Desenvolvedora:
Publicadora:
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Preço:
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Gênero:
Plataformas:
Nihon Falcom
GungHo Online Entertainment
19 de setembro, 2025
R$ 304,90
Físico/Digital
RPG de ação, baseado em turnos
Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PC
Desenvolvedora: Nihon Falcom
Publicadora: GungHo Online Entertainment
Gênero: RPG de ação, baseado em turnos
Data de lançamento: 19 de setembro, 2025
Preço: R$ 304,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela GungHo Online Entertainment.
Revisão: Davi Sousa
Celebrando o aniversário de 20 anos da série, a Falcom decidiu trazer a aventura original da franquia Trails para as plataformas modernas. Trails in the Sky 1st Chapter é um remake do título de 2004, trazendo uma experiência familiar para os veteranos e adicionando todas as melhorias positivas que foram introduzidas na franquia ao longo dos anos.
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O início de uma longa jornada
A narrativa de Trails in the Sky 1st Chapter segue a dupla de jovens Estelle e Joshua Bright, irmãos adotivos que vivem no pequeno vilarejo de Rolent no reino de Liberl, localizado no continente de Zemuria. A história tem início com os dois terminando seu treinamento para se tornar Bracers, um grupo que existe por toda Zemuria e ajuda os cidadãos do continente.

Logo após se tornarem Junior Bracers, a dupla começa a trabalhar em algumas missões, incluindo lidar com um grupo de Sky Pirates que roubam uma joia rara da cidade. Logo após a missão bem-sucedida, Estelle e Joshua recebem a notícia de que seu pai, Cassius Bright, um famoso Bracer de Rank S, desapareceu durante uma missão. Junto de sua mentora, Scherazard Harvey, a dupla parte em uma jornada para encontrar Cassius, ao mesmo tempo que treina para se tornar Senior Bracers.
Sendo o primeiro título da franquia Trails, a narrativa de Sky 1st Chapter foca muito mais em worldbuilding do que nos personagens em si. O primeiro Sky é conhecido dentro da franquia como “O prólogo de 60 horas”, por conta de sua história lenta e que serve mais para preparar o terreno para o que viria nos próximos títulos, especialmente em sua sequência direta.

Isso fica visível no seu formato. Geralmente, a história segue o seguinte padrão: Estelle e Joshua chegam a uma nova cidade, um incidente acontece e eles são encarregados de resolver a situação, somos introduzidos a um ou dois personagens de apoio que acabam se envolvendo (ou já estavam envolvidos) no problema, a situação é resolvida, Estelle e Joshua recebem uma carta de recomendação e partem para a próxima cidade deixando para trás os novos amigos, e então é revelado que um dos personagens de apoio é mais do que mostrava.
De uma forma geral, este formato faz com que a narrativa passe muito uma vibe de pequenas mini-aventuras que ajudam a expandir o mundo. De certa forma, as ligações entre cada incidente são minímas, mas isso não significa que seja algo sem rumo, pois a reta final do jogo consegue unir bem tudo o que fora apresentado, mesmo que isso só venha a ocorrer de fato nos últimos capítulos.
Basicamente, o foco é a jornada de Estelle e Josuha por Liberl, com os jogadores conhecendo mais daquele reino e do mundo junto com os protagonistas. É uma ideia bem legal e que acaba fazendo com que Trails in the Sky 1st Chapter seja bem diferente do resto da série em termos de narrativa. A dupla de protagonistas não é a única que brilha neste formato, é claro. Mesmo que, comparados a Estelle e Joshua, seus tempos de tela sejam curtos, os personagens adicionais que são introduzidos a cada novo capítulo são um charme à parte da narrativa. Temos um elenco variado com diversas personalidades que dão vida ao mundo de Zemuria, tal como o bardo viajante que inicialmente parece ser um grande palhaço, mas esconde uma mente brilhante, Olivier Lenheim; a aluna de uma escola especial que possui habilidades de esgrima, Kloe Rinz; e o Senior Brace durão com um coração de ouro, Agate Crosner.

Entretanto, é válido dizer que alguns dos problemas de narrativa da série Trails tiveram suas origens com este título. A história possui muitas tropes de anime e a Falcom já abusava de certos elementos que viriam a ser repetidos com exaustão em futuros títulos. A sombra de Cassius, por exemplo, é um desses elementos. O personagem é extremamente hypado durante toda a narrativa e colocado em um pedestal por vários personagens, incluindo o “vilão” da história, e a Falcom mostra o porquê ao final da aventura. Existe o payoff, mas até chegarmos nele, são umas boas 40 horas de ouvir repentinamente o quão habilidoso o pai de Estelle é.
Trails in the Sky 1st Chapter ao menos é bem mais direto em sua narrativa do que outros jogos da franquia. Esse pacing veloz, contudo, possui alguns pequenos problemas, especialmente no desenvolvimento de certos personagens. Não que eu goste da forma como a Falcom enrola nas narrativas futuras da série, mas o fato é que algumas decisões em termos de história poderiam ser tomadas como uma forma de talvez dar mais tempo para certos personagens brilharem mais enquanto ajudam a expandir alguns elementos de mundo que, apesar de serem interessantes e intrigantes, acabam sendo abandonados em busca de seguir com a trama que está ocorrendo naquele momento.
Um combate que mistura tradição e inovação
Trails in the Sky 1st Chapter é um remake que busca unir elementos da versão original com adições e melhorias introduzidas nos últimos 20 anos da franquia. Quanto ao sistema de combate, a adição mais óbvia é a introdução do sistema híbrido de ação e turnos, introduzido na série em Trails through Daybreak. Essa, contudo, não é a única adição em termos de duelos contra inimigos.

Antes de comentar sobre o combate, vale lembrar que Trails in the Sky 1st Chapter no Japão saiu antes de Trails into the Horizon, que está agendado para ser lançado no início de 2026 no Ocidente. Menciono isso pois o sistema de combate deste título, especialmente o modo de ação, pega algumas coisas que foram introduzidas naquele jogo.
Explorando os cenários, é possível se deparar com monstros e então atacá-los instantaneamente com o sistema de combate de ação. Inicialmente ,só é possível realizar ataques básicos, esquiva e um ataque carregado. Ao avançar na história, contudo, mais opções são desbloqueadas, como um ataque em conjunto entre Estelle e Joshua que paralisa os inimigos.

Apesar de ser possível derrotar os inimigos no modo de ação, e é algo até útil, especialmente contra os oponentes mais fracos, a principal função do modo é encher a barrinha de stun de cada inimigo. Com a mesma preenchida, um toque no Y faz com que entremos automaticamente no modo de combate por turnos, onde a camada mais grossa do sistema de combate se faz presente.
O combate por turnos de Trails in the Sky 1st Chapter é uma mistura do sistema original com o sistema da saga Cold Steel, mais especificamente, Trails of Cold Steel 1 & 2. Isso significa que, além de podermos realizar ataques normais, ataques especiais (as conhecidas Crafts da série) e usar magias (as Arts), ainda é possível fazer ataques de follow-up com outro personagem ou um ataque em grupo sob certas condições. A diferença é que não é mais preciso linkar os personagens como ocorria em Cold Steel.
Outra adição de Cold Steel são as habilidades passivas que vão sendo desbloqueadas conforme subimos de nível com os personagens. Contra-ataques automáticos, proteger aliados e até mesmo restaurar um pouco de vida são algumas dessas habilidades. Nem todas as novidades, contudo, vieram de Cold Steel. Agora é possível andar livremente pelo campo de batalha sem gastar turnos, igual à saga Daybreak, e isso muda bastante os combates, especialmente se comparados à versão original de Sky.

Outra novidade bem legal é em relação aos bônus de combate, que aqui estão ligados diretamente aos personagens na ordem de turno. Isso significa que, por exemplo, ao usar uma art enquanto você tem um bônus de crítico, o bônus só será ativo quando a art ocorrer. Roubar bônus, uma das partes mais estratégicas do combate, também mudou, sendo necessário utilizar certas crafts específicas que permitem tal ação ocorrer.
Apesar das adições serem legais, ainda existe um pouco do sistema original de Sky aqui. Algumas Arts que foram nerfadas em jogos posteriores voltaram a ficar tão fortes como eram na versão original. Isso significa que algumas estratégias ainda funcionam aqui, servindo como um belo lembrete para aqueles que jogaram o título original.

O sistema de orbments também retorna igual ao da versão original. Cada personagem tem um orbment onde é possível inserir orbes, joias mágicas que concedem bônus de atributos e magias aos personagens. Cada orbment tem até duas linhas e, combinando diferentes tipos de orbes, é possível desbloquear poderosas arts. Essa é a versão mais simples do sistema e, apesar de parecer ser um pouco limitada de início, eventualmente é possível conseguir combinações bastante úteis.
O mais legal, em minha opinião, é como a Falcom ousou respeitar a lore da franquia até mesmo na hora de modificar o sistema de combate deste título. Seria bem fácil se eles mantivessem sistemas como os boosts e orbments de Daybreak, por exemplo, mas ao escolher seguir a lore, retornamos para um sistema mais simples, pois as melhorias que surgiram nos sistemas de combate ao longo da série estão todos ligados as mudanças que a tecnologia de Zemuria sofreu ao longo dos anos dentro da narrativa geral da série. Até mesmo os follow-ups que têm neste jogo são explicados como sendo apenas algo natural, em vez de serem considerados uma função especial do Orbment introduzido em Cold Steel.
O trabalho de um Bracer
Uma das coisas mais legais de Trails in the Sky 1st Chapter é como suas mecânicas se interligam com sua narrativa. Eu já mencionei o sistema de combate, mas há algo a mais que liga de forma bem íntima ambas as coisas, as sidequests. Estelle e Joshua são membros da Bracer Guild, uma organização não governamental que tem como principal função ajudar os cidadãos de Zemuria em seu dia a dia. Traduzindo para termos gamísticos, a Bracer Guild é a “desculpa” para termos sidequests no jogo.

Além da missão principal, é possível a qualquer momento do jogo visitar a base local e interagir com um quadro e aceitar os pedidos disponíveis. Cada pedido conta como uma sidequest e apesar de muitos serem similares, como eliminar um monstro superpoderoso, é uma ótima forma de ganhar dinheiro e itens extras, incluindo valiosas orbs.
É claro, essa união de mecânicas e narrativa está presente em toda a série, mas a forma como ela ocorre em Trails in the Sky 1st Chapter é a mais natural de todas. Verdade seja dita, a adição dos Bracers foi algo que traz prós e contras para a história deste jogo e da série geral. Vale mencionar que todos os títulos subsequentes estrelando outros protagonistas (a duologia Zero/AO, a quadrilogia Cold Steel e os dois títulos Daybreaks) sempre deram uma desculpa que tentasse justificar por que personagens que têm outros tipos de trabalho (policiais e estudantes) estão fazendo coisas que não são esperadas deles. Isso está diretamente ligado ao fato de que a Falcom inventou uma maneira excelente de justificar as sidequests logo no primeiro título da franquia.
Uma nova cara a uma experiência antiga
Trails in the Sky 1st Chapter é um remake em sua mais pura essência. Temos aqui o mesmo jogo de 2004, com todo o conteúdo de sua versão original, sem pôr nem tirar nada. A principal diferença são as melhorias em sua apresentação e a adição de muitas QoL que foram introduzidas ao longo dos 20 anos da franquia.

O salto gráfico é o principal ponto que chama a atenção. Até mesmo comparado a Horizon, o título mais recente no Japão, Sky 1st Chapter, é um jogo muito lindo. Seu estilo artístico buscou inspiração na versão original e com isso temos um jogo com cores bem mais brilhantes e leves, além de muitas animações mais cartunescas, com personagens fazendo caras e bocas dignas de animes de comédia, voltando ao estilo mais chill e comfy do início da série.

Além disso, certos momentos da história contam com animações de alta qualidade que mostram o trabalho primoroso dos artistas da Falcom neste título. Engana-se quem pensa que tais animações são CGIs. Esse alto nível de qualidade, infelizmente, acaba sendo afetado pelo hardware do Nintendo Switch 2, que possui alguns momentos de lag. No modo Handheld, onde joguei a maior parte do tempo, as quedas não são muito perspetiveis, mas no Dock a história é diferente. Não culpo a Falcom nem a Gungho por isso, afinal de contas, o anúncio da versão de Switch 2 foi muito do nada e eles com certeza não tiveram tempo de testar tudo.
Em termos sonoros, também temos ótimas melhorias. O jogo está dublado, com opções para vozes em inglês e em japonês, com a maior parte dos dubladores retornando para personagens que já foram dublados nos jogos futuros. A música também é algo de chamar a atenção, já que temos uma trilha sonora remixada. Alguns temas ficaram sensacionais, como o icônico tema de batalha Sophisticated Fight, que agora possui duas versões, como é esperado dos jogos com o sistema de batalha híbrido. Fãs das trilhas originais ficarão felizes em saber que é possível selecioná-las.

Em termos de QoL, o jogo recebeu grandes adições para melhorar a experiência geral. Sidequests e subeventos são marcados no mapa, ajudando os jogadores a não perderem itens secretos e momentos adicionais da narrativa. O Turbo mode de títulos anteriores também retorna aqui e até mesmo existe uma opção de Fast Travel, perfeita para navegar pelos múltiplos mapas sem perder muito tempo. Por fim, vale mencionar que a tradução foi modificada em relação à versão anterior, com a GungHo relocalizando o título para algo mais próximo do texto japonês, mas ainda mantendo alguns termos já localizados que os fãs ocidentais estão acostumados.
Entretanto, como um remake que segue de perto a sua versão original, Trails in the Sky 1st Chapter ainda possui algumas coisas que foram removidas de títulos futuros a fim de melhorar a experiência. Uma delas é os NPC’s que acompanham a party, com o título voltando ao esquema de incluí-los nas batalhas, que aumenta a dificuldade de certos duelos, visto que se os NPC’s forem derrotados, tomamos um game over. Além disso, vários momentos da história desabilitam a Fast Travel, fazendo com que tenhamos que correr até um ponto que já temos desbloqueado.
A trilha pelo céu só está começando

Uma trilha no céu, absolute cinema
Trails in the Sky 1st Chapter é um fantástico remake de um clássico JRPG. Mantendo tudo do seu original, atualizando seus visuais e efeitos sonoros para um novo patamar e adicionando as principais melhorias introduzidas ao longo dos anos, a Falcom mostra como se faz um remake que vai agradar tanto veteranos quanto novatos.
Pros:
- A melhor versão do primeiro título da série;
- Uma ótima história que introduz muito bem o mundo da franquia;
- Combate mistura as melhores mecânicas dos 20 anos da franquia;
- Ótimos QoL que ajudam a experiência a ficar ainda melhor;
- Gráficos e trilha sonora combinam bem elementos do original com um toque de modernidade.
Contras:
- Alguns elementos negativos do original que foram removidos nas sequência retornam aqui;
- Pequenos problemas técnicos enquanto explora o mundo e em algumas lutas.
Nota
9
