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Desenvolvedora: Gust
Publicadora: Koei Tecmo
Gênero: RPG | Simulação | Exploração
Data de lançamento: 9 de junho, 2026
Preço: R$ 400,00
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Koei Tecmo.
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Lançado no ano passado, Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land marca o início de uma nova subsérie da franquia Atelier após o sucesso da trilogia estrelada por Ryza. A Koei Tecmo anunciou recentemente o próximo título que continua a narrativa da saga Memories, mas, enquanto a nova aventura tem previsão de chegar só no próximo ano, para 2026 a desenvolvedora decidiu trazer Yumia e seus amigos para o Nintendo Switch 2.
Agora, vocês devem estar estranhando verem outro redator que não seja o Marcos (editor-chefe do site) analisando um título da franquia — nas próprias palavras dele: “Eu não quero tocar em Yumia tão cedo novamente”. Com isso em mente, a missão de analisar a versão de Switch 2 do título caiu para mim, após o Marcos me perguntar se eu tinha interesse em jogá-lo.
Eu prontamente aceitei, também sou fã da série, tendo jogado vários de seus títulos e, apesar de não chegar aos pés do nosso querido editor-chefe (que é, na minha opinião, o maior fã de Atelier do Brasil), acredito que também possa fazer um bom trabalho falando deste título tão único dentro de uma série com uma identidade tão forte como é a franquia Atelier.
Ainda assim, eu recomendo bastante dar uma lida na review do Marcos de Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land. Ele explica muito bem o título, suas mecânicas e mudanças em relação à série como um todo. Eu ainda vou falar um pouco de tudo isso, mas reitero que o foco é bem mais em como a versão de Switch 2 está funcionando do que um mergulho em si no título. Dito isso, vamos focar em Yumia e sua aventura para descobrir a verdade sobre o que é a alquimia.
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O JRPG saBOOOR Atelier

Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land é um JRPG que se vende como um título da franquia Atelier. O que eu quero dizer com isso, deve ser a primeira pergunta que veio à mente de você, caro leitor. Afinal de contas, a franquia Atelier é uma série de JRPGs, possuindo elementos tradicionais do gênero.
Você não está errado em pensar assim, porém, Atelier em si tem algo que a faz ser diferente de outras séries do gênero. A identidade é algo que a diferencia de rivais como Dragon Quest, Final Fantasy, Breath of Fire, entre outros. Ela está 100% inserida no DNA do que é um jogo de Atelier: narrativas mais voltadas para seus personagens, com um foco nos relacionamentos interpessoais de seu elenco (tanto principais quanto secundários) e bem mais interessada no dia a dia do que algo épico; uma jogabilidade centrada em seu sistema de crafting, onde a alquimia, o tópico principal dos títulos, está interligada às mecânicas de gameplay; e, é claro, uma vibe geral de ser um título bem mais “calmo” de se jogar.
Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land possui todos esses elementos, mas não da forma como é apresentada em outros títulos da série. Faz sentido, já que, de acordo com os desenvolvedores, esse título deveria ser um novo ciclo para a série, a fim de modernizar a série para reter quem se apaixonou pelas coxas aventuras de Ryza, além de atrair novos fãs.

A narrativa do título abandona o cozy encontrado nos títulos passados e busca se aproximar mais da sensação de uma aventura tão comum em outros jogos do gênero. Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land nos introduz a Yumia Leissfeldt, uma alquimista que faz parte da Equipe de Pesquisa, um grupo que explora o continente de Aladiss, em busca de descobrir a verdade sobre o fim do Império Aladissiano, o mais poderoso da região.
A alquimia é vista como um tabu, uma arte proibida, por conta do incidente envolvendo a destruição do Império Aladissiano, uma explosão de mana. Por conta disso, Yumia é vista como alguém perigoso, sendo mantida sob observação, além de ser tratada com desprezo e hostilidade por outros membros da equipe.
O chefe da Equipe de Pesquisa, Erhard Boleman, contudo, acredita que apenas Yumia com sua alquimia pode ajudar a Equipe de Pesquisa a fazer progresso em sua missão. Para isso, Erhard coloca os irmãos Viktor e Isla para ajudarem a protagonista, com outros membros únicos da equipe eventualmente se unindo ao pequeno grupo. Assim, a alquimista recebe o objetivo de limpar áreas conhecidas como Manabound, onde a quantidade de mana é alta, a fim de abrir caminho para a Equipe de Pesquisa explorar o continente.

A história foca na exploração do continente de Aladiss, dividido em quatro regiões, com Yumia e seus amigos descobrindo os segredos aladissianos, além de encontrar misteriosos inimigos que buscam utilizar a alquimia para seus próprios planos. Os relacionamentos interpessoais ainda marcam presença aqui, mas as interações mais importantes entre personagens foram movidas para eventos opcionais e os momentos slice of life são pouquíssimos.
Essa mudança faz com que Atelier Yumia seja muito mais um JRPG, buscando introduzir uma narrativa mais séria e em escala maior do que o esperado da franquia. Não que Atelier não tenha tido histórias mais sérias no passado, mas os títulos anteriores da série sempre fizeram questão de tais momentos estarem em segundo plano, com o foco sendo na vida diária dos personagens e suas interações.

O mais interessante é que a premissa de Atelier Yumia não é ruim. Esta é basicamente uma narrativa explorando um mundo após a sua ruína por conta de alquimia, um tópico que já foi explorado de uma forma mais tradicional em outra subssérie da franquia, a Trilogia Dusk (a minha favorita). A diferença principal é que, em Dusk, o mundo inteiro é um pós-apocalipse com a humanidade recuperando aos poucos a tecnologia e história do mundo antigo, enquanto em Memories, apenas Aladiss sofreu esse evento catastrófico e Yumia e seus amigos aprendem mais sobre o que levou a tal evento, além de descobrir a ligação da alquimia com tal problema.
É um tema que funciona bem na série, mas que não foi muito bem aplicado. Em alguns momentos, a história parece ser bem rushada, sem dizer que os vilões não são bem aproveitados. Seu plano apresenta uma ideia interessante sobre a questão da alquimia, mas os vilões, apesar de serem dublados por icônicos atores japoneses, não têm muito desenvolvimento nem uma exploração mais profunda de suas personalidades.
Descobrindo os mistérios do passado
A narrativa mais focada em ser uma aventura foi criada dessa forma, a fim de se adaptar ao mundo aberto de Atelier Yumia. Expandido a ideia introduzida em Atelier Ryza 3: Alchemist Of The End & The Secret Key (que era em si uma expansão do “sandbox encorpado” de Atelier Firis: The Alchemist and the Mysterious Journey), este mundo aberto é dividido em quatro grandes regiões, cada uma possuindo seus próprios monstros e ingredientes para coletar.

Cada uma possui seu próprio visual que dá uma personalidade única a cada local que exploramos. Florestas, lagos, montanhas, cavernas e até uma cidade refeita com o poder da alquimia, cada região é variada o bastante para que as 30 horas de jogo (o que me levou para zerar sem fazer 100%) não sejam entediantes, ao menos em termos visuais.
Explorando cada local, podemos enfrentar a vida selvagem e coletar ingredientes para utilizarmos na alquimia. Além disso, também é possível ativar minitorres que funcionam como pontos de fast travel (com muitos estando fora do caminho principal), encontrar minitemplos para completar um pequeno quebra-cabeça e adquirir itens, desafios especiais contra outros inimigos, e muito mais. Para incentivar a exploração, nas bases principais de cada região é possível receber Pioneering Quests, objetivos opcionais que recompensam os jogadores com itens e habilidades ao completá-los. Tais objetivos envolvem encontrar certos itens, derrotar monstros específicos e mais.

Além de fast travel, o jogador também pode desbloquear uma moto para ajudar na exploração pelos locais. Ela só fica disponível a partir da segunda região, mas é algo bem legal de ter. O mundo aberto até que me surpreendeu: ele carrega bem rápido ao usar fast travel (apenas levando alguns segundos a mais ao mudar de região) e ele não é tão vazio quanto em outros jogos que utilizam tal elemento. Atelier Yumia também expande várias ideias introduzidas na trilogia da Ryza, como as ziplines, bases que podemos construir em diversos pontos do mapa e random quests.
O principal trabalho de uma alquimista

O principal elemento da franquia Atelier é seu sistema de crafting utilizando alquimia e os materiais adquiridos ao longo da jornada. Batizado de Synthesis, este sistema foi o que fez a franquia ficar famosa no Japão, sendo quase que sinônimo de Atelier. Apesar de não ser o primeiro JRPG com tal mecânica — a honra vai para Star Ocean, lançado em 1995 para o Super Famicom, um ano antes de Atelier Marie, primeiro título da série —, foi a franquia da Gust em si que popularizou a mecânica.
Em Atelier Yumia, a alquimia foi recontextualizada para algo que utiliza a mana presente nas memórias deixadas para trás para criar coisas, modificando a mana presente na memória de materiais Yumia pode criar itens. Diferentemente de outras alquimistas da série, a protagonista utiliza dança para mexer com a mana, dando uma desculpa perfeita para permitir que os jogadores possam utilizar alquimia em suas diferentes bases ou em momentos-chave da narrativa.
A Synthesis em si, contudo, sofreu uma grande reformulação geral. Ela é bem mais simples, funcionando na base de apenas duas fórmulas para definir o item final. Temos três elementos principais: Alchemy Core, Resonance e Mana.
O Alchemy Core é a “base” do item que vamos criar e o material utilizado afeta os outros dois elementos. Resonance é algo que acontece quando os diferentes materiais utilizados no Alchemy Core ressoam entre si. Quanto mais ressonância ocorrer, melhor é a qualidade e efeitos do item final. Por fim, a Mana é adquirida sempre que um material consegue atingir “estrelas” que aparecem entre os Alchemy Cores, basicamente melhorando a qualidade final da criação.

Não é nada complexo e ainda temos algumas regras remanescentes dos jogos passados: materiais de alta qualidade oferecem resultados melhores. Para quem quiser, é possível, com um toque de botão, deixar que o próprio jogo crie o item para si, podendo escolher se deseja priorizar uma melhor qualidade, fazer apenas o básico ou até mesmo customizar um pouco o resultado.
Também é possível utilizar pontos de habilidades, adquiridos ao realizar ações dentro do jogo, como a própria Synthesis, para habilitar Alchemy Skills (além de outras habilidades relacionadas a batalhas e exploração). Essas Alchemy Skills oferecem efeitos adicionais na hora de criar itens novos.
Como mencionado, o sistema de Synthesis é bem simples. Alguns elementos que davam uma maior dor de cabeça, como qualidade e traits, foram removidos ou simplificados. Veteranos ficarão chateados com essas mudanças, removendo um pouco da dificuldade e desafio para criar itens poderosos, uma recompensa por si só para quem gosta de explorar os sistemas de jogo até os mínimos detalhes. Por outro lado, novatos podem utilizar a opção de auto-add para criar itens que vão lhe ajudar durante quase toda a jornada, sem precisar se preocupar.
Essa perna aqui é para chutar a sua mãe
Atelier Yumia é um JRPG de ação. A série Atelier abandonou o sistema por turnos com a trilogia Ryza, mas Yumia decidiu abandonar o ATB, introduzido no primeiro Ryza, para seguir com um formato de ação, mas ainda com certos limites. É um sistema de combate que não consegui gostar, mas não por conta de suas mecânicas, que são até legais. Meu maior problema com ele é a facilidade geral da dificuldade de jogo.

O combate em si é bem interessante. Temos três membros da party ativos durante as batalhas, com cada botão de face do Switch 2 sendo um ataque (aqui chamado de skill). Cada um pode ser utilizado várias vezes em combo, enquanto outros ficam em cooldown após serem utilizados.
Os personagens circulam os oponentes, com a arena de combate sendo focada em um sistema de “anéis”. Com um toque de botão é possível fazer com que o personagem entre no anel interior ou exterior, alterando seus ataques de acordo com a distância para o inimigo.
Além das armas principais, é possível utilizar itens especiais elementais para atacar os oponentes. Esses itens também podem ser utilizados em conjuntos com outro personagem, uma ação conhecida como Friend Action, causando dano extra aos monstros após deixá-los em um estado de “stun”. Por fim, é possível se desviar de ataques, com esquivas no momento correto podendo ser recompensadas com contra-ataques envolvendo outro personagem.

Essas mecânicas são divertidas e bem interessantes, é uma pena, contudo, que elas estão implementadas no jogo mais fácil da série. Em sua dificuldade normal, Atelier Yumia é uma experiência bem “braindead” em relação a seu combate. Você fica forte muito facilmente neste jogo, seja ganhando níveis rapidamente ou ao criar itens com alquimia.
Não ajuda também que é fácil recuperar vida fora das batalhas, já que é possível criar itens de cura facilmente em altas quantidades. A facilidade até mesmo fez com que eu só usasse a mecânica Mana Surge (uma barra especial que ao ser preenchida ativa um supermodo com um ataque especial finalizador), introduzida ao longo da aventura, no chefe final, visto que ele era o único que sobreviveu tempo o suficiente para eu conseguir utilizá-la. O próprio combate também parece incentivar um estilo de jogo em que você não precisa desviar muito, já que os personagens não sofrem knockback ao serem acertados por ataques.
Esse último ponto é uma faca de dois gumes. Como os combates são energéticos com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, incluindo muitos efeitos visuais, fica difícil ver quando algum ataque vai ocorrer e acertar o seu personagem. Há efeitos visuais e alguns sonoros para lhe avisar, mas boa sorte em captá-los no meio de toda ação.
O que mais me deixou desapontado com a facilidade do combate foi a forma que a Gust decidiu implementar uma “falsa” dificuldade nos confrontos. Inimigos que possuem ataques AOE (que acertam a party inteira) vão utilizá-los a maior parte dos duelos e, já que seu grupo não consegue desviar de todos, essa é a única maneira que os inimigos conseguem derrotá-los. Tive algumas batalhas perdidas por conta disso, com uma chefe em especial sendo a principal usuária dessa “estratégia”.
Mais poderio, mais problemas

Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land chegou ao Switch original trazendo alguns problemas de desempenho que poderiam ser endereçados ao hardware defasado da plataforma da Nintendo, algo comum que é esperado de certos títulos da franquia ao serem portados para uma plataforma mais velha. Lembro-me de certos jogos da série no Vita, que, por exemplo, rodam muito mal.
Com uma Nintendo Switch 2 Edition, o esperado era que Atelier Yumia pudesse aproveitar o boost do hardware para oferecer uma experiência melhorada. Eu já mencionei que o jogo tem poucos tempos de loading, mas essa parece ser a única melhoria notável da mudança de plataforma.
Em um resumo, Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land – Nintendo Switch 2 Edition roda muito mal no Switch 2. O game sofre com slowdowns que vão piorando conforme você vai jogando o título, além de certo delay que ocorre ao apertar botões em certas ações, como falar com NPCs. Tive até um bug curioso em que uma cutscene acabou e o jogo me colocou out of bounds e, se não fosse a função de fast travel, talvez eu perdesse algumas horas de jogo.
A Koei Tecmo já mencionou que está trabalhando em patches de correção para esses problemas, mas é uma pena que o título tenha sido lançado dessa forma, pois fica parecendo que não fizeram um trabalho de Q&A antes de lançá-lo. O mais engraçado é que esses problemas todos fazem com que a versão de Switch 1 seja a melhor opção para jogá-lo no Switch 2, visto que o hardware do novo console faz com que ela rode muito melhor.
Tirando isso, Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land é um belo jogo com ambientes bonitos e variados. A trilha sonora também chama bastante atenção com muitas melodias que trazem aquela vibe de Atelier e os dubladores também são outro ponto positivo, com alguns nomes icônicos marcando presença aqui.
As memórias que pavimentam o caminho para o futuro

Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land começa a série na nova plataforma da Nintendo de um jeito que poderia ser um pouco melhor. Atelier Yumia em si é um jogo bom se você curte JRPGs, mas como um Atelier, ele deixa a desejar em muitos pontos. O título ainda possui um pouco do DNA da série, como personagens charmosos e interações com um toque de slice of life, mas ele peca ao decidir colocar isso em segundo plano e focar em uma narrativa que não teve seu potencial totalmente explorado.
Seus maiores problemas, contudo, são relacionados ao desempenho do título na plataforma. Parece que a Gust e a Koei Tecmo não souberam utilizar bem o novo hardware a favor para entregar uma experiência bem otimizada. O que desaponta ainda mais, é que essa era a oportunidade perfeita de tirar o gosto ruim deixado pela versão de Switch 1 de Yumia, mas infelizmente, este não foi o caso com essa Nintendo Switch 2 Edition. Espere pelos patches antes de investir na aventura de Yumia no console híbrido.
Prós:
- Um bom mundo aberto que o jogo incentiva a exploração;
- Personagens principais são bem carismáticos e suas interações ainda carregam o DNA da série;
- Trilha sonora possui melodias muito boas.
Contras:
- Desempenho muito ruim no Switch 2;
- Narrativa não teve seu potencial explorado;
- Combate é muito fácil e mal equilibrado;
- É um bom JRPG, mas deixa a desejar como Atelier.
Nota
7
