon fora da Poké Bola; e a personalização do seu avatar.

Atente-se que isto não é um texto sobre recomendar, apenas uma apresentação do que há disponível na biblioteca do Nintendo Switch. Portanto, Brilliant Diamond e Shining Pearl é um remake notável, os jogos se destacam por trazer uma pérola amada da franquia Pokémon para a modernidade. É uma homenagem singela, entregando uma experiência nostálgica e agradável para alguns, enquanto para outros pode ser um alimento difícil de digerir.
Mario vs. Donkey Kong
Não é segredo para ninguém que, após o primeiro título lançado para GBA, a série Mario vs. Donkey Kong meio que perdeu seu rumo. Fomos de um charmoso puzzle-plataformer para um joguinho de puzzle que, enquanto era bem charmoso, acabou ficando repetitivo e genérico depois de 6 jogos quase idênticos. Um “retorno às raízes” sempre foi muito pedido pelos fãs da série, e nós finalmente recebemos isso no formato de um remake da primeira entrada.

A apresentação foi obviamente refeita, com novos visuais e músicas, mas tudo se mantém fiel ao charme único que apenas aquele jogo original de 2004 conseguia oferecer. O jogo em si é o mesmo e está intacto do começo ao fim, mas algumas adições bem legais foram feitas, a exemplo do modo cooperativo para 2 jogadores, onde um controla Mario e o segundo jogador fica a cargo do Toad, ambos se ajudando e tentando resolver os diversos puzzles que o game tem a oferecer.

Além disso, dois mundos inéditos foram adicionados à campanha principal do game, e eles suprem um pouquinho da nossa necessidade de um Mario vs. Donkey Kong completamente novo, pois são de qualidade excepcional e chegam a ser algumas das melhores fases do game. É uma boa homenagem não só ao título original de GBA, mas também a uma das rivalidades mais duradouras dos games. Esperamos agora que um novo jogo da série possa ser aprovado e lançado num futuro próximo.
Kirby Return to Dream Land Deluxe
Kirby’s Return to Dream Land já era um excelente jogo no Wii, e o remake de Switch faz MUITO MAIS que o necessário para deixar esse clássico ainda melhor. Esse é um daqueles jogos que envelheceram como vinho: desde os visuais até as músicas e o gameplay, Kirby’s Return to Dream Land Deluxe não precisava fazer muitas mudanças além de dar um aumentada na resolução do jogo original… e mesmo assim, eles foram além!

Todos os modelos, cenários, backgrounds e músicas foram completamente refeitas e modernizadas, e o resultado é provavelmente um dos jogos mais lindos de toda a série Kirby. A nova direção de arte, que inclusive adicionou um “outline” para os personagens, dá muito mais identidade para o que antes poderia ser considerado apenas mais um “Kirby padrão”.
As adições também não deixam a desejar, além de uma variedade imensa de mini-games novos que foram adicionados, Return to Dream Land Deluxe complementa o jogo original com 3 novas habilidades de cópia (Festival, Sand e Mecha) e uma campanha completamente nova onde você joga com o vilão da história principal após os eventos dela: Magolor Epilogue: The Interdimensional Traveler.

A nova campanha, inclusive, contém um estilo de gameplay completamente novo para a série junto de fases, chefes e mecânicas de RPG nunca antes vistas no jogo original. A HAL Laboratory mais uma vez demonstrou o porquê deles serem uma das mais prestigiadas desenvolvedoras da Nintendo, criando a versão definitiva do que já era um de seus melhores jogos.
Paper Mario: The Thousand-Year Door
Similar à Mario vs. Donkey Kong, acho que é inegável que Paper Mario perdeu seu rumo depois do lançamento de Super Paper Mario para Wii. A trilogia “Sticker Star”, como os fãs gostam de chamar, é… divisiva, para dizer o mínimo.

Sticker Star por si só é inegavelmente um desastre, mas Color Splash e The Origami King até que têm seu charme, apesar de não serem Paper Mario ideais, pois esse título vai para os dois primeiros jogos: Paper Mario (N64) e Paper Mario: The Thousand-Year Door. Por anos os fãs da série vem pedindo um retorno à fórmula, algo mais parecido com suas raízes e menos com o que viria depois de Sticker Star. E a resposta veio, mais uma vez, em forma de um remake quase 20 anos depois!
As mudanças mais evidentes, mais uma vez, são nos visuais: com ajuda da Marza Animation Planet, uma subsidiária da SEGA (sim, isso mesmo que você leu), a Intelligent Systems fez um dos sistemas de iluminação mais lindos que eu já vi. Combinado com a geometria refeita dos cenários, o resultado acaba sendo algumas das vistas mais belas que a série Paper Mario tem a oferecer. As músicas também foram refeitas e os arranjos são belíssimos, dessa vez gravados com instrumentos de verdade ao contrário dos sintetizadores que o jogo original costumava utilizar tanto. Claro, se você preferir as faixas originais, a opção de utilizá-las está disponível por meio de uma Insígnia.

A grande novidade do remake de TTYD é a adição de dois novos chefões, mas não passa muito disso e algumas outras melhorias em Qualidade de Vida. O remake de Paper Mario: The Thousand-Year Door é o retorno triunfal da série, e com o seu sucesso, eu espero ver mais jogos usando este estilo de gameplay num futuro não tão próximo.
Advance Wars 1+2: Re-Boot Camp
Os fãs de Advance Wars que esperavam pacientemente por uma nova entrada na série pós Advance Wars: Days of Ruin, foram agraciados com um inesperado remake dos amados títulos do GBA.

Advance Wars 1+2: Re-Boot Camp, assim como os originais, sofreu de um lançamento conturbado onde teve que ser adiado indefinidamente por motivos geopolíticos. Não apenas isso, mas assim como aconteceu com Pokémon BDSP, a nova direção de arte foi alvo de discussões entre os fãs que admiravam os visuais em pixel crocantes do GBA.

No fim, a WayForward, responsável pelos remakes, foram cautelosas em preservar o coração destes jogos ao manter aquilo que realmente importa em Advence Wars: sua gameplay tática. Está tudinho aqui e um pouco mais. Portanto, mesmo que os bonequinhos em 3D sem alma não te agrade, será difícil dizer que Advance Wars 1+2: Re-Boot Camp é uma experiência muito aquém do esperado.
Super Mario RPG
Super Mario RPG é um jogo muito especial. Lançado em 1996 para o SNES, ele foi um sucesso de vendas e crítica, mas infelizmente nunca recebeu uma sequência por conta de problemas entre a Nintendo e a Square Enix (na época SquareSoft). Por conta destes conflitos, o jogo acabou sendo esquecido por quase 30 anos, salvo algumas pequenas menções em Super Smash Bros. e Mario & Luigi SuperStar Saga.

E é por isso que o remake lançado em 2023 é tão importante: é retorno de um dos maiores e mais subestimados clássicos da série Mario inteira, e agora ele finalmente tem a chance de brilhar para uma nova audiência, com gráficos, músicas e mecânicas modernizadas. A verdade é que a recriação Super Mario RPG não muda muito do original com exceção da apresentação, mas isso é porque ele não precisava: o jogo é a mais pura diversão do começo ao fim, com personagens e histórias marcantes e mecânicas de RPG simples, mas que encantam qualquer jogador.

O grande “bam” desse jogo vem dos visuais de tirar o fôlego e da trilha sonora, mesmo. Ver este jogo tão importante recebendo um tratamento tão respeitoso é de fazer qualquer um que tenha jogado o original de Super Nintendo se afogar em lágrimas. Super Mario RPG não é revolucionário, ele não é uma reinvenção dos RPGs e na verdade é até que bem simples pros padrões do gênero; mas explora todo o potencial escondido da série Mario com maestria, e o remake para Nintendo Switch captura toda a magia e essência do original com perfeição enquanto aprimora o que é necessário.
Pokémon Mystery Dungeon: Rescue Team DX
Um dos spin-offs mais amados e longevos de Pokémon viu seu retorno no console híbrido da Nintendo na forma de um remake da dupla de jogos debutantes da série lá do GBA e Nintendo DS.

Pokémon Mystery Dungeon: Rescue Team DX é um remake baseado nas primeiras entradas da série de RPG dungeon crawler com elementos de roguelike, herdando características de seu primo mais velho, Shiren The Wanderer, considerado pai deste estilo de jogo. Nesta aventura, o jogador assume o papel de um humano transformado em um Pokémon, e a partir disso se envolverá em aventura junto a outros amigos Pokémon enquanto explora dungeons geradas aleatoriamente.

Pokémon Mystery Dungeon: Rescue Team DX reinventa os títulos clássicos ao qual ele se inspira enquanto traz um estilo visual completamente diferente dos sprites 2D das entradas originais, traduzindo a um estilo de arte em aquarela que remete a um livro de história infantil.
Pokémon Let’s Go, Pikachu!/Pokémon Let’s Go, Eevee!
E para finalizar, mais Pokémon! Desta vez, trata-se de Let’s Go, um OUTRO remake em Kanto que integra a experiência tradicional dos jogos com elementos de Pokémon Go, já que na época, o app mobile estava explodindo de popularidade.
Porém, vale ressaltar que Let’s Go não é necessariamente baseado nos jogos Pokémon Red e Blue, mas sim Pokémon Yellow. “Faz diferença?” Claro que faz! Na época em que foi lançado, está versão integrava elementos do anime nos jogos principais, além de ser o primeiro jogo da franquia onde podíamos andar com um Pokémon fora da Poké Bola, embora que limitado ao Pikachu.

Let’s Go, no entanto, tenta incarnar um estilo visual colorido de expectativa vista de cima, ampliando mais o escopo de certos elementos. É aqui também que os Pokémon agora podem ser visto na vida selvagem em vez de um encontro aleatório no matinho, além da implementação da Mega Evolução para os monstrinhos clássicos. Ah, não posso me esquecer que o método de captura baseia-se no ato de arremessar as Poké Bolas como no mobage.

Ainda que seja considerado por muitos fãs como o Pokémon mainline mais bem caprichado em termos técnicos da era Switch, Let’s Go ainda desagradou uma parcela por não conter elementos competitivos nas batalhas online, pela grande facilidade, d por não trazer um bom conteúdo pós-game. Ainda assim, é um jogo que ganha valor por conseguir ser nostálgico e moderno ao mesmo tempo.
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