Desenvolvedora: Nihon Falcom
Publicadora: NIS America
Gênero: RPG de ação, baseado em turnos
Data de lançamento: 15 de janeiro de 2026
Preço: R$ 369,99
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, PC
Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
Nihon Falcom
NIS America
15 de janeiro de 2026
R$ 369,99
Físico (Game-Key Card)/Digital
RPG de ação, baseado em turnos
Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela NIS America.
Revisão: Manuela Feitosa
O capítulo mais recente da saga Calvard, The Legend of Heroes: Trails beyond the Horizon, continua a aventura da Arkride Solutions, enquanto marca o retorno de personagens conhecidos da franquia em uma narrativa que avança a história geral da série rumo à sua reta final. Novos mistérios e diversas melhorias marcam este que é o último título da franquia que ainda não estava localizado.
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Indo além do horizonte

Trails beyond the Horizon é o terceiro jogo do arco Calvard da série. Apesar do nome diferente, ele pode ser considerado “Trails through Daybreak 3”, continuando a aventura de Van e os membros da Arkride Solutions alguns meses após os eventos do jogo anterior. A República de Calvard se prepara para colocar uma pessoa no espaço pela primeira vez na história do continente de Zemuria, mas enquanto o governo e todos estão focados nesse objetivo, um novo mistério começa a surgir nas sombras.
Ao mesmo tempo que Van e seus amigos exploram a linha tênue entre a sociedade e o submundo criminal em busca de respostas para o misterioso programa espacial e os novos inimigos que surgem, dois veteranos da série retornam com seus próprios objetivos individuais que expandem a narrativa. Rean Schwazer, o protagonista da saga Cold Steel, é convidado pelo governo para participar de um exercício em preparação para o programa espacial. Já Kevin Graham, protagonista de The Legend of Heroes: Trails in The Sky the 3rd, está em uma missão secreta dada pela Igreja, reassumindo seu antigo posto como caçador de hereges e caçando um alvo que cometeu um grande pecado envolvendo todo o continente.

A narrativa de Trails beyond the Horizon é cheia de mistérios, avançando a história geral da série a passos largos, enquanto prepara o terreno para jogos futuros. Na minha opinião, ela não é tão boa quanto a de Trails through Daybreak 1, mas é uma melhoria considerável de Trails through Daybreak 2. Os dois primeiros títulos do arco de Calvard introduziram a nova região e alguns mistérios, e após dois jogos o esperado é que finalmente tenhamos algum que vai nos dar respostas. Infelizmente, este não é o caso aqui, com Trails beyond the Horizon adicionando ainda mais especulações sobre o futuro da franquia. Se Trails through Daybreak 2 poderia ser considerado um jogo filler, este título em si pode ser considerado o segundo capítulo de Calvard.
A história tem alguns sérios problemas de ser apenas um setup para o próximo título. O foco principal que é o programa espacial acaba sendo deixado de lado para a introdução de um novo grupo misterioso de inimigos conhecidos como Vestiges, que não são explorados aqui. Com exceção de alguns poucos personagens, a maior parte do grupo permanece sendo um mistério, incluindo suas motivações e existência. Outras questões como as origens de Van e seu misterioso poder, Grendel, ou Mare, a IA super avançada que ajuda Van, também continuam sem resposta.

A história do jogo em si é legal, mas ela não possui um foco em algo específico. O programa espacial, que toma boa parte da narrativa no início, logo é deixado de lado e só retorna para o centro das atenções nos últimos capítulos. Os mistérios que vão surgindo ficam sem respostas e muitos novos personagens são introduzidos e outros, que eram NPCs nos jogos anteriores, de repente se tornam importantes o bastante, mas sem um payoff neste jogo.
O principal problema da narrativa, contudo, é seu pacing. O principal vilão neste quesito está no sistema trazido de volta para este título e a razão de ele não ser chamado de “Trails through Daybreak 3”: o sistema de rotas e os “múltiplos protagonistas”.
As três “trilhas” além do Horizonte

Assim como foi o caso com Trails into Reverie, Trails beyond the Horizon também possui “três protagonistas”, e o jogo usa um sistema de rotas em que cada grupo segue sua própria jornada, que ocorre em paralelo às demais. Note que eu usei aspas para mencionar esse ponto. Isso porque, diferente de Reverie, Van é o principal protagonista desta aventura, com os outros dois funcionando mais como side stories.
Sendo honesto, este jogo é 80% Van, com Rean e Kevin cada um tendo 10% da narrativa. As três rotas são bastante desequilibradas, com a rota de Van sendo onde está a maior quantidade de conteúdo adicional para ser realizada, além, é claro, do maior tempo de tela e da expansão da narrativa. As narrativas de Rean e Kevin são curtas e terminam muito antes do grande final do título. Obviamente esse jogo sempre se propôs como o terceiro ato da saga Calvard, mas essa decisão da Falcom acabou afetando um elemento importante do título, seu pacing.

Trails eyond the Horizon é dividido em três capítulos de história, além de conter um prólogo, intermission e o final. As três rotas ocorrem entre os três capítulos, mas sua divisão não é igual. Van possui rotas em todos os três capítulos, além da intermission e do final. Já Rean e Kevin alternam com casos de um dos personagens só ter rotas no primeiro capítulo e na segunda parte do terceiro capítulo. Além disso, as rotas não podem ser intercaladas, como em Reverie, sendo necessário terminar toda a seção antes de prosseguir com outro personagem.
Isso resulta em longos momentos onde a narrativa atinge um certo clímax, mas ela acaba sendo cortada, pois você é obrigado a jogar com a Arkride Solutions que está seguindo um ponto narrativo totalmente diferente. Há também casos onde após terminar uma rota, os personagens da mesma só voltam a ser importantes 8-10 horas de jogo mais tarde. Como já mencionado anteriormente, Rean e Kevin terminam suas histórias muito antes de Van chegar no final, com revelações feitas nos seus momentos finais tendo um grande impacto na reta final da aventura, mas que pode acabar ficando esquecido, visto que ainda há umas boas 6-7 horas antes da narrativa chegar perto de seu final.

Esse, contudo, é apenas um dos muitos problemas de pacing da narrativa. Há outros que envolvem a própria aventura de Van e seus amigos. Existe um grande ponto importante da narrativa envolvendo Van e Agnés, a heroína da saga Calvard, que ocorre durante a metade do jogo, mas cuja repercussão é totalmente sentida no final da aventura, 20 horas mais tarde. No ínterim, temos a aventura jogando o ponto para escanteio enquanto busca introduzir mais mistérios que só servem para esquentar o banco para o próximo título.
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Como é comum na série, Trails beyond the Horizon expande o sistema de combate de Trails through Daybreak 2, introduzindo novas mecânicas que o tornam ainda mais divertido. Em especial, estão as mudanças relacionadas ao sistema de combate em ação, também conhecido como Command Battle.
Basicamente, além de podermos utilizar ataques normais, magias rápidas e ataques fortes, temos a introdução de duas novas mecânicas que incentivam o duelo de ação: Z.O.C e Awakening. Ativado ao segurar o gatilho direito, o Z.O.C ativa um modo de camêra lenta, que faz com que os inimigos fiquem mais devagar, além de aumentar o dano dos personagens por um certo período de tempo.

Já o Awakening só pode ser utilizado por alguns personagens específicos. Apertando ambos os gatilhos com um desses personagens (Van, Rean, Kevin, Shizuna, Celis, Leon ou Kasim), é possível ativar um modo super, que aumenta o dano dos ataques por tempo limitado. Além disso, ao mudar para o combate em turno, o modo super é carregado por um turno, podendo assim iniciar a nova etapa do duelo com força total.
O SLCM, que funciona como um contra-ataque após uma esquiva perfeita, também foi reformulado. O tempo para realizar a esquiva perfeita foi prolongado, tornando-o mais fácil de realizar, e além disso, você não troca mais de personagem ao ativá-lo.
Os combates por turnos também sofreram alterações e receberam algumas novidades. Agora, é necessário apenas “queimar” uma boost gauge para usar a S-craft do personagem e ativar as habilidades de shards. “Queimar” uma segunda barrinha ativa o Z.O.C, que nos combates por turnos concede um turno adicional que é ativado imediatamente após o turno atual, aumentando assim as estratégias de combate.

A segunda grande novidade do sistema é a introdução dos Shard Command. Funcionando como as Brave Orders de Cold Steel 3/4/Reverie, elas fornecem poderosos bônus para os personagens durante os duelos. Alguns bosses também possuem Shard Command, podendo usá-las contra o seu próprio time.
Este é o sistema de combate mais divertido da franquia Trails até o momento. Muito também se deve a quão fácil é quebrá-lo com as opções de customizações que a Falcom lhe oferece, os quartz. Em outros jogos, geralmente as opções de quartz são limitadas, especialmente os mais poderosos, então geralmente é comum ter um grupo bom só na reta final da aventura.
Em Horizon, as coisas mudam de figura, uma vez que é muito mais fácil colocar suas mãos em quartz poderosos já a partir do segundo capítulo do título. Conseguir montar um bom time, utilizar Shard Command a seu favor e transformar uma batalha em um completo campo de destruição onde seu time consegue eliminar metade da barra de vida de um chefe (que geralmente possui HP na casa dos 100k+) antes que o mesmo consiga um turno para atacar é uma sensação extremamente prazerosa.
Eu estou preso na simulação novamente

Assim como foi o caso de Trails through Daybreak II, Trails beyond the Horizon também possui o Marchen Gate, um campo de realidade virtual criado pela companhia Marduk, onde os personagens podem explorar “opcionalmente”. A diferença aqui é que dessa vez, o Professor Novarti da organização secreta Ouroboros é o responsável pelo hackeamento do sistema, que transformou o local em Grim Garten, uma versão mais sombria do espaço original.
Como a Marduk está ocupada com o lançamento do foguete, a missão para recuperar o sistema caiu nos ombros de Altina, que contratou os serviços de Van, Rean e Kevin. O novo Grim Garten funciona como o True Reverie Corridor de Trails Into Reverie, onde os três times se unem para enfrentar as ameaças do local e onde o jogador pode fazer o seu “time dos sonhos” com personagens dos três grupos.

Admito que eu curto a ideia do True Reverie Corridor de ser um local onde podemos fazer uma equipe composta de nossos membros favoritos de todas as rotas, além de poder testemunhar os personagens interagindo entre si. Entretanto, não curto nem um pouco a forma como isso foi feito aqui. Reutilizar o Garten é bastante preguiçoso em minha opinião, e apesar de ter algumas pequenas mudanças em sua interface, sendo ele agora dividido em tabuleiros que você decide como prosseguir até o chefe, o Garten em si é um local extremamente sem graça de explorar.
Além disso, tenho duas ressalvas em relação à narrativa envolvendo este lugar. Diferente do True Reverie Corridor, os três times mantêm suas memórias originais ao entrarem no local. Só isso já poderia servir como uma forma de ligar ainda mais as diferentes tramas narrativas de cada rota de uma forma consciente. Não é o que ocorre aqui, pois, por algum motivo, os três times decidem que cada equipe já está lidando com muita coisa, então não vale a pena compartilhar informações.
Alguns personagens como Kevin dá para entender tal decisão, mas outros como o time de Rean, que tem boas relações com membros das outras equipes, não fazem muito sentido. O pior é que muitas das interações entre as equipes ocorrem off-screen e mesmo assim os três times compartilham apenas informações básicas.
A outra ressalva narrativa tem relação com o fato do Grim Garten ser considerado opcional após um certo ponto, já que sua narrativa não parece ter muita ligação com a história principal. Isso é um pouco verdadeiro e um pouco falso. O Grim Garten é afetado por sua progressão na campanha principal e algumas coisas só estão disponíveis por certo tempo.
Além disso, enfrentar os membros do Ouroboros dentro dele resulta em interações especiais ao encontrá-los no mundo real. Por fim, apesar de não estar 100% ligado à narrativa principal, existe um certo plot point que afeta não apenas o final como também futuros títulos, que só é descoberto ao terminar o Garten.
O Switch 2 vai além

Trails beyond the Horizon teve seu lançamento adiado, pois a Falcom decidiu lançar uma versão do jogo para o Nintendo Switch 2. Similar ao caso do remake de Sky, lançado no final do ano passado, a desenvolvedora fez o anúncio e trabalhou nessa versão pessoalmente, antes de passar para a NISA fazer seu trabalho de localização e testes. O resultado é que, apesar dessa forma estranha de trabalhar, este é um dos jogos da série que funciona de maneira mais estável no console.
Apesar do remake de Sky ser mais bonito em minha opinião, Trails beyond the Horizon ainda é um jogo que chama a atenção por seu estilo visual e animações. A Falcom caprichou em cenas especiais que ocorrem em certos momentos, fazendo suas transições serem quase invisíveis e sem lentidão. O jogo roda sem problemas tanto no modo portátil quanto na TV e senti apenas um único slowdown em um momento específico. Contudo, a transição das batalhas em tempo real para turnos sofre um rápido momento de descompressão de imagem.

Em termos sonoros, Trails beyond the Horizon segue com a tradição de oferecer dublagem em dois idiomas (inglês e japonês) e legendas em uma multitude de idiomas. Infelizmente, o português ficou de fora. A tradução, contudo, tem seus pontos positivos e negativos.
O pior ponto dela tem relação com uma das novas personagens introduzidas no título. Ulrika, a Enforcer No.XVIII, que é uma streamer. Os tradutores da NISA decidiram usar um linguajar cheio de gírias e lingos modernos da internet, incluindo termos que são mais utilizados pela geração mais atual. Coisas como Unc, piadas com Onlyfans, DILF, e outros termos são utilizados na localização de Ulrika, e devo confessar, não ficou nem um pouco legal. Eu não sou fluente em japonês, mas consigo entender o suficiente para saber quando a personagem fala algo que a legenda diz o total oposto.

A trilha sonora também continua tão boa como já é esperado. Temos algumas músicas muito boas aqui, em especial nas batalhas contra chefes. A luta final também é bastante memorável graças à combinação de sua trilha sonora, visuais e jogabilidade, fechando com chave de ouro este título.
Uma trilha que continua em direção ao futuro

Trails beyond the Horizon não é o final da saga Calvard e o pacing de sua história é um sinal de que ainda temos muito até finalmente chegar ao fim da longa narrativa da série. Apesar disso, a reunião de Van, Rean e Kevin resultou em um jogo interessante, onde alguns momentos de sua narrativa atingem um novo pico e sua gameplay é sem sombra de dúvidas seu principal ponto positivo.
Prós:
- A melhor gameplay da série até o momento;
- O retorno de Rean e Kevin à narrativa é muito bem-vindo;
- Apesar de problemas de pacing, a narrativa tem momentos bem icônicos e memoráveis;
- Jogo funciona sem problemas no Nintendo Switch 2, tanto no modo portátil quanto no TV;
- Trilha sonora é muito boa.
Contras:
- Tradução tem algumas escolhas questionáveis em certas linhas ou envolvendo certos personagens;
- Problemas sérios de pacing afeta a narrativa em alguns momentos;
- Narrativa do jogo mais prepara o terreno para o próximo em vez de tentar terminar as coisas aqui.
Nota
8,5
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